SITUAÇÃO MISSIONÁRIA

O Presidente Mao Tsé Tung proclamou a República Popular da China em 1949, e logo buscou expurgar a sociedade de tudo o que pudesse lembrar religião, fazendo o povo chinês suportar grande sofrimento desde então. O Grande Salto Adiante de Mao no final dos anos 50 e a Revolução Cultural nos anos 60 e 70 causou a morte ou o degredo de milhões dos seus compatriotas. Hoje, com suas políticas de aborto forçado e esterilização, a China detém os piores recordes de abusos dos direitos humanos do mundo. Segundo informações, as autoridades vendem os órgãos de prisioneiros executados para atender à demanda de transplantes. Seu sistema de “reeducação através de trabalhos forçados” mantém todos os anos centenas de milhares nos acampamentos de trabalho, sem nem mesmo direito a julgamento. A política “linha-dura” da China, apresentada como uma política de repressão a criminosos, é mais dura com os cristãos e põe na prisão mais cristãos como em nenhum outro país do mundo. O confisco de propriedades da igreja e Bíblias continua – até de Bíblias oficialmente impessas pelo governo. Ainda assim a Igreja cresce: há um calculo de que 3.000 chineses vêm a Cristo cada dia. O movimento de igreja doméstica na China, que inclui 90 por cento dos cristãos da China aproximadamente, suporta perseguição inimaginável, contudo se levanta em seu compromisso para orar o evangelho não importa o custo.
Na década de 50 o governo arquitetou a infiltração, subversão e controle de todo o cristianismo organizado. Em 1958 isto já foi conseguido através do Movimento Patriótico da Autonomia Tripla (MPAT) entre os protestantes, e a Associação Católica Patriótica (ACP) entre os católicos. Durante a revolução cultural até mesmo essas estruturas de fachada foram banidas, e toda atividade religiosa foi forçada a funcionar na clandestinidade, dando origem ao movimento de igreja nas casas. Em 1978 as restrições relaxaram e a MPTP e a ACP ressurgiram como um meio do governo ganhar controle de milhares de igrejas nas cases. Isto foi parcialmente bem sucedido. O colapso do comunismo na Europa é visto como motivado pela religião. Assim, controles rígidos são mantidos sobre as organizações cristãs e muçulmanas e toda atividade não registrada é reprimida sempre que possível. Todos os números abaixo são estimativas.

Religiões chinesas: 27%. Uma mistura de budismo taoismo, confucionismo e religiões tradicionais.
Budistas:
3%. Budistas tradicionais 24.000.000.
Animistas: 2,4%. Principalmente entre os povos tribais do sul, sudoeste e extremo norte. Muçulmanos: 2,4%. Dominantes em Xinjiang e Ningxia. Existem agora 43.000 mesquitas oficialmente permitidas.
Cristãos: 6,1%. Crescimento: 7,7%.
:: Evangélicos/Protestantes: 5,1 %. Crescimento: 7,1 %.
:: Católicos Romanos: 0,77%. Crescimento: 10,8%.

MOTIVOS DE LOUVOR

O crescimento da igreja na China desde 1977 não tem paralelo na história. Os pesquisadores estimam em 30 a 75 milhões os prováveis cristãos, em 1990. O Bureau de Estatística do Estado da China estimou confidencialmente em 63 milhões de Cristãos Evangélicos e 12 milhões de católicos em 1992. Compare esse número com o que foi estimado em 1949: na época as melhores estimativas calculavam um número de 1.812.000 Cristãos Evangélicos e 3.300.000 católicos. A maior parte desse crescimento está na rede não oficial da comunhão nas casas, através do trabalho de pregadores itinerantes e numerosos movimentos de reavivamento local. Louve a Deus por:
a) Os 140 anos de semeadura sacrificial por milhares de missionários. Numa certa época houve 8.500 missionários evangélicos, sendo que 1.000 estavam com a CIM (OMF). Seu trabalho não foi em vão! No entanto, pareceu ser mais sábio ao Senhor removê-los antes da colheita para que somente Ele tivesse a glória!
b) Os milhões de intercessores que batalharam em oração pela vitória tão demorada. A oração foi mudando a China
c) A evidente falência do Comunismo. Erros colossais e mudanças na política do Partido por mais de 35 anos desiludiram o povo. A queda dos lideres do culto à personalidade e o não cumprimento das promessas para um futuro melhor criaram um vácuo que somente o evangelho pode encher. A igreja do Senhor Jesus é maior do que o Partido Comunista da China. Mao Zedong involuntariamente tornou-se o maior evangelista da história. O nepotismo, a corrupção e o partidarismo do atual Partido Comunista tornaram-se repugnantes para a maioria.
d) Os cristãos que permaneceram firmes no que foi provavelmente a perseguição mais dura e generalizada que a igreja jamais experimentou. A perseguição purificou e nacionalizou a igreja e a tem fortificado para os recentes esforços para enfraquecê-la e destruí-la. Na década de 60, a cidade de Wenzhou em Zhejiang foi selecionada como modelo para a campanba de renúncia a religião; hoje ela é a cidade mais cristã da China e onde os cristãos, oficialmente, são 300.000.
e) A busca pela Verdade entre os educados. Os tanques da Praça Tiananmen esmagaram a confiança idólatra na democracia como sua solução para os jovens, e isso levou um grande número deles à fé em Cristo desde 1989. As velhas religiões da China não os atraíram, mas as afirmações de Cristo sim. Até então o crescimento tinha sido entre os pobres e as populações rurais; agora todos os níveis da sociedade têm sido afetados.
f) As ondas de reavivamento que se seguem a cada desastre natural ou induzido pelo homem. O amor e testemunho dos cristãos e o poder do Espírito Santo manifestados através de milagres, curas e exorcismo têm cumprido seu papel.
g) Os frutos da rádio cristã e a notável fé daqueles que têm transmitido para a China durante anos com pouca evidência visível de uma resposta.

MOTIVOS DE ORAÇÃO

As barreiras ao evangelho foram quebradas pelo sofrimento e aflição das guerras e revoluções deste século. Os grilhões das velhas religiões, do idó1atra taoísmo, budismo e confucionismo filosófico foram quebrados, e a estrangeirice do cristianismo foi dissipada. Agora é tempo de colheita. Ore para que todo o país seja evangelizado. Mais de 80% da população tem conhecido somente o comunismo, assim a maioria não tem fé alguma. Possivelmente 500 milhões de chineses, especialmente nas remotas províncias e minorias étnicas, nunca ouviram do evangelho. As 500 milhões de crianças chinesas e jovens abaixo de 18 são oficialmente proibidos de serem expostos ao evangelho.

O controle populacional através de leis severas e desrespeito pelos direitos humanos, vida familiar e absolutos morais tem tido conseqüências sociais trágicas com divórcios generalizados, abortos forçados em escala maciça, infanticídio feminino , violência e suicídio . Ore para que sejam levantados líderes na China que governem com justiça. Ore pelas famílias cristãs para que sejam luz e exemplo para os que os rodeiam. Ore especialmente para que os filhos dos crentes sigam os passos de seus pais, apesar da zombaria, discriminação e o bombardeiro constante da propaganda ateísta.

Os chineses no exterior são no mínimo 56 milhões. Destes, 28 milhões vivem em quatro territórios e estados de maioria chinesa: Taiwan, Hong Kong, Macao e Singapura. Os outros 28 milhões vivem em mais de 100 nações do mundo. Mundialmente tem havido uma volta à Deus entre os chineses com igrejas de destaque e freqüentemente ricas plantadas dentro dessas comunidades chinesas. Seu interesse e preocupação pelo bem estar espiritual da China têm tido um impacto significante no evangelismo, implantação de igrejas, provisão de ajuda e literatura cristã. Ore pelo crescimento das igrejas chinesas no exterior, seu expansão para as comunidades chinesas não alcançadas pelo mundo e o desenvolvimento de ministérios correlatos na China.

A IGREJA NA CHINA

1. O MPAT foi reconstituído pelo governo depois de 13 anos de esquecimento. A finalidade era desvirtuar a iniciativa do movimento igreja nas casas e para o governo ter o controle da igreja: a quantidade de interferência política tem variado muito de distrito para distrito. Todas as formas de atrativo para estender o controle sobre a igreja nas casas têm sido usadas, incluindo coerção, opressão militar, ameaças e promessas, mas com resultados limitados. Em 1991 haviam mais de 7.000 igrejas ligadas ao MPAT. Ore por:
a) Lideres que têm se acomodado e estão mais preocupados em implementar as políticas do governo do que obedecer ao Senhor Jesus Cristo.
b) Muitos lideres piedosos e crentes comprometidos com o MPAT para permanecerem mais comprometidos com a Verdade e temam mais a Deus que ao homem.
c) Os 13 seminários oficialmente autorizados, um deles é especifico para os líderes das minorias étnicas em Yunnan. Muito da instrução é orientada para o marxismo e liberal na teologia. Existem 700 alunos se preparando para o ministério, mas nem todos têm um chamado do Senhor. Existe uma alta taxa de desistências, e muitos envolvem-se em trabalhos administrativos na MPTP e não com o ministério pastoral. Ore para que os verdadeiros crentes entre eles não percam sua fé mas sejam trazidos mais perto de Jesus apesar dos aspectos negativos do seu treinamento .

2. O movimento das igrejas nas casas e suas numerosas redes é o coração da verdadeira igreja na China. A sua fraqueza é sua força. Ore por:
a) Seu comprometimento de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo qualquer que seja o custo e sem concessões. Isto pode ser afetado pela falta das Escrituras e do ensino em profundidade.
b) Seu alcance evangelístico. Os cristãos que testemunham e pregadores itinerantes têm espalhado o evangelho para todo lado, mas muitas províncias, distritos e cidades ainda não foram alcançadas. No entanto, é essa ação que as autoridades mais combatem com violência. Ore para que eles sejam cada vez mais audaciosos para Jesus e implementar sua estratégia missionária pela China.
c) Seus líderes. Alguns são velhos veteranos cujo ministério começou antes dos comunistas tomarem o poder. Ore para que eles lancem os fundamentos teológicos para a futura geração de jovens líderes. Muitos desses foram convertidos recentemente. A medida em que a nova China emerge, ore pelo concreto equilíbrio entre controle e liberdade no estilo de liderança.
d) O treinamento de seus líderes. São conhecidos dezenas de seminários campo/montanha que se reúnem secretamente por três meses para um tempo de comunhão, ensino e preparação para o ministério.
e) Grupos de estudos bíblicos nos campus universitários, têm se multiplicado desde 1989 com a participação de estudantes, formandos, professores e pesquisadores. Novos grupos foram estabelecidos em mais de 12 cidades em 1991. Isto tem uma grande significância para o futuro como uma nova terceira onda do crescimento da igreja na China. Ore pelo fortalecimento e crescimento desses grupos.

3. Reavivamento e reação. Grandes voltas para o Senhor nos últimos 15 anos têm afetado profundamente as províncias de Fujian, Zhejiang, Anhui, Henan e algumas das minorias étnicas de Yunnan. Só em Henall, alguns dizem que o número de cristãos dobrou entre 1989 e 1991. Ore pelas outras províncias menos afetadas para que da mesma forma sejam tocadas. O inimigo não está ocioso. Os ataques através de:
a) Falsos ensinos. Os muitos novos convertidos ainda não discipulados e com pouco conhecimento bíblico, têm sido presas fáceis de excessos doutrinários, distorções e erros. Extremos sobre o milênio e ensinos legalistas são comuns. É comum o uso de termos estranhos à Bíblia como: Voz Audível, Rainha do Sul, Salvação através do Conhecimento, e os Aclamadores. Ore para que os crentes tenham discernimento e os lideres sabedoria para corrigir esses excessos.

b) Perseguição. Ela vem em ciclos, e foi muito dura durante a Revolução Cultural. A maioria das Bíblias foram destruídas, as casas dos crentes saqueadas, e os crentes humilhados. Durante esse tempo muitos crentes foram aprisionados. Entre 1983 e 1985, e desde 1989, a perseguição dos grupos não registrados no MPAT e obreiros cristãos aumentou. Sabe-se que muitos milhares de crentes foram aprisionados, e alguns torturados pela fé desde 1989. Ore pela proteção e preservação dos cristãos, por aqueles aprisionados e pelo sustento de suas famílias. Em lugares onde a pressão é mais severa os obreiros cristãos foram espalhados e estão escondidos. Em 1992 ficou claro que a política do governo era fechar todas as igrejas nas casas. Os católicos têm sofrido particularmente mais por causa de sua submissão a um líder estrangeiro, o Papa. O controle do governo através da organização fantoche ACP prejudicou o crescimento e os leais à igreja passaram a viver na ilegalidade continuando muito secretamente.

OS MENOS ALCANÇADOS DA CHINA

1. Os chineses. A grande virada para o cristianismo aconteceu mais entre os chineses hen. Em 1992, 6,5-7% eram cristãos, no entanto, a distribuição dos cristãos na sociedade é irregular. Ore por:
a) Membros do Partido Comunista. O número oficial de 51 milhões membros pode ser irreal. A ideologia é a fachada para encobrir o oportunismo egoísta. Desilusão e abandono para o cristianismo tem levado a muitas demissões. Ore para que o Espírito Santo os convença mais dos seus pecados e necessidades. Entre eles existem também muitos crentes secretos!
b) As forças armadas que são os protetores do estado marxista, e que zelosamente guardam sua posição privilegiada. Existem 3.030.000 em uniformes, mas muito poucos crentes entre eles.
c) A "geração perdida", os jovens mobilizados como os guardas vermelhos da Revolução Cultural. Os milhões de envolvidos foram moralmente pervertidos e explorados, perdendo sua juventude, perspectivas de educação e esperança de melhoria na loucura desses anos. Ore para que eles encontrem esperança em Cristo.
d) Aqueles ainda presos pelas supersticões idólatras do taoísmo, budismo e confucionismo. Esses costumes e filosofias estão ressurgindo, mas os jovens não são atraídos por elas. Uma nova religião, QiCong, está ganhando muitos adeptos. Ore pelos milhões ainda amarrados e necessitados da liberdade que somente o evangelho pode dar.
e) Estudantes que são a chave do futuro. O choque dos acontecimentos de 1989 trouxeram muitos à Cristo, mas a maioria dos 2.100.000 estudantes universitários ainda não foram alcançados. Ore para que os cristãos entre eles sejam edificados na fé e serem testemunhas fervorosas. Ore também pelo estabelecimento de grupos de estudo bíblico em cada uma das 1.075 universidades. Ore também pela evangelização dos chineses mandados para estudar no Japão (90.000), EUA (75.000), Austrália (40.000) e em outros lugares. Alguns encontraram o Senhor.
f) As cidades. Algumas cidades no sudeste e centro do país têm muitos cristãos, mas as grandes cidades chinesas de Beijing, Tianjin, Taiwan, Lanzhou e Shenyang têm menos crentes e a fiscalização de suas atividades é mais marcante. Somente nessas cidades vivem 30 milhões de pessoas.
g) As províncias menos evangelizadas predominantemente no norte e oeste. Aquelas com, possivelmente, menos do que 1% de cristãos são Shanxi, Gansu e Jiangxi. Outras com menos de 3% de cristãos são Qingilai, Hebei, Jitin, Lisoning, Hubei e Hunan. Ore para haja um derramar do Espírito sobre esses chineses menos alcançados, e ore pelos evangelistas trabalhando nessas províncias.

2. Regiões autônomas. Essas foram estabelecidas para cinco das mais populosas minorias étnicas, os zhuang, uygur, tibetanos, mongóis e os hui, e são as áreas menos evangelizadas da China. A imigração maciça dos chineses han deixou somente o Tibete com uma clara maioria nativa.
a) Tibete (Xizang Zizhiqu). População 2.200.000. Tibetanos 2.100.000. O Tibete perdeu sua independência temporária como um estado teocrático budista em 1950 quando a China invadiu o país. Os comunistas têm sistematicamente procurado destruir a cultura, religião e identidade étnica do povo tibetano. A resistência aos ocupantes tem resultado em freqüente revoltas e inquietação. Mais de um milhão de pessoas podem ter perdido a vida e mais 100.000 pode ter sido forçadas a irem para o exílio incluindo o líder espiritual e político dos tibetanos, o Dalai Lama.

Os tibetanos resistem a muito tempo qualquer tentativa de levar o evangelho a eles. Ore para que os sofrimentos presentes sejam o meio que tem para Deus quebrar o cativeiro demoníaco do budismo lamaísta. Não existem mais do que uns poucos crentes no próprio Tibete e nenhuma congregação conhecida.

A sensibilidade política e tensões no Tibete fazem a entrada e viagens difíceis tanto para chineses como para estrangeiros cristãos que desejam testemunhar ali. Ore pela abertura de portas e liberdade para proclamar o evangelho.

Os 2.400.000 tibetanos vivendo nas províncias vizinhas de Qinghai, Sichuan e Gansu são mais acessíveis ao testemunho cristão, mas somente uns poucos obreiros estão concentrando esforços para alcançá-los. Outros grupos étnicos na área são mais receptivos. Ore pela eficaz implantação de igrejas tibetanas.

Os 450.000 tibetanos que estão no exílio. Nacionalismo, forte lealdade ao budismo, e a cuidadosa proteção dada aos tibetanos pelas autoridades budistas de qualquer testemunho cristão, tornam-os difíceis de serem alcançados. Existem umas poucas congregações entre os tibetanos na Índia e uma crescente receptividade no Nepal.

b) Xinjiang, Uygur, ZizhIqu (Sinkiang): a vasta região central asiática de desertos, montanhas e oásis, população 15.155.000 dos quais os nove povos muçulmanos constituem 60% (Uygur, kazakh, hui, kirghiz, Uzbek, tajik e outros); chineses 39%; mongóis 1%. Tem havido um crescente nível de agitação pela independência desde o colapso da URSS em 1990 e um ressurgimento considerável do islamismo avivado, inspirado pelos iranianos com a construção de muitas novas mesquitas. A proximidade de grupos étnicos relacionados nas cinco repúblicas muçulmanas da Ásia Central na antiga URSS estimula ainda mais o fervor nacionalista.

Havia antigamente crentes e algumas igrejas entre os uygur na década de 30, mas pela violência e perseguição as igrejas foram destruídas e os crentes mortos ou espalhados. Existem agora somente um punhado de crentes entre os uygur. Ore pela conclusão e distribuição do Novo Testamento e também pela disseminação do filme Jesus em uygur.

Os muculmanos dongxiang, salar, bonan, kazakh, kirgiz, tagik, usbek e tatar tanto em Xhijiang como nas províncias adjacentes de Qinghai e Gansu ainda não foram alcançados. Estão sem igrejas e há muito pouco testemunho cristão de longo prazo.

Os 150.000 cristãos em Xinjiang, quase todos chineses han, são culturalmente isolados da população nativa. Ore para que eles tenham uma visão e entendimento para testemunhar aos muçulmanos. A maioria vive na capital, Urumqi. Existem somente cerca de 30-40 cristãos conhecidos entre os não chineses; seu número está crescendo, mas eles são submetidos a altas pressões pelos muçulmanos a voltarem ao islamismo.

MINISTÉRIOS ESPECIAIS

O rápido crescimento da igreja e seu influência no movimento democrático tem agravado o confronto ideológico desde 1989. O partido comunista e os velhos que o dirigem sentem-se ameaçados pela poderosa atração do cristianismo. A influência de visitantes estrangeiros, estudantes, técnicos, e o penetrante impacto de programas radiofônicos cristãos, vídeos, literatura e Bíblias se vêem como decisivos nessa atração. A oposição e vigilância contra toda atividade conduzida por estrangeiros tem aumentado desde 1989. Ore para que o desejo econômico supere receios ideológicos e mantenha a porta aberta para os cristãos.

1. Missionários como tais não são bem-vindos na China. No entanto, o desejo da China de melhorar seus relações comerciais com o mundo possibilita a entrada de muitos cristãos chineses e estrangeiros como:
a) Turistas. Mais de 30 milhões visitaram a China em 1988. Muitos cristãos estavam entre estes. Ore pelo seu ministério de trazer literatura, conforto, ajuda, e em alguns casos, ensino. Ore também por sua segurança e a de sua bagagem, por tato e sabedoria nos contatos e direção nas viagens.
b) Estudantes. Para estudo da língua e cultura em várias universidades. Em 1991 haviam 10.000 de 120 países. As condições de vida são sempre espartanas e amizade sem restrições com os chineses é difícil de manter. Ore para que os cristãos entre eles sejam usados por Deus para compartilhar Cristo com aqueles que estão verdadeiramente buscando o Senhor.
c) Técnicos estrangeiros e homens de negócios. A China almeja recrutar 30.000 técnicos anualmente para ensinar inglês, japonês e alemão bem como outras matérias, e também para aprimorar a tecnologia e indústria do país. Ore para que muitos sejam cristãos radiantes capazes de comunicar sua fé enquanto trabalham.
d) Familiares chineses que visitam as casas de seus ancestrais. Estes têm entrado na China aos milhões. Às vezes os cristãos entre eles têm visto resultados surpreendentes quando estão com os parentes.

2. A provisão de Bíblias é totalmente inadequada, apesar do grande aumento no número de exemplares a disposição. A fome pelas Escrituras é mais aguda nas províncias longe dos portos de entrada e para as igrejas nas casas. Relata-se que em algumas regiões existem 1.000 ou mais crentes para uma Bíblia. A Amity Foundation, fundada em 1988 e patrocinada pelo MPAT e a UBS, estabeleceu uma grande operação de impressão na China, e mais de 7 milhões de Bíblias e Novos Testamentos foram impressos desde 1981, quase todos destinados às congregações da MPAT. Estima-se que mais 7 milhões de Bíblias e Novos Testamentos tenham sido trazidos pelos visitantes. Ore para que esse fluxo aumente e que cada cristão tenha acesso a uma cópia da Palavra de Deus. A importação de Bíblias não é ilegal mas evitada por razões ideológicas.

3. Vídeo e fitas de áudio. O aumento na disponibilidade de toca fitas está fazendo com que as fitas sobre as Escrituras, música, evangelismo e de ensino, produzidas no exterior, sejam um meio útil para disseminar a Verdade. Ore por todos envolvidos na preparação e distribuição dessas fitas.
a) O filme Jesus está sendo visto amplamente nos vídeos nas casas em 12 línguas diferentes (8 dialetos chineses e mongól, uygur e zhuailg). Estão planejadas outras edições em mais 14 línguas. Ore para que o filme receba reconhecimento oficial para exibição pública.
b) As fitas de ensino que tratam da devastação moral e ética deixada pelo pensamento marxista e fornecem ensino bíblico sólido são uma grande necessidade para ajudar muitos intelectuais que estão chegando à fé. Ore pela produção de material de leitura e fitas para suprir essa necessidade.

4. Literatura cristã. Existe uma demanda insaciável por hinários, estudos bíblicos, materiais de ensino, biografias, folhetos, materiais apologéticos para explicar o evangelho para estudantes e intelectuais. Existem agora mais de 40 títulos disponíveis (Comunicações Cristãs Ltda, OMF). Ore por todos os aspectos de publicação, entrada na China e distribuição. Muitas missões estão envolvidas nesse ministério incluindo a AO, CCL, OD e corpos denominacionais. Ore para que muito mais escritores com experiência de vida na China apareçam. Ore por sabedoria na seleção de materiais para impressão.

5. O rádio cristão tem sido e ainda um dos mais potentes meios de pré-evangelismo e ensino cristão para a China hoje. Quase toda casa hoje tem um rádio e uma TV. Cerca de 678 horas de transmissões semanais estão entrando na China em cinco dialetos chineses (515 horas só em putunghua!) e akha, zhuang, coreano, lahu, lisu, mongól, miao, shan, tibetano, uygur e wa. Ore especialmente pela ampla transmissão orientada para a China da FEBC (Manila, Saipan, Coréia e Rússia), e TWR (Guam). Existem muitos produtores maiores de programas tais como AO, OMF, Seminário CCRC do Ar e CMA. Ore por sabedoria na seleção de programas e preparação para que a mensagem vá ao encontro das reais necessidades do povo. Mais de 50.000 cartas foram recebidas de ouvintes entre 1979 e 1984, e o volume continua a crescer. Ore pelos ouvintes e por aqueles que procuram ajudá-los. As autoridades têm multado os crentes e confiscado rádios em algumas regiões pelo fato de escutarem essas transmissões.


 

Sempre quando lemos, falamos ou escrevemos algo sobre a China nossas percepções devem ser ajustadas, pois todos os dados relacionados ao país constituem de números gigantescos. Sua cultura e civilização remontam milhares de anos. O vasto território chinês possui 9.571.300 quilômetros quadrados; é o terceiro maior no mundo, depois da Rússia e Canadá. Sua população é a maior do mundo, com mais de um 1 bilhão de habitantes.
O Himalaia ao longo da fronteira sudoeste da China com a Índia correspondem as montanhas mais altas do mundo. O maior rio de China, o Yangtze, é quarto maior do mundo. O Deserto de Taklimakan, em Xinjiang é um das áreas mais secas da Terra.
A China tem uma grande riqueza de mineral e recursos naturais. Reservas de carvão, petróleo, minério férreo, tungstênio, bauxita, cobre, pedra calcária, e muitos outros minerais usados pela indústria moderna são abundantes. Todos esses recursos vem fazendo com que a China adquira um desenvolvimento sólido e um crescimento industrial bastante rápido.

O país localiza-se no Extremo Oriente asiático. Limita-se ao norte com a República da Mongólia e com a Rússia; a noroeste com a Rússia e a Coréia do Norte; a leste com o mar Amarelo e o estreito de Formosa; ao sul com o mar da China Meridional, o Vietnam, o Laos, a Myanma, a Índia, o Butão e o Nepal, a oeste com o Paquistão e o Tadjiquistão e a noroeste com o Quirguistão e o Cazaquistão. Conta com mais de 3.400 ilhas costeiras, sendo Hainan a maior delas. A superfície é de 9.571.300 km2, sem contar a China Nacionalista, conhecida oficialmente como República da China. A maior cidade é Xangai e a capital é Pequim, ou melhor, Beijing.

Esclarecendo: a partir de 1979, os nomes chineses passaram a ter uma nova grafia no alfabeto ocidental. Mao Tse Tung virou Mao Ze Dong, Chou En-Lai virou Zhou Enlai e Pequim, Beijing. Em alguns lugares, a reforma não pegou. No Brasil, até hoje mesmo o Itamaraty chama Pequim de Beijing. Certos nomes não são usados em nenhum lugar: China continua sendo China, e não Zhongguo, e Xianggang é Hong Kong mesmo.

Mais de uma quinta parte da população mundial vive dentro de suas fronteiras. A ascensão do governo comunista, em 1949, é um dos fatos mais importantes de sua história. Desde a década de 70, saiu de seu isolamento em relação à comunidade internacional e procurou modernizar sua estrutura econômica.

Território

Compreende grande diversidade de paisagens. Em termos gerais, os pontos mais altos da China encontram-se no oeste, onde se acham algumas das cadeias montanhosas mais elevadas do mundo. Três delas, Tien Shan, Kunlun e Tsinling, datam da era paleozóica. A quarta, o Himalaia, formou-se durante a época oligocena. No período quaternário, a atividade tectônica manifestou-se sob a forma de devastadores terremotos.

A China pode ser dividida em seis grandes regiões geográficas, cada uma delas dotada de considerável diversidade geomorfológica e topográfica. O noroeste é constituído de duas bacias, a de Dzungaria (Junggar Pendi) no norte e a de Tarim, no sul, com o deserto de Takla Makan (Taklimakan Shamo) e o monte Tien Shan. As zonas fronteiriças mongólicas, situadas na parte centro setentrional, são uma região de mesetas, formada sobretudo por desertos que em direção ao norte se transformam em estepes. O nordeste compreende toda a Manchúria, a leste do Grande Xhingan. O norte da China, situado entre as zonas fronteiriças mongólicas ao norte e a bacia do rio Yangshan ao sul, é formado por várias unidades de relevo distintas: a meseta do noroeste, a planície norte, as terras altas de Shandong e as montanhas centrais. A quinta região, o sul da China, é formada pelo vale do Yangshan e por outras zonas como a depressão do Sichuan, as terras altas do sul, a meseta de Yunnan-Guizhou, a depressão Chihchiang e a planície deltaica do Zhoushan (rio da Pérola), conhecida comumente como delta de Cantão. Finalmente, a meseta tibetana é a mais elevada do mundo, com altura média de 4.510 m. As cadeias montanhosas que a rodeiam são o Himalaia ao sul, Pamir e Karakoram a oeste, e o Kunlun Shan e o Qilian Shan ao norte. Constitui a nascente do Indo, do Ganges, do Brahmaputra, do Mekong e do Huang.

O maior rio é o Amur (Heilong Jiang). O principal rio do norte é o Huang. Os trechos retos inferiores do Chihchiang são o sistema fluvial mais ismportante do sul.

Prevalece o clima temperado; também há regiões desérticas e semi-áridas no interior ocidental e uma pequena área de clima tropical no sudeste. Por conta de sua altitude, a meseta tibetana possui clima de montanha. A monção exerce o controle primário sobre o clima.

População e governo

A população é aproximadamente 93% de etnia chinesa ou han. Os chineses pertencem ao grupo mongolóide. Mais de 70 milhões de pessoas compõem as 56 minorias nacionais. A maior parte desses grupos distingue-se dos chineses pelo idioma ou pela religião, mais do que por suas características étnicas. As principais minorias são os zhuang, relacionados con os tai (14,6 milhões), os hui ou chineses muçulmanos (7,9 milhões), os uigur de idioma turco (6,5 milhões), os aborígenes miao (5,5 milhões) e os mongóis (3,7 milhões).

Tem uma população (1993) de 1.177.584.537 habitantes, com uma densidade de 123 hab/km2, embora a distribuição geográfica seja muito desigual. A migração espontânea do campo para as cidades foi proibida desde meados da década de 50 até 1978.

Em 1991, havia 40 cidades com mais de um milhão de habitantes. As principais são: Xangai (segundo estimativas para 1992), 7.860.000 habitantes, Beijing (1992), 7.000.000 habitantes, Tianjin (5.090.000 habitantes), Shenyang (4.540.000 habitantes), Wuhan (3.750.000 habitantes) e Cantão (3.580.000 habitantes), estas últimas de acordo com estimativas para 1991.

O idioma oficial é o putonghua (fala corrente), conhecido pelos ocidentais como mandarim. Os mais de 70 milhões de membros das minorias têm seus próprios idiomas falados, entre os quais se encontram o mongol, o tibetano, o miao, o tai, o uigur e o kazako. O dialeto mandarim é o que se ensina nas escolas, geralmente como segundo idioma.

Desde 1949, foi eliminada oficialmente a religião. Antes, as religiões dominantes eram o confucionismo, o taoísmo e o budismo.

Pela Constituição de 1982, a China é uma ditadura do proletariado, liderada pelo Partido Comunista. Na prática, o Partido Comunista conduz a atividade política nacional. O presidente é eleito pelo Congresso Nacional Popular, embora o cargo seja principalmente honorário. Os poderes executivos residem no Conselho de Estado, comandadodo pelo primeiro ministro. Os cargos de maior autoridade no governo são os de primeiro ministro e secretário geral do Partido Comunista. O Congresso Nacional Popular é o órgão máximo do poder estatal.

Economia

Após a instauração do comunismo, no primeiro plano quinquenal (1953-1957), 92% da população agrícola era organizada em pequenas cooperativas. O segundo plano quinquenal foi introduzido em 1958 e o regime se encaminhou para seu ‘grande salto adiante’, que se caracterizou pelos grandes investimentos na indústria pesada. O terceiro plano quinquenal começou em 1966, mas tanto a produção agrícola como a industrial haviam sido restringidas pelos efeitos da Revolução Cultural. Um quinto programa começou em 1976, mas foi interrompido em 1978, quando foi lançado o programa das ‘quatro modernizações’: agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia.

O produto nacional bruto (1992) é de aproximadamente 434.000 milhões de dólares, perto de 370 dólares per capita.

A agricultura era, e continua sendo, o setor mais importante da economia. A superfície irrigada é maior do que a de qualquer outro país. Em torno de 1979, a população rural havia se organizado em perto de 52.000 comunas populares. No início da década de 80, o sistema de comunas e as brigadas de produção se desmantelaram e as famílias se transformaram na principal unidade de produção agrícola. Cerca de 80% das áreas semeadas referem-se a cultivos de produtos alimentícios. O mais importante é o arroz, seguido do trigo. As sementes oleaginosas (principalmente a soja) têm papel destacado, por proporcionar óleos comestíveis e industriais e parte importante das exportações. É um dos principais produtores mundiais de amendoim. O chá é outro cultivo comercial tradicional, concorrendo com mais de 20% do abastecimento mundial. Possui, além disso, grandes rebanhos de gado. A piscicultura de água doce é importante e o governo estimulou o desenvolvimento de áreas de pesca.

A indústria siderúrgica do aço recebeu tratamento prioritário desde 1949. Entre as indústrias pesadas, destacam-se os estaleiros e as destinadas à fabricação de locomotivas, material rodante, tratores e maquinaria. Também é importante a indústria petroquímica e a indústria têxtil é a maior do mundo.

Possui ricos recursos minerais. A industria da mineração de carvão é a maior do mundo e é um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Também se extraem em quantidades importantes minério de ferro, sal, magnesita, fosfatos, bauxita, enxofre e zinco, entre outros.

A unidade monetária é o luan.

História

Diz a tradição que os Hia (1994-1766 a.C.) foram a primeira dinastia chinesa hereditária, embora a primeira de que se tenha evidências históricas seja a Chang.

A dinastia Chang (1766-1027 a.C.) governou no centro e no norte da atual China. A capital era situada em Anyang, perto da fronteira norte. A economia era baseada na agricultura; praticavam a metalurgia e o artesanato. A sociedade era aristocrática; à frente, sobressaía-se o rei, que presidia uma nobreza militar. Adoravam seus antepassados e uma profusão de deuses. O último monarca Chang foi expulso por um dirigente Tcheu de um estado no vale do rio Wei.

Durante a dinastia Tcheu (1122-256 a.C.), a civilização chinesa foi-se estendendo gradualmente em direção ao norte. A grande expansão do território tornou impossível o controle direto e a responsabilidade foi delegada a delegados, cada um deles encarregado de governar uma cidade murada e seu entorno, com hierarquia feudal. Com o tempo, esses estados dependentes foram-se tornando cada vez mais autônomos.

A sociedade Tcheu era organizada em torno da produção agrícola. Os reis Tcheu mantiveram um controle efetivo sobre seus domínios até que, em 770  a.C., alguns estados se rebelaram e junto com invasores nômades do norte expulsaram os Tcheu de sua capital. Posteriormente, os Tcheu fundaram nova capital, em direção ao leste, em Luoyang. Do século VIII ao III a.C., ocorreram um rápido crescimento econômico e uma profunda mudança social, num contexto de instabilidade política extrema e um estado de guerra quase incessante.

Os estados situados nas fronteiras exteriores da zona cultural chinesa expandiram-se à custa de seus vizinhos não chineses, menos avançados. Durante os séculos VII e VI  a.C., houve breves períodos de estabilidade, decorrentes da organização de alianças entre os poderosos estados periféricos, sob a hegemonia do membro mais forte. No entanto, por volta do século V a.C., o sistema de alianças era insustentável e a China dos Tcheu caminhou para o chamado período dos Reinos Combatentes (481-221 a.C.), caracterizado pela anarquia.

A resposta intelectual à extrema instabilidade e insegurança política produziu as fórmulas filosóficas que moldaram o crescimento do Estado e da civilização chineses durante os dois milênios seguintes. O mais antigo e mais influente filósofo do período foi Kongfuci, o Confúcio. As doutrinas do taoísmo, a segunda grande escola filosófica existente nesse período, são atribuídas à figura semi-histórica de Lao-Tse e aos trabalhos de Tchuang-Tse.

Uma terceira escola de pensamento que floresceu nesse período e exerceu influência duradoura sobre a civilização chinesa foi o legalismo, que pregava o estabelecimento de uma ordem social baseada em leis estritas e impessoais. Para reforçar esse sistema, batia-se pelo estabelecimento de um Estado no qual o soberano tivesse autoridade incontestável. Os legalistas pregavam a socialização do capital, o estabelecimento do monopólio governamental e outras medidas econômicas para enriquecer o Estado, reforçar seu poder militar e centralizar o controle administrativo.

Durante o século IV a.C., o reino de Qin, um dos estados periféricos emergentes do noroeste, dedicou-se a um programa de reformas, seguindo as doutrinas legalistas. Ao mesmo tempo, o poder dos Tcheu entrou em colapso em 256 a.C.

O rei de Qin se autoproclammou primeiro imperador da dinastia Qin (221-206 a.C.). O nome China deriva dessa dinastia. O imperador unificou os estados feudais em um império administrativamente centralizado e culturalmente unificado. Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus territórios foram divididos em províncias governadas por burocratas nomeados pelo imperador. A capital de Qin transformou-se na primeira sede da China imperial. O primeiro imperador estendeu as fronteiras exteriores: no, sul até o delta do rio Vermelho; no sudoeste, dominou as atuais províncias de Yunnan, Guizhou y Sichuan; no noroeste, chegou a Lanzhou, na atual província de Gansu, e, no nordeste, a um setor do que hoje é a Coréia. A dinastia Qin concluiu a Grande Muralha chinesa.

O peso crescente dos impostos, o serviço militar e os trabalhos forçados criaram profundo ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares, enquanto as classes intelectuais estavam ofendidas pela política governamental de controle do pensamento. Após uma luta pelo poder que mutilou a administração central, o povo levantou-se em rebelião.

Liu Bang autoproclamou-se imperador em 206 a.C. A dinastia Han (206 a.C.-9 d.C.), fundada por ele, seria a mais duradoura da era imperial. Os Han constituíram-se sobre a base unificada dos Qin, modificando a política que havia provocado sua derrocada. Uma das contribuições mais importantes desta dinastia foi o estabelecimento do confucionismo como ideologia oficial; no entanto, os Han incorporaram ao confucionismo idéias de muitas outras escolas filosóficas, além de superstições.

Os primitivos Han alcançaram o auge de seu poder sob o imperador Wu (reinou de 140 a.C. a 87 a.C). A autoridade chinesa estabeleceu-se ao sul da Manchúria e ao norte da Coréia; no oeste, penetraram no atual território do Cazaquistão; no sul, a ilha de Hainan passou ao controle Han e colônias foram fundadas ao redor do delta Chihchiang, em Anam e na Coréia.

As políticas expansionistas consumiram os excedentes econômicos e os impostos foram aumentados, reaparecendo os monopólios estatais. As dissensões e a incompetência debilitaram o governo imperial. As sublevações no campo refletiram o descontentamento popular.

Durante este período de desordens, Wang Mang estabeleceu-se no poder, fundando a efêmera dinastia Qin (9-23 d.C.). Nacionalizaram toda a terra e a redistribuíram entre os agricultores, aboliu-se a escravatura e reforçaram-se os monopólios imperais sobre o sal, o ferro e a moeda. A resistência das poderosas classes proprietárias de terra foi tão dura que fez revogar a legislação sobre a terra. A crise agrária intensificou-se e a situação se deteriorou. No norte, eclodiu uma rebelião camponesa e as grandes famílias proprietárias de terra uniram-se a eles, reinstaurando a dinastia Han.

A debilidade administrativa e a ineficácia dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220). Entre 168 e 170, surgiu o conflito entre os eunucos e os burocratas e aconteceram duas grandes rebeliões, lideradas por grupos taoístas, em 184 e 215. A dinastia Han começou a se dividir quando as grandes famílias latifundiárias criaram seus próprios exércitos privados. Em 220, Cao Pei fundou a dinastia e reino Wei (220-265), nas províncias do norte. A dinastia Shu Han (221-263) firmou-se no sudoeste e a dinastia Wu (222-280) no sudeste. Os três reinos sustentaram incessantes guerras entre si. Em 265, Sima Yang usurpou o trono e estabeleceu a dinastia dos Ts'ins (265-317) no norte. Em torno de 280, havia reunificado o norte e o sul sob seu mandato. No entanto, pouco depois de sua morte, em 290, o Império começou a ruir.

As tribos não chinesas do norte aproveitaram a debilidade do governo para estender-se pelo norte. As invasões começaram em 304 e, até mais ou menos 317, os hiong-nus haviam arrebatado à dinastia dos Ts'ins o norte da China. Durante quase três séculos este território foi governado por várias dinastias não chinesas, enquanto no sul o mesmo era feito por uma sucessão de quatro dinastias chinesas. Nenhuma das dinastias invasoras foi capaz de estender seu controle sobre a totalidade da planície do norte até 420, quando o feito coube à dinastia Bei Wei (o Bei do Norte, 386-534).

A China foi reunificada sob a dinastia Suei (581-618), que restabeleceu o sistema administrativo centralizado. Embora o confucionismo tivesse sido instaurado oficialmente, também o taoísmo e o budismo foram admitidos na nova ideologia imperial, ao mesmo tempo em que floresceu o budismo. A dinastia Suei caiu em 617, diante da revolta liderada por Li Yuan.

Fundada por Li Yuan, a dinastia Tang (618-907) mostrou-se uma época de força e brilhantismo na história da civilização chinesa. Criaram uma administração centralizada e foi decretado um elaborado código de leis administrativas e penais. Sob os Tang, a influência chinesa estendeu-se sobre a Coréia, o sul da Manchúria, o norte do Vietnam e o que é hoje o Afeganistão.

A força econômica e militar do Império Tang baseava-se num sistema de distribuição eqüitativa da terra para a população adulta masculina. Como resultado do crescimento demográfico, por volta do século VIII, os pequenos proprietários herdavam propriedades ainda menores, mas o valor do imposto se mantinha, o que motivava os camponeses a abandonar suas terras, reduzindo a receita do Estado.

O general An Lushan, em sua luta pelo controle do governo, precipitou uma revolta em 755. Após a rebelião, o governo central nunca mais foi capaz de controlar os comandantes militares das fronteiras, que transformaram seus cargos em reinos hereditários e retiveram os impostos do governo central. Esta situação se ampliou a outras regiões e, por volta do século IX, a zona que se encontrava sob o controle efetivo do governo central limitava-se à província de Chan-Si.

A decadência do budismo e a reaparição do confucionismo no final da era Tang deram lugar a uma nova e vigorosa ideologia, que proporcionou a base para uma civilização perdurável nos séculos seguintes.

À dispersão do poder político e econômico que marcou a dissolução da dinastia Tang sucedeu o chamado período das Cinco Dinastias (907-960) no norte, enquanto dez estados independentes se estabeleciam no sul.

O período das Cinco Dinastias terminou em 960, quando um chefe militar, Zhao Guangyin, proclamou o estabelecimento da dinastia Song. Por volta de 978, os Song controlavam a maior parte da China. Costuma-se dividir o período em etapa dos Song do norte (960-1126) e etapa dos Song do sul (1127-1279).

Os Song do norte limitaram em grande parte o poder dos militares das províncias e, subordinando o exército ao poder civil, reorganizaram o governo imperial, centralizando o controle efetivo na capital. No entanto, a debilidade militar transformou-se em problema crônico.

Por volta de 1050, quando se deteriorava a situação militar e fiscal, a burocracia civil estava dividida em grupos que propunham diferentes medidas reformistas. Os Song se aliaram, no começo de 1120, à dinastia Kin (1122-1234) do norte da Manchúria, em oposição aos Liao, que se voltaram contra os Song e marcharam em direção ao norte. Os Song se retiraram e em 1135 reestabeleceram sua capital em Hangzhou, na província de Zhenjiang.

Conduzida pelos Song do sul, a China meridional continuou a desenvolver-se com rapidez. A dinastia foi dominada por uma força militar dos mongóis, que, sob o comando de Gengis Khan, iniciaram uma série de conquistas que resultaram na formação do maior império conhecido até então. Gêngis Khan conquistou Beijing em 1215 e ampliou seu poder sobre o restante do norte da China.

Kubilay Kan, neto de Gêngis Khan, transferiu a capital mongol para perto de Beijing, de onde governou um império que se estendia da Europa oriental até a Coréia e do norte da Sibéria ao sul da fronteira setentrional da Índia. Governaram como imperadores com o título dinástico de Yuan (1279-1368). Nesta época, chegou o mercador veneziano Marco Polo.

Havia, porém, crescente descontentamento. Durante a década de 1340, espocaram levantes em quase todas as províncias. Na década de 1360, Tchu Yuan-tchang estendeu seu poder através do vale doYangshan; em 1371, tomou Beijing e os mongóis se retiraram para o território da Mongólia, de onde continuaram a provocar os chineses.

Fundada por Tchu, a dinastia Ming (1368-1644) revitalizou a civilização dos Tang e dos Song. Seu poder se consolidou de maneira firme ao longo da Ásia oriental. Restabeleceu-se o governo civil e o império se dividiu em 15 províncias.

Os primeiros Ming restabeleceram o sistema de relações tributárias, mediante as quais os estados não chineses da Ásia oriental reconheceram sua supremacia cultural e moral, enviando tributos. A capital voltou a Beijing. O poder se estendeu por todo o sudeste da Ásia, a Índia e Madagascar. No entanto, a partir de meados do século XV, o poder Ming começou a declinar.

Durante o período de decadência dos Ming, iniciaram-se as relações marítimas com a Europa. Os primeiros a chegar foram os portugueses, em 1521. Em 1570, começou o comércio com os assentamentos espanhóis nas Filipinas. Em 1619, os holandeses estabeleceram-se em Taiwan e tomaram posse das ilhas dos Pescadores.

A queda dos Ming foi provocada por uma rebelião que explodiu na província de Changzhi,como resultado da incapacidade governamental de proporcionar ajuda em momentos de fome e desemprego. Os Ming aceitaram a ajuda manchu para expulsar os rebeldes da capital e os manchus negaram-se a abandonar Beijing, o que forçou os Ming a retirar-se para o sul da China.

Sob a dinastia Qing (1644-1912), os manchus continuaram absorvendo a cultura da China. Sua organização política se baseava na dos Ming, ainda que estivesse mais centralizada; o organismo administrativo máximo foi o Grande Conselho.

Em meados do século XVIII, durante o reinado do imperador Qianlong, a dinastia Qing chegou ao apogeu do poder. A Manchúria, a Mongólia, Xinxiang e o Tibete encontravam-se sob seu controle; inclusive no Nepal, percebia-se a influência chinesa. A Coréia e o Vietnam do Norte reconheceram a soberania chinesa e Taiwan foi anexada.

Por volta do final do século XVIII, a situação econômica dos camponeses havia começado a debilitar-se. Os recursos financeiros do governo estavam seriamente reduzidos, devido ao custo da expansão externa e à corrupção. Os manchus aceitaram com reservas as relações comerciais com o Ocidente. Em torno de 1800, o mercado do ópio, introduzido pelos britânicos a partir da Índia, havia se desenvolvido muito rapidamente.

O século XIX foi caracterizado por uma rápida deterioração do sistema imperial e um crescimento contínuo da pressão estrangeira, proveniente do Ocidente e do Japão. As relações comerciais com a Grã-Bretanha ocasionaram o primeiro conflito sério. Os chineses estavam ansiosos por deter o comércio do ópio, mas os britânicos negaram-se a restraingir ainda mais a importação do narcótico.

A primeira guerra do ópio terminou em 1842, com a assinatura do Tratado de Nanquim. Os termos do tratado garantiam à Grã-Bretanha as prioridades comerciais que desejava. Depois da segunda guerra do ópio (1856-1860), firmaram-se novos tratados em Tianjin, que ampliaram as vantagens ocidentais. Quando o governo de Beijing negou-se a ratificá-los, reiniciaram-se as hostilidades. Uma força expedicionária franco-britânica chegou até Beijing. Assinaram-se as Convenções de Beijing, nas quais se ratificavam os termos dos tratados anteriores. De acordo com suas disposições, os portos chineses voltaram a se abrir ao comércio internacional, permitiu-se a instalação de colônias de residentes estrangeiros e cederam-se de forma permanente à Grã-Bretanha os territórios de Hong Kong e Kowloon.

Na década de 1850, os alicerces do império foram sacudidos pela rebelião Taiping, uma revolução popular de origem religiosa, social e econômica; seu líder foi Hong Sieu-ts'iuan. Em 1853, os Taiping haviam se deslocado em direção ao norte e estabelecido sua capital em Nanquim. Em torno de 1860, encontravam-se entrincheirados no vale Yangshan e ameaçavam Xangai.

A dinastia manchu, destruída, tentou reformar sua política para garantir a sobrevivência do Império. De 1860 a 1895, tentativas foram feitas para restaurar o governo, obedecendo a princípios confucianos, com o objetivo de solucionar os problemas internos, sociais e econômicos. Durante as décadas de 1860 e 1870, a rebelião Taiping foi sufocada, restaurou-se a paz interna, estabeleceram-se arsenais e estaleiros e abriram-se várias minas. No entanto, os objetivos de manter um governo confuciano e desenvolver um poder militar moderno eram basicamente incompatíveis; em decorrência disso, os esforços visando ao fortalecimento foram, de 1860 a 1895, inúteis.

Em 1875, o Ocidente e o Japão começaram a desmantelar o sistema chinês de estados tributários, mantido no sudeste da Ásia. A Guerra Franco-Chinesa de 1884 e 1885, colocou Tonquim sob o império colonial francês e. no ano seguinte, a Grã-Bretanha ocupou a Birmânia. Em 1860, a Rússia obteve as províncias marítimas do norte da Manchúria e os territórios ao norte do rio Amur. Em1894, os esforços japoneses para anexar a Coréia provocaram a Guerra Chino-Japonesa e, em 1895, viu-se forçada a reconhecer a perda da Coréia e ceder ao Japão a ilha de Taiwan e a península de Liaodong, no sul da Manchúria.

A Rússia, a França e a Alemanha reagiram de imediato diante da cessão da península de Liaodong, já que isso significava conceder ao Japão posição prioritária da região mais rica da China. Esses três Estados intervieram, reivindicando ao Japão a devolução de Liaodong, em troca de maior indenização econômica. Conseguido seu objetivo, as três potências européias apresentaram novas exigências.

Por volta de 1898, um grupo de ilustres reformadores aplicaram um profundo programa de reformas destinado a transformar a Chian em monarquia constitucional e modernizar sua economia e seu sistema educacional. O programa enfrentou a oposição de oficiais manchus que, com a ajuda de chefes militares leais, detiveram o movimento reformista. Propagou-se por todo o país uma reação violenta que alcançou seu ponto crítico em 1900, com um levante da sociedade secreta dos Boxer. Após uma força expedicionária ocidental ter esmagado a rebelião Boxer em Beijing, o governo manchu adotou seu próprio programa de reformas e fez planos para estabelecer um governo constitucional limitado, de acordo com o modelo japonês.

Durante a primeira década do século XX, os revolucionários atraíram estudantes, comerciantes e grupos nacionais pouco satisfeitos com o governo manchu. Estourou a rebelião em Hangzhou, que se estendeu depois a outras províncias, enquanto Sun Yat-sen assumia o controle da revolta. Os exércitos manchus foram reorganizados pelo general Yuan Che-k'ai, que negociou com os dirigentes rebeldes sua designação como presidente de um novo governo republicano. Em 1912, uma assembléia revolucionária elegeu Yuam primeiro presidente da República da China.

A República manteve frágil existência de 1912 a 1949. Ainda que houvesse sido adotada uma Constituição e estabelecido um Parlamento em 1912, Yuan Che-k'ai nunca permitiu que essas instituições limitassem seu controle pessoal. O governo central manteve até 1927 uma existência precária e quase fictícia.

Durante a I Guerra Mundial, o Japão apresentou à China as "Vinte e uma Demandas", que praticamente transformavam a China em protetorado japonês. A China concordou em transferir as possessões alemãs em Shandong ao Japão. Sua entrada tardia na guerra em 1917 tinha por objetivo participar no tratado de paz que seria alcançado e, então, reexaminar as ambiciosas reivindicações japoneses com a ajuda dos Estados Unidos e conseguir seu apoio. No entanto, o presidente norte-americano Woodrow Wilson retirou o apoio de seu país nas reivindicações de Shandong.

Os chineses, desiludidos diante do cínico interesse dos poderes imperialistas ocidentais, foram-se acercando do pensamento marxista-leninista e da União Soviética. O Partido Comunista Chinês foi fundado em 1921, contando, entre seus primeiros membros, com Mao Tsé-tung. Em 1923, Sun Yat-sen reorganizou o Partido Nacionalista, o Kuomintang, e aceitou o ingresso dos comunistas. O Kuomintang estava sob a direção do general Chiang Kai-shek, que tentava reunificar a China sob o mandato do Kuomintang e liberar o país do imperialismo e da força dos chefes militares provinciais. Em 1928, Chang realizou um expurgo entre os membros comunistas do partido.

O novo governo nacional, estabelecido pelo Kuomintang em 1928, deparou-se com três problemas de grande magnitude: Chang na realidade tinha sob seu controle apenas cinco províncias, pois o resto do país era governado por chefes militares locais; em 1930, aconteceu a rebelião interna dos comunistas, que em 1927 se dividiram em duas facções: uma tentou fomentar os levantes urbanos e a outra, dirigida por Mao Tse-tung, mobilizou os camponeses da China central; o terceiro problema foi a agressão japonesa na Manchúria e no norte da China. Em 1932, os japoneses transformaram as três províncias da Manchúria no novo Estado de Manchukuo e fizeram de Puyi, o último governante da dinastia manchu, o imperador de Manchukuo, que incorporou parte da Mongólia no começo de 1933.

No final de 1934, os comunistas se deslocaram em direção ao norte, na denominada Grande Marcha. Enquanto se intensificava a agressão japonesa, Chang moderou sua postura anticomunista e, em 1937, formou-se uma frente unida do Kuomintang e dos comunistas contra os japoneses.

Em 1937, o Japão e a China começaram uma guerra em grande escala. Por volta de 1938, o Japão controlava a maior parte do nordeste da China, o interior do vale do Yangtzé, até Hangzhou, e a zona ao redor de Cantão, na costa sudeste.

Durante a II Guerra Mundial, o governo do Kuomintang sofreu importante enfraquecimento militar e financeiro, enquanto os comunistas haviam ocupado grande parte do norte da China e se haviam infiltrado em muitas regiões rurais. Aí organizaram os camponeses, para que ingressassem nas fileiras do Partido Comunista e do Exército Vermelho, com o que saíram fortalecidos da II Guerra Mundial.

Em 1945, eclodiu a luta entre os comunistas e as tropas do Kuomintang pelo controle da Manchúria. Em 1947, o Exército de Liberação Popular (comunista) derrotou os nacionalistas na Manchúria e, em 1949, a resistência desmoronou. O governo procurou refúgio na ilha de Taiwan.

Em setembro de 1949, os comunistas reuniram a Conferência Consultiva Popular Política Chinesa, que adotou diretrizes e princípios políticos e uma lei orgânica para governar o país. Mao Tse-tung, nomeado presidente desse organismo, era de fato o chefe do Estado. A República Popular da China foi proclamada em 1º de outubro de 1949.

Em 1953, o controle comunista havia se estabelecido com firmeza. Em 1954, o Congresso Nacional Popular aprovou o rascunho da Constituição que foi enviada ao Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Esta Constituição confirmou a hegemonia do Partido Comunista Chinês e introduziu mudanças destinadas a centralizar o controle do governo.

A política básica do regime comunista foi transformar a China em uma sociedade socialista. Para tanto, utilizaram-se os princípios do marxismo-leninismo e assegurou-se a erradicação das idéias anticomunistas. A primeira ação de governo foi reconstruir a economia, reforçando a coletivização agrícola. A indústria privada passou gradualmente ao controle da propriedade mista estatal. A ajuda econômica e o assessoramento técnico soviético contribuíram em grande parte para o êxito imediato do programa.

Em política exterior, a China e a União Soviética assinaram, em 1950, um tratado de amizade e aliança vários acordos complementares, mediante os quais a União Soviética fez grandes concessões, como a retirada da Manchúria. A China também estreitou relações com seus vizinhos comunistas.

Com sua chegada ao poder, o regime comunista também tentou recuperar os territórios que considerava dentro das fronteiras históricas. Em 1950, as tropas chinesas invadiram o Tibete e o regime jamais renunciou à utilização da força para conquistar Taiwan.

Em 1958, foram impostos controles mais rígidos sobre a economia, para incrementar a produção agrícola, restringir o consumo e acelerar a industrialização; tratava-se de realizar o "grande salto adiante". No entanto, o programa fracassou. A situação piorou em 1960, com a retirada da ajuda econômica e da assessoria técnica soviética. Durante esta década, apenas a Albânia manteve-se como aliado incondicional.

Enquanto os comunistas lutavam por construir a sociedade, apareceram diferenças entre Mao, que favorecia uma ideologia comunista pura, e os intelectuais, profissionais e burocratas, que queriam uma aproximação mais racional e moderada. Em 1957, impuseram-se estritos controles sobre a liberdade de expressão, que puseram fim à denominada "primavera de Pequim".

A cisão entre Mao e os moderados ampliou-se. Em 1959, ele abandonou a presidência da República e foi sucedido pela moderado Liu Shao-chi. O rompimento transformou-se em conflito em 1966, quando Mao e seus seguidores lançaram a Revolução Cultural proletária, para erradicar o que perdurara das idéias e costumes burgueses e para recuperar o zelo revolucionário do primitivo comunismo chinês.

A Revolução Cultural teve efeito adverso sobre as relações exteriores. A propaganda a favor dos guardas vermelhos e a agitação dos chineses residentes no estrangeiro dificultaram as relações com muitos Estados, especialmente com a URSS. Mao emergiu vitorioso da Revolução Cultural e o pensamento radical refletiu-se em uma nova Constituição, adotada pelo IV Congresso Nacional Popular em 1975. O moderado Deng Xiao Ping foi nomeado primeiro vice-primeiro ministro e vice-presidente do partido.

Durante este período, as relações exteriores melhoraram substancialmente, em especial com os Estados Unidos, que em 1971 retirou seu veto à incorporação da República Popular Chinesa às Nações Unidas, após o que foi ela admitida em substituição à República da China (Taiwan). Em 1972, estabeleceram-se relações diplomáticas com o Japão e, em 1979, com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se estreitavam os laços com a Europa Ocidental.

Mao morreu em 1976, deixando um vazio de poder. Os radicais obtiveram sua primeira vitória ao impedir que Deng Xiao Ping fosse eleito primeiro ministro. Como solução de compromisso, Hua Goufeng foi nomeado sucessor de Mao, como presidente do Partido Comunista Chinês. Sob seu governo, impuseram-se políticas moderadas.

Em 1977, Deng foi reinstaurado como substituto do primeiro ministro. O XXI Congresso do Partido Comunista Chinês, celebrado em 1977, foi dominado pelo presidente Huan, o vide-presidente Deng e Ye Jianying.

Deng Xiao Ping foi a figura dominante ao longo da década de 1980 e nos primeiros anos da de 1990. Favoreceu uma política que permitia o desenvolvimento comercial e industrial, atraindo investimentos estrangeiros.

Em 1982, adotou-se uma nova Constituição e uma nova reorganização do Partido Comunista Chinês. A primeira restabeleceu o cargo, em grande parte representativo, de presidente da República (anteriormente presidente de Estado), que em 1968 havia sido abolido por Mao.

Em janeiro de 1987, Zhao Ziang foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. As mudanças de chefia chegaram após uma onda de manifestações estudantis que reclamavam maior democratização e liberdade de expressão. No período de repressão política que se seguiu, Zhao Ziang foi despojado de seus cargos no partido e Jiang Zemin transformou-se em secretário-geral. A VIII reunião do Congresso Nacional Popular, em 1993, elegeu Jiang presidente da China e reelegeu Li Peng chefe de Governo.

Para maiores informações:
Patrick Johnstone, INTERCESSÃO MUNDIAL

Enciclopédia Multimídia Microsoft ENCARTA

Almanaque ABRIL, editora Abril

Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.