SITUAÇÃO MISSIONÁRIA
O Presidente Mao Tsé Tung proclamou a República
Popular da China em 1949, e logo buscou expurgar a sociedade de tudo o
que pudesse lembrar religião, fazendo o povo chinês suportar grande
sofrimento desde então. O Grande Salto Adiante de Mao no final dos anos
50 e a Revolução Cultural nos anos 60 e 70 causou a morte ou o degredo
de milhões dos seus compatriotas. Hoje, com suas políticas de aborto
forçado e esterilização, a China detém os piores recordes de abusos
dos direitos humanos do mundo. Segundo informações, as autoridades
vendem os órgãos de prisioneiros executados para atender à demanda de
transplantes. Seu sistema de “reeducação através de trabalhos forçados”
mantém todos os anos centenas de milhares nos acampamentos de trabalho,
sem nem mesmo direito a julgamento. A política “linha-dura” da
China, apresentada como uma política de repressão a criminosos, é
mais dura com os cristãos e põe na prisão mais cristãos como em
nenhum outro país do mundo. O confisco de propriedades da igreja e Bíblias
continua – até de Bíblias oficialmente impessas pelo governo. Ainda
assim a Igreja cresce: há um calculo de que 3.000 chineses vêm a Cristo
cada dia. O movimento de igreja doméstica na China, que inclui 90 por
cento dos cristãos da China aproximadamente, suporta perseguição
inimaginável, contudo se levanta em seu compromisso para orar o
evangelho não importa o custo.
Na década
de 50 o governo arquitetou a infiltração, subversão e controle de
todo o cristianismo organizado. Em 1958 isto já foi conseguido através
do Movimento Patriótico da Autonomia Tripla (MPAT) entre os
protestantes, e a Associação Católica Patriótica (ACP) entre os católicos.
Durante a revolução cultural até mesmo essas estruturas de fachada
foram banidas, e toda atividade religiosa foi forçada a funcionar na
clandestinidade, dando origem ao movimento de igreja nas casas. Em 1978
as restrições relaxaram e a MPTP e a ACP ressurgiram como um meio do
governo ganhar controle de milhares de igrejas nas cases. Isto foi
parcialmente bem sucedido. O colapso do comunismo na Europa é visto
como motivado pela religião. Assim, controles rígidos são mantidos
sobre as organizações cristãs e muçulmanas e toda atividade não
registrada é reprimida sempre que possível. Todos os números abaixo são
estimativas.
Religiões
chinesas: 27%. Uma mistura de budismo taoismo, confucionismo e
religiões tradicionais.
Budistas:
3%. Budistas tradicionais 24.000.000.
Animistas:
2,4%. Principalmente entre os povos tribais do sul, sudoeste e extremo
norte.
Muçulmanos:
2,4%. Dominantes em Xinjiang e Ningxia. Existem agora 43.000 mesquitas
oficialmente permitidas.
Cristãos:
6,1%. Crescimento: 7,7%.
:: Evangélicos/Protestantes: 5,1 %. Crescimento: 7,1 %.
:: Católicos
Romanos: 0,77%. Crescimento: 10,8%.
MOTIVOS DE LOUVOR
O
crescimento da igreja na China desde 1977 não tem paralelo na história.
Os pesquisadores estimam em 30 a 75 milhões os prováveis cristãos, em
1990. O Bureau de Estatística do Estado da China estimou
confidencialmente em 63 milhões de Cristãos Evangélicos e 12 milhões
de católicos em 1992. Compare esse número com o que foi estimado em
1949: na época as melhores estimativas calculavam um número de
1.812.000 Cristãos Evangélicos e 3.300.000 católicos. A maior parte
desse crescimento está na rede não oficial da comunhão nas casas,
através do trabalho de pregadores itinerantes e numerosos movimentos de
reavivamento local. Louve a Deus por:
a)
Os 140 anos de semeadura sacrificial por milhares de missionários. Numa
certa época houve 8.500 missionários evangélicos, sendo que 1.000
estavam com a CIM (OMF). Seu trabalho não foi em vão! No entanto,
pareceu ser mais sábio ao Senhor removê-los antes da colheita para que
somente Ele tivesse a glória!
b)
Os milhões de intercessores que batalharam em oração pela vitória tão
demorada. A oração foi mudando a China
c)
A evidente falência do Comunismo. Erros colossais e mudanças na política
do Partido por mais de 35 anos desiludiram o povo. A queda dos lideres
do culto à personalidade e o não cumprimento das promessas para um
futuro melhor criaram um vácuo que somente o evangelho pode encher. A
igreja do Senhor Jesus é maior do que o Partido Comunista da China. Mao
Zedong involuntariamente tornou-se o maior evangelista da história. O
nepotismo, a corrupção e o partidarismo do atual Partido Comunista
tornaram-se repugnantes para a maioria.
d)
Os cristãos que permaneceram firmes no que foi provavelmente a perseguição
mais dura e generalizada que a igreja jamais experimentou. A perseguição
purificou e nacionalizou a igreja e a tem fortificado para os recentes
esforços para enfraquecê-la e destruí-la. Na década de 60, a cidade
de Wenzhou em Zhejiang foi selecionada como modelo para a campanba de
renúncia a religião; hoje ela é a cidade mais cristã da China e onde
os cristãos, oficialmente, são 300.000.
e)
A busca pela Verdade entre os educados. Os tanques da Praça Tiananmen
esmagaram a confiança idólatra na democracia como sua solução para
os jovens, e isso levou um grande número deles à fé em Cristo desde
1989. As velhas religiões da China não os atraíram, mas as afirmações
de Cristo sim. Até então o crescimento tinha sido entre os pobres e as
populações rurais; agora todos os níveis da sociedade têm sido
afetados.
f)
As ondas de reavivamento que se seguem a cada desastre natural ou
induzido pelo homem. O amor e testemunho dos cristãos e o poder do Espírito
Santo manifestados através de milagres, curas e exorcismo têm cumprido
seu papel.
g)
Os frutos da rádio cristã e a notável fé daqueles que têm
transmitido para a China durante anos com pouca evidência visível de
uma resposta.
MOTIVOS DE ORAÇÃO
As
barreiras ao evangelho foram quebradas pelo sofrimento e aflição das
guerras e revoluções deste século. Os grilhões das velhas religiões,
do idó1atra taoísmo, budismo e confucionismo filosófico foram
quebrados, e a estrangeirice do cristianismo foi dissipada. Agora é
tempo de colheita. Ore para que todo o país seja evangelizado. Mais de
80% da população tem conhecido somente o comunismo, assim a maioria não
tem fé alguma. Possivelmente 500 milhões de chineses, especialmente
nas remotas províncias e minorias étnicas, nunca ouviram do evangelho.
As 500 milhões de crianças chinesas e jovens abaixo de 18 são
oficialmente proibidos de serem expostos ao evangelho.
O
controle populacional através de leis severas e desrespeito pelos
direitos humanos, vida familiar e absolutos morais tem tido conseqüências
sociais trágicas com divórcios generalizados, abortos forçados em
escala maciça, infanticídio feminino , violência e suicídio . Ore
para que sejam levantados líderes na China que governem com justiça.
Ore pelas famílias cristãs para que sejam luz e exemplo para os que os
rodeiam. Ore especialmente para que os filhos dos crentes sigam os
passos de seus pais, apesar da zombaria, discriminação e o bombardeiro
constante da propaganda ateísta.
Os
chineses no exterior são no mínimo 56 milhões. Destes, 28 milhões
vivem em quatro territórios e estados de maioria chinesa: Taiwan, Hong
Kong, Macao e Singapura. Os outros 28 milhões vivem em mais de 100 nações
do mundo. Mundialmente tem havido uma volta à Deus entre os chineses
com igrejas de destaque e freqüentemente ricas plantadas dentro dessas
comunidades chinesas. Seu interesse e preocupação pelo bem estar
espiritual da China têm tido um impacto significante no evangelismo,
implantação de igrejas, provisão de ajuda e literatura cristã. Ore
pelo crescimento das igrejas chinesas no exterior, seu expansão para as
comunidades chinesas não alcançadas pelo mundo e o desenvolvimento de
ministérios correlatos na China.
A
IGREJA NA CHINA
1.
O MPAT foi reconstituído pelo governo depois de 13 anos de
esquecimento. A finalidade era desvirtuar a iniciativa do movimento
igreja nas casas e para o governo ter o controle da igreja: a quantidade
de interferência política tem variado muito de distrito para distrito.
Todas as formas de atrativo para estender o controle sobre a igreja nas
casas têm sido usadas, incluindo coerção, opressão militar, ameaças
e promessas, mas com resultados limitados. Em 1991 haviam mais de 7.000
igrejas ligadas ao MPAT. Ore por:
a)
Lideres que têm se acomodado e estão mais preocupados em implementar
as políticas do governo do que obedecer ao Senhor Jesus Cristo.
b)
Muitos lideres piedosos e crentes comprometidos com o MPAT para
permanecerem mais comprometidos com a Verdade e temam mais a Deus que ao
homem.
c)
Os 13 seminários oficialmente autorizados, um deles é especifico para
os líderes das minorias étnicas em Yunnan. Muito da instrução é
orientada para o marxismo e liberal na teologia. Existem 700 alunos se
preparando para o ministério, mas nem todos têm um chamado do Senhor.
Existe uma alta taxa de desistências, e muitos envolvem-se em trabalhos
administrativos na MPTP e não com o ministério pastoral. Ore para que
os verdadeiros crentes entre eles não percam sua fé mas sejam trazidos
mais perto de Jesus apesar dos aspectos negativos do seu treinamento .
2.
O movimento das igrejas nas casas e suas numerosas redes é o coração
da verdadeira igreja na China. A sua fraqueza é sua força. Ore por:
a)
Seu comprometimento de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo qualquer que
seja o custo e sem concessões. Isto pode ser afetado pela falta das
Escrituras e do ensino em profundidade.
b)
Seu alcance evangelístico. Os cristãos que testemunham e pregadores
itinerantes têm espalhado o evangelho para todo lado, mas muitas províncias,
distritos e cidades ainda não foram alcançadas. No entanto, é essa ação
que as autoridades mais combatem com violência. Ore para que eles sejam
cada vez mais audaciosos para Jesus e implementar sua estratégia
missionária pela China.
c)
Seus líderes. Alguns são velhos veteranos cujo ministério começou
antes dos comunistas tomarem o poder. Ore para que eles lancem os
fundamentos teológicos para a futura geração de jovens líderes.
Muitos desses foram convertidos recentemente. A medida em que a nova
China emerge, ore pelo concreto equilíbrio entre controle e liberdade
no estilo de liderança.
d)
O treinamento de seus líderes. São conhecidos dezenas de seminários
campo/montanha que se reúnem secretamente por três meses para um tempo
de comunhão, ensino e preparação para o ministério.
e)
Grupos de estudos bíblicos nos campus universitários, têm se
multiplicado desde 1989 com a participação de estudantes, formandos,
professores e pesquisadores. Novos grupos foram estabelecidos em mais de
12 cidades em 1991. Isto tem uma grande significância para o futuro
como uma nova terceira onda do crescimento da igreja na China. Ore pelo
fortalecimento e crescimento desses grupos.
3.
Reavivamento e reação. Grandes voltas para o Senhor nos últimos 15
anos têm afetado profundamente as províncias de Fujian, Zhejiang,
Anhui, Henan e algumas das minorias étnicas de Yunnan. Só em Henall,
alguns dizem que o número de cristãos dobrou entre 1989 e 1991. Ore
pelas outras províncias menos afetadas para que da mesma forma sejam
tocadas. O inimigo não está ocioso. Os ataques através de:
a)
Falsos ensinos. Os muitos novos convertidos ainda não discipulados e
com pouco conhecimento bíblico, têm sido presas fáceis de excessos
doutrinários, distorções e erros. Extremos sobre o milênio e ensinos
legalistas são comuns. É comum o uso de termos estranhos à Bíblia
como: Voz Audível, Rainha do Sul, Salvação através do
Conhecimento, e os Aclamadores. Ore para que os crentes tenham
discernimento e os lideres sabedoria para corrigir esses excessos.
b)
Perseguição. Ela vem em ciclos, e foi muito dura durante a Revolução
Cultural. A maioria das Bíblias foram destruídas, as casas dos crentes
saqueadas, e os crentes humilhados. Durante esse tempo muitos crentes
foram aprisionados. Entre 1983 e 1985, e desde 1989, a perseguição dos
grupos não registrados no MPAT e obreiros cristãos aumentou. Sabe-se
que muitos milhares de crentes foram aprisionados, e alguns torturados
pela fé desde 1989. Ore pela proteção e preservação dos cristãos,
por aqueles aprisionados e pelo sustento de suas famílias. Em lugares
onde a pressão é mais severa os obreiros cristãos foram espalhados e
estão escondidos. Em 1992 ficou claro que a política do governo era
fechar todas as igrejas nas casas. Os católicos têm sofrido
particularmente mais por causa de sua submissão a um líder
estrangeiro, o Papa. O controle do governo através da organização
fantoche ACP prejudicou o crescimento e os leais à igreja passaram a
viver na ilegalidade continuando muito secretamente.
OS
MENOS ALCANÇADOS DA CHINA
1.
Os chineses. A grande virada para o cristianismo aconteceu mais entre os
chineses hen. Em 1992, 6,5-7% eram cristãos, no entanto, a distribuição
dos cristãos na sociedade é irregular. Ore por:
a)
Membros do Partido Comunista. O número oficial de 51 milhões membros
pode ser irreal. A ideologia é a fachada para encobrir o oportunismo
egoísta. Desilusão e abandono para o cristianismo tem levado a muitas
demissões. Ore para que o Espírito Santo os convença mais dos seus
pecados e necessidades. Entre eles existem também muitos crentes
secretos!
b)
As forças armadas que são os protetores do estado marxista, e que
zelosamente guardam sua posição privilegiada. Existem 3.030.000 em
uniformes, mas muito poucos crentes entre eles.
c)
A "geração perdida", os jovens mobilizados como os guardas
vermelhos da Revolução Cultural. Os milhões de envolvidos foram
moralmente pervertidos e explorados, perdendo sua juventude,
perspectivas de educação e esperança de melhoria na loucura desses
anos. Ore para que eles encontrem esperança em Cristo.
d)
Aqueles ainda presos pelas supersticões idólatras do taoísmo, budismo
e confucionismo. Esses costumes e filosofias estão ressurgindo, mas os
jovens não são atraídos por elas. Uma nova religião, QiCong, está
ganhando muitos adeptos. Ore pelos milhões ainda amarrados e
necessitados da liberdade que somente o evangelho pode dar.
e)
Estudantes que são a chave do futuro. O choque dos acontecimentos de
1989 trouxeram muitos à Cristo, mas a maioria dos 2.100.000 estudantes
universitários ainda não foram alcançados. Ore para que os cristãos
entre eles sejam edificados na fé e serem testemunhas fervorosas. Ore
também pelo estabelecimento de grupos de estudo bíblico em cada uma
das 1.075 universidades. Ore também pela evangelização dos chineses
mandados para estudar no Japão (90.000), EUA (75.000), Austrália
(40.000) e em outros lugares. Alguns encontraram o Senhor.
f)
As cidades. Algumas cidades no sudeste e centro do país têm muitos
cristãos, mas as grandes cidades chinesas de Beijing, Tianjin, Taiwan,
Lanzhou e Shenyang têm menos crentes e a fiscalização de suas
atividades é mais marcante. Somente nessas cidades vivem 30 milhões de
pessoas.
g)
As províncias menos evangelizadas predominantemente no norte e oeste.
Aquelas com, possivelmente, menos do que 1% de cristãos são Shanxi,
Gansu e Jiangxi. Outras com menos de 3% de cristãos são Qingilai,
Hebei, Jitin, Lisoning, Hubei e Hunan. Ore para haja um derramar do Espírito
sobre esses chineses menos alcançados, e ore pelos evangelistas
trabalhando nessas províncias.
2.
Regiões autônomas. Essas foram estabelecidas para cinco das mais
populosas minorias étnicas, os zhuang, uygur, tibetanos, mongóis e os
hui, e são as áreas menos evangelizadas da China. A imigração maciça
dos chineses han deixou somente o Tibete com uma clara maioria nativa.
a)
Tibete (Xizang Zizhiqu). População 2.200.000. Tibetanos 2.100.000. O
Tibete perdeu sua independência temporária como um estado teocrático
budista em 1950 quando a China invadiu o país. Os comunistas têm
sistematicamente procurado destruir a cultura, religião e identidade étnica
do povo tibetano. A resistência aos ocupantes tem resultado em freqüente
revoltas e inquietação. Mais de um milhão de pessoas podem ter
perdido a vida e mais 100.000 pode ter sido forçadas a irem para o exílio
incluindo o líder espiritual e político dos tibetanos, o Dalai Lama.
Os
tibetanos resistem a muito tempo qualquer tentativa de levar o evangelho
a eles. Ore para que os sofrimentos presentes sejam o meio que tem para
Deus quebrar o cativeiro demoníaco do budismo lamaísta. Não existem
mais do que uns poucos crentes no próprio Tibete e nenhuma congregação
conhecida.
A
sensibilidade política e tensões no Tibete fazem a entrada e viagens
difíceis tanto para chineses como para estrangeiros cristãos que
desejam testemunhar ali. Ore pela abertura de portas e liberdade para
proclamar o evangelho.
Os
2.400.000 tibetanos vivendo nas províncias vizinhas de Qinghai, Sichuan
e Gansu são mais acessíveis ao testemunho cristão, mas somente uns
poucos obreiros estão concentrando esforços para alcançá-los. Outros
grupos étnicos na área são mais receptivos. Ore pela eficaz implantação
de igrejas tibetanas.
Os
450.000 tibetanos que estão no exílio. Nacionalismo, forte lealdade ao
budismo, e a cuidadosa proteção dada aos tibetanos pelas autoridades
budistas de qualquer testemunho cristão, tornam-os difíceis de serem
alcançados. Existem umas poucas congregações entre os tibetanos na Índia
e uma crescente receptividade no Nepal.
b)
Xinjiang, Uygur, ZizhIqu (Sinkiang): a vasta região central asiática
de desertos, montanhas e oásis, população 15.155.000 dos quais os
nove povos muçulmanos constituem 60% (Uygur, kazakh, hui, kirghiz,
Uzbek, tajik e outros); chineses 39%; mongóis 1%. Tem havido um
crescente nível de agitação pela independência desde o colapso da
URSS em 1990 e um ressurgimento considerável do islamismo avivado,
inspirado pelos iranianos com a construção de muitas novas mesquitas.
A proximidade de grupos étnicos relacionados nas cinco repúblicas muçulmanas
da Ásia Central na antiga URSS estimula ainda mais o fervor
nacionalista.
Havia
antigamente crentes e algumas igrejas entre os uygur na década de 30,
mas pela violência e perseguição as igrejas foram destruídas e os
crentes mortos ou espalhados. Existem agora somente um punhado de
crentes entre os uygur. Ore pela conclusão e distribuição do Novo
Testamento e também pela disseminação do filme Jesus em uygur.
Os
muculmanos dongxiang, salar, bonan, kazakh, kirgiz, tagik, usbek e tatar
tanto em Xhijiang como nas províncias adjacentes de Qinghai e Gansu
ainda não foram alcançados. Estão sem igrejas e há muito pouco
testemunho cristão de longo prazo.
Os
150.000 cristãos em Xinjiang, quase todos chineses han, são
culturalmente isolados da população nativa. Ore para que eles tenham
uma visão e entendimento para testemunhar aos muçulmanos. A maioria
vive na capital, Urumqi. Existem somente cerca de 30-40 cristãos
conhecidos entre os não chineses; seu número está crescendo, mas eles
são submetidos a altas pressões pelos muçulmanos a voltarem ao
islamismo.
MINISTÉRIOS
ESPECIAIS
O
rápido crescimento da igreja e seu influência no movimento democrático
tem agravado o confronto ideológico desde 1989. O partido comunista e
os velhos que o dirigem sentem-se ameaçados pela poderosa atração do
cristianismo. A influência de visitantes estrangeiros, estudantes, técnicos,
e o penetrante impacto de programas radiofônicos cristãos, vídeos,
literatura e Bíblias se vêem como decisivos nessa atração. A oposição
e vigilância contra toda atividade conduzida por estrangeiros tem
aumentado desde 1989. Ore para que o desejo econômico supere receios
ideológicos e mantenha a porta aberta para os cristãos.
1.
Missionários como tais não são bem-vindos na China. No entanto, o
desejo da China de melhorar seus relações comerciais com o mundo
possibilita a entrada de muitos cristãos chineses e estrangeiros como:
a)
Turistas. Mais de 30 milhões visitaram a China em 1988. Muitos cristãos
estavam entre estes. Ore pelo seu ministério de trazer literatura,
conforto, ajuda, e em alguns casos, ensino. Ore também por
sua
segurança e a de sua bagagem, por tato e sabedoria nos contatos e direção
nas viagens.
b)
Estudantes. Para estudo da língua e cultura em várias universidades.
Em 1991 haviam 10.000 de 120 países. As condições de vida são sempre
espartanas e amizade sem restrições com os chineses é difícil de
manter. Ore para que os cristãos entre eles sejam usados por Deus para
compartilhar Cristo com aqueles que estão verdadeiramente buscando o
Senhor.
c)
Técnicos estrangeiros e homens de negócios. A China almeja recrutar
30.000 técnicos anualmente para ensinar inglês, japonês e alemão bem
como outras matérias, e também para aprimorar a tecnologia e indústria
do país. Ore para que muitos sejam cristãos radiantes capazes de
comunicar sua fé enquanto trabalham.
d)
Familiares chineses que visitam as casas de seus ancestrais. Estes têm
entrado na China aos milhões. Às vezes os cristãos entre eles têm
visto resultados surpreendentes quando estão com os parentes.
2.
A provisão de Bíblias é totalmente inadequada, apesar do grande
aumento no número de exemplares a disposição. A fome pelas Escrituras
é mais aguda nas províncias longe dos portos de entrada e para as
igrejas nas casas. Relata-se que em algumas regiões existem 1.000 ou
mais crentes para uma Bíblia. A Amity Foundation, fundada em
1988 e patrocinada pelo MPAT e a UBS, estabeleceu uma grande operação
de impressão na China, e mais de 7 milhões de Bíblias e Novos
Testamentos foram impressos desde 1981, quase todos destinados às
congregações da MPAT. Estima-se que mais 7 milhões de Bíblias e
Novos Testamentos tenham sido trazidos pelos visitantes. Ore para que
esse fluxo aumente e que cada cristão tenha acesso a uma cópia da
Palavra de Deus. A importação de Bíblias não é ilegal mas evitada
por razões ideológicas.
3.
Vídeo e fitas de áudio. O aumento na disponibilidade de toca fitas está
fazendo com que as fitas sobre as Escrituras, música, evangelismo e de
ensino, produzidas no exterior, sejam um meio útil para disseminar a
Verdade. Ore por todos envolvidos na preparação e distribuição
dessas fitas.
a)
O filme Jesus está sendo visto amplamente nos vídeos nas casas em 12 línguas
diferentes (8 dialetos chineses e mongól, uygur e zhuailg). Estão
planejadas outras edições em mais 14 línguas. Ore para que o filme
receba reconhecimento oficial para exibição pública.
b)
As fitas de ensino que tratam da devastação moral e ética deixada
pelo pensamento marxista e fornecem ensino bíblico sólido são uma
grande necessidade para ajudar muitos intelectuais que estão chegando
à fé. Ore pela produção de material de leitura e fitas para suprir
essa necessidade.
4.
Literatura cristã. Existe uma demanda insaciável por hinários,
estudos bíblicos, materiais de ensino, biografias, folhetos, materiais
apologéticos para explicar o evangelho para estudantes e intelectuais.
Existem agora mais de 40 títulos disponíveis (Comunicações Cristãs
Ltda, OMF). Ore por todos os aspectos de publicação, entrada na China
e distribuição. Muitas missões estão envolvidas nesse ministério
incluindo a AO, CCL, OD e corpos denominacionais. Ore para que muito
mais escritores com experiência de vida na China apareçam. Ore por
sabedoria na seleção de materiais para impressão.
5.
O rádio cristão tem sido e ainda um dos mais potentes meios de pré-evangelismo
e ensino cristão para a China hoje. Quase toda casa hoje tem um rádio
e uma TV. Cerca de 678 horas de transmissões semanais estão entrando
na China em cinco dialetos chineses (515 horas só em putunghua!) e
akha, zhuang, coreano, lahu, lisu, mongól, miao, shan, tibetano, uygur
e wa. Ore especialmente pela ampla transmissão orientada para a China
da FEBC (Manila, Saipan, Coréia e Rússia), e TWR (Guam). Existem
muitos produtores maiores de programas tais como AO, OMF, Seminário
CCRC do Ar e CMA. Ore por sabedoria na seleção de programas e preparação
para que a mensagem vá ao encontro das reais necessidades do povo. Mais
de 50.000 cartas foram recebidas de ouvintes entre 1979 e 1984, e o
volume continua a crescer. Ore pelos ouvintes e por aqueles que procuram
ajudá-los. As autoridades têm multado os crentes e confiscado rádios
em algumas regiões pelo fato de escutarem essas transmissões. |
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Sempre quando lemos,
falamos ou escrevemos algo sobre a China nossas percepções devem ser
ajustadas, pois todos os dados relacionados ao país constituem de
números gigantescos. Sua cultura e civilização remontam milhares de
anos. O vasto território chinês possui 9.571.300 quilômetros quadrados; é o
terceiro maior no mundo, depois da Rússia e Canadá. Sua população é a
maior do mundo, com mais de um 1 bilhão de habitantes.
O Himalaia ao longo da fronteira sudoeste da China com a Índia
correspondem as montanhas mais altas do mundo. O maior rio de China, o
Yangtze, é quarto maior do mundo. O Deserto de Taklimakan, em Xinjiang é
um das áreas mais secas da Terra.
A China tem uma grande riqueza de mineral e recursos naturais. Reservas
de carvão, petróleo, minério férreo, tungstênio, bauxita, cobre, pedra
calcária, e muitos outros minerais usados pela indústria moderna são
abundantes. Todos esses recursos vem fazendo com que a China adquira um
desenvolvimento sólido e um crescimento industrial bastante rápido.
O
país localiza-se no Extremo Oriente asiático. Limita-se ao norte com a
República da Mongólia e com a Rússia; a noroeste com a Rússia e a
Coréia do Norte; a leste com o mar Amarelo e o estreito de Formosa;
ao sul com o mar da China Meridional, o Vietnam, o Laos, a Myanma, a
Índia, o Butão e o Nepal, a oeste com o Paquistão e o Tadjiquistão e
a noroeste com o Quirguistão e o Cazaquistão. Conta com mais de 3.400
ilhas costeiras, sendo Hainan a maior delas. A superfície é de
9.571.300 km2, sem contar a China Nacionalista, conhecida
oficialmente como República da China. A maior cidade é Xangai e a
capital é Pequim, ou melhor, Beijing.
Esclarecendo: a partir
de 1979, os nomes chineses passaram a ter uma nova grafia no alfabeto
ocidental. Mao Tse Tung virou Mao Ze Dong, Chou En-Lai virou Zhou Enlai
e Pequim, Beijing. Em alguns lugares, a reforma não pegou. No Brasil,
até hoje mesmo o Itamaraty chama Pequim de Beijing. Certos nomes não são
usados em nenhum lugar: China continua sendo China, e não Zhongguo, e
Xianggang é Hong Kong mesmo.
Mais de uma quinta parte da
população mundial vive dentro de suas fronteiras. A ascensão do
governo comunista, em 1949, é um dos fatos mais importantes de sua
história. Desde a década de 70, saiu de seu isolamento em relação à
comunidade internacional e procurou modernizar sua estrutura econômica.
Território
Compreende grande
diversidade de paisagens. Em termos gerais, os pontos mais altos da
China encontram-se no oeste, onde se acham algumas das cadeias
montanhosas mais elevadas do mundo. Três delas, Tien Shan, Kunlun e
Tsinling, datam da era paleozóica. A quarta, o Himalaia, formou-se
durante a época oligocena. No período quaternário, a atividade
tectônica manifestou-se sob a forma de devastadores terremotos.
A China pode ser dividida em
seis grandes regiões geográficas, cada uma delas dotada de
considerável diversidade geomorfológica e topográfica. O noroeste é
constituído de duas bacias, a de Dzungaria (Junggar Pendi) no norte e a
de Tarim, no sul, com o deserto de Takla Makan (Taklimakan Shamo) e o
monte Tien Shan. As zonas fronteiriças mongólicas, situadas na parte
centro setentrional, são uma região de mesetas, formada sobretudo por
desertos que em direção ao norte se transformam em estepes. O nordeste
compreende toda a Manchúria, a leste do Grande Xhingan. O norte da
China, situado entre as zonas fronteiriças mongólicas ao norte e a
bacia do rio Yangshan ao sul, é formado por várias unidades de relevo
distintas: a meseta do noroeste, a planície norte, as terras altas de
Shandong e as montanhas centrais. A quinta região, o sul da China, é
formada pelo vale do Yangshan e por outras zonas como a depressão do
Sichuan, as terras altas do sul, a meseta de Yunnan-Guizhou, a
depressão Chihchiang e a planície deltaica do Zhoushan (rio da
Pérola), conhecida comumente como delta de Cantão. Finalmente, a
meseta tibetana é a mais elevada do mundo, com altura média de 4.510 m.
As cadeias montanhosas que a rodeiam são o Himalaia ao sul, Pamir e
Karakoram a oeste, e o Kunlun Shan e o Qilian Shan ao norte. Constitui a
nascente do Indo, do Ganges, do Brahmaputra, do Mekong e do Huang.
O maior rio é o Amur (Heilong
Jiang). O principal rio do norte é o Huang. Os trechos retos inferiores
do Chihchiang são o sistema fluvial mais ismportante do sul.
Prevalece o clima temperado;
também há regiões desérticas e semi-áridas no interior ocidental e
uma pequena área de clima tropical no sudeste. Por conta de sua
altitude, a meseta tibetana possui clima de montanha. A monção exerce
o controle primário sobre o clima.
População e governo
A população é
aproximadamente 93% de etnia chinesa ou han. Os chineses pertencem ao
grupo mongolóide. Mais de 70 milhões de pessoas compõem as 56
minorias nacionais. A maior parte desses grupos distingue-se dos
chineses pelo idioma ou pela religião, mais do que por suas
características étnicas. As principais minorias são os zhuang,
relacionados con os tai (14,6 milhões), os hui ou chineses muçulmanos
(7,9 milhões), os uigur de idioma turco (6,5 milhões), os aborígenes
miao (5,5 milhões) e os mongóis (3,7 milhões).
Tem uma população (1993)
de 1.177.584.537 habitantes, com uma densidade de 123 hab/km2,
embora a distribuição geográfica seja muito desigual. A migração
espontânea do campo para as cidades foi proibida desde meados da
década de 50 até 1978.
Em 1991, havia 40 cidades
com mais de um milhão de habitantes. As principais são: Xangai
(segundo estimativas para 1992), 7.860.000 habitantes, Beijing (1992),
7.000.000 habitantes, Tianjin (5.090.000 habitantes), Shenyang
(4.540.000 habitantes), Wuhan (3.750.000 habitantes) e Cantão
(3.580.000 habitantes), estas últimas de acordo com estimativas para
1991.
O idioma oficial é o putonghua
(fala corrente), conhecido pelos ocidentais como mandarim. Os mais de 70
milhões de membros das minorias têm seus próprios idiomas falados,
entre os quais se encontram o mongol, o tibetano, o miao, o tai, o uigur
e o kazako. O dialeto mandarim é o que se ensina nas escolas,
geralmente como segundo idioma.
Desde 1949, foi eliminada
oficialmente a religião. Antes, as religiões dominantes eram o
confucionismo, o taoísmo e o budismo.
Pela Constituição de 1982,
a China é uma ditadura do proletariado, liderada pelo Partido
Comunista. Na prática, o Partido Comunista conduz a atividade política
nacional. O presidente é eleito pelo Congresso Nacional Popular, embora
o cargo seja principalmente honorário. Os poderes executivos residem no
Conselho de Estado, comandadodo pelo primeiro ministro. Os cargos de
maior autoridade no governo são os de primeiro ministro e secretário
geral do Partido Comunista. O Congresso Nacional Popular é o órgão
máximo do poder estatal.
Economia
Após a instauração do
comunismo, no primeiro plano quinquenal (1953-1957), 92% da população
agrícola era organizada em pequenas cooperativas. O segundo plano
quinquenal foi introduzido em 1958 e o regime se encaminhou para seu ‘grande
salto adiante’, que se caracterizou pelos grandes investimentos na
indústria pesada. O terceiro plano quinquenal começou em 1966, mas
tanto a produção agrícola como a industrial haviam sido restringidas
pelos efeitos da Revolução Cultural. Um quinto programa começou em
1976, mas foi interrompido em 1978, quando foi lançado o programa das
‘quatro modernizações’: agricultura, indústria, defesa nacional e
ciência e tecnologia.
O produto nacional bruto
(1992) é de aproximadamente 434.000 milhões de dólares, perto de 370
dólares per capita.
A agricultura era, e
continua sendo, o setor mais importante da economia. A superfície
irrigada é maior do que a de qualquer outro país. Em torno de 1979, a
população rural havia se organizado em perto de 52.000 comunas
populares. No início da década de 80, o sistema de comunas e as
brigadas de produção se desmantelaram e as famílias se transformaram
na principal unidade de produção agrícola. Cerca de 80% das áreas
semeadas referem-se a cultivos de produtos alimentícios. O mais
importante é o arroz, seguido do trigo. As sementes oleaginosas
(principalmente a soja) têm papel destacado, por proporcionar óleos
comestíveis e industriais e parte importante das exportações. É um
dos principais produtores mundiais de amendoim. O chá é outro cultivo
comercial tradicional, concorrendo com mais de 20% do abastecimento
mundial. Possui, além disso, grandes rebanhos de gado. A piscicultura
de água doce é importante e o governo estimulou o desenvolvimento de
áreas de pesca.
A indústria siderúrgica do
aço recebeu tratamento prioritário desde 1949. Entre as indústrias
pesadas, destacam-se os estaleiros e as destinadas à fabricação de
locomotivas, material rodante, tratores e maquinaria. Também é
importante a indústria petroquímica e a indústria têxtil é a maior
do mundo.
Possui ricos recursos
minerais. A industria da mineração de carvão é a maior do mundo e é
um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Também se extraem em
quantidades importantes minério de ferro, sal, magnesita, fosfatos,
bauxita, enxofre e zinco, entre outros.
A unidade monetária é o
luan.
História
Diz a tradição que os Hia
(1994-1766 a.C.) foram a
primeira dinastia chinesa hereditária, embora a primeira de que se
tenha evidências históricas seja a Chang.
A dinastia Chang (1766-1027 a.C.)
governou no centro e no norte da atual China. A capital era situada em
Anyang, perto da fronteira norte. A economia era baseada na agricultura;
praticavam a metalurgia e o artesanato. A sociedade era aristocrática;
à frente, sobressaía-se o rei, que presidia uma nobreza militar.
Adoravam seus antepassados e uma profusão de deuses. O último monarca
Chang foi expulso por um dirigente Tcheu de um estado no vale do rio Wei.
Durante a dinastia Tcheu
(1122-256 a.C.), a civilização
chinesa foi-se estendendo gradualmente em direção ao norte. A grande
expansão do território tornou impossível o controle direto e a
responsabilidade foi delegada a delegados, cada um deles encarregado de
governar uma cidade murada e seu entorno, com hierarquia feudal. Com o
tempo, esses estados dependentes foram-se tornando cada vez mais
autônomos.
A sociedade Tcheu era
organizada em torno da produção agrícola. Os reis Tcheu mantiveram um
controle efetivo sobre seus domínios até que, em 770 a.C.,
alguns estados se rebelaram e junto com invasores nômades do norte
expulsaram os Tcheu de sua capital. Posteriormente, os Tcheu fundaram
nova capital, em direção ao leste, em Luoyang. Do século VIII ao III
a.C., ocorreram um rápido crescimento econômico e uma profunda
mudança social, num contexto de instabilidade política extrema e um
estado de guerra quase incessante.
Os estados situados nas
fronteiras exteriores da zona cultural chinesa expandiram-se à custa de
seus vizinhos não chineses, menos avançados. Durante os séculos VII e
VI a.C., houve breves períodos
de estabilidade, decorrentes da organização de alianças entre os
poderosos estados periféricos, sob a hegemonia do membro mais forte. No
entanto, por volta do século V a.C., o sistema de alianças era
insustentável e a China dos Tcheu caminhou para o chamado período dos
Reinos Combatentes (481-221 a.C.),
caracterizado pela anarquia.
A resposta intelectual à
extrema instabilidade e insegurança política produziu as fórmulas
filosóficas que moldaram o crescimento do Estado e da civilização
chineses durante os dois milênios seguintes. O mais antigo e mais
influente filósofo do período foi Kongfuci, o Confúcio. As doutrinas
do taoísmo, a segunda grande escola filosófica existente nesse
período, são atribuídas à figura semi-histórica de Lao-Tse e aos
trabalhos de Tchuang-Tse.
Uma terceira escola de
pensamento que floresceu nesse período e exerceu influência duradoura
sobre a civilização chinesa foi o legalismo, que pregava o
estabelecimento de uma ordem social baseada em leis estritas e
impessoais. Para reforçar esse sistema, batia-se pelo estabelecimento
de um Estado no qual o soberano tivesse autoridade incontestável. Os
legalistas pregavam a socialização do capital, o estabelecimento do
monopólio governamental e outras medidas econômicas para enriquecer o
Estado, reforçar seu poder militar e centralizar o controle
administrativo.
Durante o século IV a.C.,
o reino de Qin, um dos estados periféricos emergentes do noroeste,
dedicou-se a um programa de reformas, seguindo as doutrinas legalistas.
Ao mesmo tempo, o poder dos Tcheu entrou em colapso em 256 a.C.
O rei de Qin se
autoproclammou primeiro imperador da dinastia Qin (221-206 a.C.).
O nome China deriva dessa dinastia. O imperador unificou os estados
feudais em um império administrativamente centralizado e culturalmente
unificado. Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus
territórios foram divididos em províncias governadas por burocratas
nomeados pelo imperador. A capital de Qin transformou-se na primeira
sede da China imperial. O primeiro imperador estendeu as fronteiras
exteriores: no, sul até o delta do rio Vermelho; no sudoeste, dominou
as atuais províncias de Yunnan, Guizhou y Sichuan; no noroeste, chegou
a Lanzhou, na atual província de Gansu, e, no nordeste, a um setor do
que hoje é a Coréia. A dinastia Qin concluiu a Grande Muralha chinesa.
O peso crescente dos
impostos, o serviço militar e os trabalhos forçados criaram profundo
ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares, enquanto
as classes intelectuais estavam ofendidas pela política governamental
de controle do pensamento. Após uma luta pelo poder que mutilou a
administração central, o povo levantou-se em rebelião.
Liu Bang autoproclamou-se
imperador em 206 a.C. A dinastia
Han (206 a.C.-9 d.C.),
fundada por ele, seria a mais duradoura da era imperial. Os Han
constituíram-se sobre a base unificada dos Qin, modificando a política
que havia provocado sua derrocada. Uma das contribuições mais
importantes desta dinastia foi o estabelecimento do confucionismo como
ideologia oficial; no entanto, os Han incorporaram ao confucionismo
idéias de muitas outras escolas filosóficas, além de superstições.
Os primitivos Han
alcançaram o auge de seu poder sob o imperador Wu (reinou de 140 a.C.
a 87 a.C). A autoridade chinesa
estabeleceu-se ao sul da Manchúria e ao norte da Coréia; no oeste,
penetraram no atual território do Cazaquistão; no sul, a ilha de
Hainan passou ao controle Han e colônias foram fundadas ao redor do
delta Chihchiang, em Anam e na Coréia.
As políticas expansionistas
consumiram os excedentes econômicos e os impostos foram aumentados,
reaparecendo os monopólios estatais. As dissensões e a incompetência
debilitaram o governo imperial. As sublevações no campo refletiram o
descontentamento popular.
Durante este período de
desordens, Wang Mang estabeleceu-se no poder, fundando a efêmera
dinastia Qin (9-23 d.C.).
Nacionalizaram toda a terra e a redistribuíram entre os agricultores,
aboliu-se a escravatura e reforçaram-se os monopólios imperais sobre o
sal, o ferro e a moeda. A resistência das poderosas classes
proprietárias de terra foi tão dura que fez revogar a legislação
sobre a terra. A crise agrária intensificou-se e a situação se
deteriorou. No norte, eclodiu uma rebelião camponesa e as grandes
famílias proprietárias de terra uniram-se a eles, reinstaurando a
dinastia Han.
A debilidade administrativa
e a ineficácia dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220).
Entre 168 e 170, surgiu o conflito entre os eunucos e os burocratas e
aconteceram duas grandes rebeliões, lideradas por grupos taoístas, em
184 e 215. A dinastia Han começou a se dividir quando as grandes
famílias latifundiárias criaram seus próprios exércitos privados. Em
220, Cao Pei fundou a dinastia e reino Wei (220-265), nas províncias do
norte. A dinastia Shu Han (221-263) firmou-se no sudoeste e a dinastia
Wu (222-280) no sudeste. Os três reinos sustentaram incessantes guerras
entre si. Em 265, Sima Yang usurpou o trono e estabeleceu a dinastia dos
Ts'ins (265-317) no norte. Em torno de 280, havia reunificado o norte e
o sul sob seu mandato. No entanto, pouco depois de sua morte, em 290, o
Império começou a ruir.
As tribos não chinesas do
norte aproveitaram a debilidade do governo para estender-se pelo norte.
As invasões começaram em 304 e, até mais ou menos 317, os hiong-nus
haviam arrebatado à dinastia dos Ts'ins o norte da China. Durante quase
três séculos este território foi governado por várias dinastias não
chinesas, enquanto no sul o mesmo era feito por uma sucessão de quatro
dinastias chinesas. Nenhuma das dinastias invasoras foi capaz de
estender seu controle sobre a totalidade da planície do norte até 420,
quando o feito coube à dinastia Bei Wei (o Bei do Norte, 386-534).
A China foi reunificada sob
a dinastia Suei (581-618), que restabeleceu o sistema administrativo
centralizado. Embora o confucionismo tivesse sido instaurado
oficialmente, também o taoísmo e o budismo foram admitidos na nova
ideologia imperial, ao mesmo tempo em que floresceu o budismo. A
dinastia Suei caiu em 617, diante da revolta liderada por Li Yuan.
Fundada por Li Yuan, a
dinastia Tang (618-907) mostrou-se uma época de força e brilhantismo
na história da civilização chinesa. Criaram uma administração
centralizada e foi decretado um elaborado código de leis
administrativas e penais. Sob os Tang, a influência chinesa estendeu-se
sobre a Coréia, o sul da Manchúria, o norte do Vietnam e o que é hoje
o Afeganistão.
A força econômica e
militar do Império Tang baseava-se num sistema de distribuição
eqüitativa da terra para a população adulta masculina. Como resultado
do crescimento demográfico, por volta do século VIII, os pequenos
proprietários herdavam propriedades ainda menores, mas o valor do
imposto se mantinha, o que motivava os camponeses a abandonar suas
terras, reduzindo a receita do Estado.
O general An Lushan, em sua
luta pelo controle do governo, precipitou uma revolta em 755. Após a
rebelião, o governo central nunca mais foi capaz de controlar os
comandantes militares das fronteiras, que transformaram seus cargos em
reinos hereditários e retiveram os impostos do governo central. Esta
situação se ampliou a outras regiões e, por volta do século IX, a
zona que se encontrava sob o controle efetivo do governo central
limitava-se à província de Chan-Si.
A decadência do budismo e a
reaparição do confucionismo no final da era Tang deram lugar a uma
nova e vigorosa ideologia, que proporcionou a base para uma
civilização perdurável nos séculos seguintes.
À dispersão do poder
político e econômico que marcou a dissolução da dinastia Tang
sucedeu o chamado período das Cinco Dinastias (907-960) no norte,
enquanto dez estados independentes se estabeleciam no sul.
O período das Cinco
Dinastias terminou em 960, quando um chefe militar, Zhao Guangyin,
proclamou o estabelecimento da dinastia Song. Por volta de 978, os Song
controlavam a maior parte da China. Costuma-se dividir o período em
etapa dos Song do norte (960-1126) e etapa dos Song do sul (1127-1279).
Os Song do norte limitaram
em grande parte o poder dos militares das províncias e, subordinando o
exército ao poder civil, reorganizaram o governo imperial,
centralizando o controle efetivo na capital. No entanto, a debilidade
militar transformou-se em problema crônico.
Por volta de 1050, quando se
deteriorava a situação militar e fiscal, a burocracia civil estava
dividida em grupos que propunham diferentes medidas reformistas. Os Song
se aliaram, no começo de 1120, à dinastia Kin (1122-1234) do norte da
Manchúria, em oposição aos Liao, que se voltaram contra os Song e
marcharam em direção ao norte. Os Song se retiraram e em 1135
reestabeleceram sua capital em Hangzhou, na província de Zhenjiang.
Conduzida pelos Song do sul,
a China meridional continuou a desenvolver-se com rapidez. A dinastia
foi dominada por uma força militar dos mongóis, que, sob o comando de
Gengis Khan, iniciaram uma série de conquistas que resultaram na
formação do maior império conhecido até então. Gêngis Khan
conquistou Beijing em 1215 e ampliou seu poder sobre o restante do norte
da China.
Kubilay Kan, neto de Gêngis
Khan, transferiu a capital mongol para perto de Beijing, de onde governou
um império que se estendia da Europa oriental até a Coréia e do norte
da Sibéria ao sul da fronteira setentrional da Índia. Governaram como
imperadores com o título dinástico de Yuan (1279-1368). Nesta época,
chegou o mercador veneziano Marco Polo.
Havia, porém, crescente
descontentamento. Durante a década de 1340, espocaram levantes em quase
todas as províncias. Na década de 1360, Tchu Yuan-tchang estendeu seu
poder através do vale doYangshan; em 1371, tomou Beijing e os mongóis
se retiraram para o território da Mongólia, de onde continuaram a
provocar os chineses.
Fundada por Tchu, a dinastia
Ming (1368-1644) revitalizou a civilização dos Tang e dos Song. Seu
poder se consolidou de maneira firme ao longo da Ásia oriental.
Restabeleceu-se o governo civil e o império se dividiu em 15
províncias.
Os primeiros Ming
restabeleceram o sistema de relações tributárias, mediante as quais
os estados não chineses da Ásia oriental reconheceram sua supremacia
cultural e moral, enviando tributos. A capital voltou a Beijing. O poder
se estendeu por todo o sudeste da Ásia, a Índia e Madagascar. No
entanto, a partir de meados do século XV, o poder Ming começou a
declinar.
Durante o período de
decadência dos Ming, iniciaram-se as relações marítimas com a
Europa. Os primeiros a chegar foram os portugueses, em 1521. Em 1570,
começou o comércio com os assentamentos espanhóis nas Filipinas. Em
1619, os holandeses estabeleceram-se em Taiwan e tomaram posse das ilhas
dos Pescadores.
A queda dos Ming foi
provocada por uma rebelião que explodiu na província de Changzhi,como
resultado da incapacidade governamental de proporcionar ajuda em
momentos de fome e desemprego. Os Ming aceitaram a ajuda manchu para
expulsar os rebeldes da capital e os manchus negaram-se a abandonar
Beijing, o que forçou os Ming a retirar-se para o sul da China.
Sob a dinastia Qing
(1644-1912), os manchus continuaram absorvendo a cultura da China. Sua
organização política se baseava na dos Ming, ainda que estivesse mais
centralizada; o organismo administrativo máximo foi o Grande Conselho.
Em meados do século XVIII,
durante o reinado do imperador Qianlong, a dinastia Qing chegou ao
apogeu do poder. A Manchúria, a Mongólia, Xinxiang e o Tibete
encontravam-se sob seu controle; inclusive no Nepal, percebia-se a
influência chinesa. A Coréia e o Vietnam do Norte reconheceram a
soberania chinesa e Taiwan foi anexada.
Por volta do final do
século XVIII, a situação econômica dos camponeses havia começado a
debilitar-se. Os recursos financeiros do governo estavam seriamente
reduzidos, devido ao custo da expansão externa e à corrupção. Os
manchus aceitaram com reservas as relações comerciais com o Ocidente.
Em torno de 1800, o mercado do ópio, introduzido pelos britânicos a
partir da Índia, havia se desenvolvido muito rapidamente.
O século XIX foi
caracterizado por uma rápida deterioração do sistema imperial e um
crescimento contínuo da pressão estrangeira, proveniente do Ocidente e
do Japão. As relações comerciais com a Grã-Bretanha ocasionaram o
primeiro conflito sério. Os chineses estavam ansiosos por deter o
comércio do ópio, mas os britânicos negaram-se a restraingir ainda
mais a importação do narcótico.
A primeira guerra do ópio
terminou em 1842, com a assinatura do Tratado de Nanquim. Os termos do
tratado garantiam à Grã-Bretanha as prioridades comerciais que
desejava. Depois da segunda guerra do ópio (1856-1860), firmaram-se
novos tratados em Tianjin, que ampliaram as vantagens ocidentais. Quando
o governo de Beijing negou-se a ratificá-los, reiniciaram-se as
hostilidades. Uma força expedicionária franco-britânica chegou até
Beijing. Assinaram-se as Convenções de Beijing, nas quais se ratificavam
os termos dos tratados anteriores. De acordo com suas disposições, os
portos chineses voltaram a se abrir ao comércio internacional,
permitiu-se a instalação de colônias de residentes estrangeiros e
cederam-se de forma permanente à Grã-Bretanha os territórios de Hong
Kong e Kowloon.
Na década de 1850, os
alicerces do império foram sacudidos pela rebelião Taiping, uma
revolução popular de origem religiosa, social e econômica; seu líder
foi Hong Sieu-ts'iuan. Em 1853, os Taiping haviam se deslocado em
direção ao norte e estabelecido sua capital em Nanquim. Em torno de
1860, encontravam-se entrincheirados no vale Yangshan e ameaçavam
Xangai.
A dinastia manchu,
destruída, tentou reformar sua política para garantir a sobrevivência
do Império. De 1860 a 1895, tentativas foram feitas para restaurar o
governo, obedecendo a princípios confucianos, com o objetivo de
solucionar os problemas internos, sociais e econômicos. Durante as
décadas de 1860 e 1870, a rebelião Taiping foi sufocada, restaurou-se
a paz interna, estabeleceram-se arsenais e estaleiros e abriram-se
várias minas. No entanto, os objetivos de manter um governo confuciano
e desenvolver um poder militar moderno eram basicamente incompatíveis;
em decorrência disso, os esforços visando ao fortalecimento foram, de
1860 a 1895, inúteis.
Em 1875, o Ocidente e o
Japão começaram a desmantelar o sistema chinês de estados
tributários, mantido no sudeste da Ásia. A Guerra Franco-Chinesa de
1884 e 1885, colocou Tonquim sob o império colonial francês e. no ano
seguinte, a Grã-Bretanha ocupou a Birmânia. Em 1860, a Rússia obteve
as províncias marítimas do norte da Manchúria e os territórios ao
norte do rio Amur. Em1894, os esforços japoneses para anexar a Coréia
provocaram a Guerra Chino-Japonesa e, em 1895, viu-se forçada a
reconhecer a perda da Coréia e ceder ao Japão a ilha de Taiwan e a
península de Liaodong, no sul da Manchúria.
A Rússia, a França e a
Alemanha reagiram de imediato diante da cessão da península de
Liaodong, já que isso significava conceder ao Japão posição
prioritária da região mais rica da China. Esses três Estados
intervieram, reivindicando ao Japão a devolução de Liaodong, em troca
de maior indenização econômica. Conseguido seu objetivo, as três
potências européias apresentaram novas exigências.
Por volta de 1898, um grupo
de ilustres reformadores aplicaram um profundo programa de reformas
destinado a transformar a Chian em monarquia constitucional e modernizar
sua economia e seu sistema educacional. O programa enfrentou a
oposição de oficiais manchus que, com a ajuda de chefes militares
leais, detiveram o movimento reformista. Propagou-se por todo o país
uma reação violenta que alcançou seu ponto crítico em 1900, com um
levante da sociedade secreta dos Boxer. Após uma força expedicionária
ocidental ter esmagado a rebelião Boxer em Beijing, o governo manchu
adotou seu próprio programa de reformas e fez planos para estabelecer
um governo constitucional limitado, de acordo com o modelo japonês.
Durante a primeira década
do século XX, os revolucionários atraíram estudantes, comerciantes e
grupos nacionais pouco satisfeitos com o governo manchu. Estourou a
rebelião em Hangzhou, que se estendeu depois a outras províncias,
enquanto Sun Yat-sen assumia o controle da revolta. Os exércitos
manchus foram reorganizados pelo general Yuan Che-k'ai, que negociou com
os dirigentes rebeldes sua designação como presidente de um novo
governo republicano. Em 1912, uma assembléia revolucionária elegeu
Yuam primeiro presidente da República da China.
A República manteve frágil
existência de 1912 a 1949. Ainda que houvesse sido adotada uma
Constituição e estabelecido um Parlamento em 1912, Yuan Che-k'ai nunca
permitiu que essas instituições limitassem seu controle pessoal. O
governo central manteve até 1927 uma existência precária e quase
fictícia.
Durante a I Guerra
Mundial, o Japão apresentou à China as "Vinte e uma
Demandas", que praticamente transformavam a China em protetorado
japonês. A China concordou em transferir as possessões alemãs em
Shandong ao Japão. Sua entrada tardia na guerra em 1917 tinha por
objetivo participar no tratado de paz que seria alcançado e, então,
reexaminar as ambiciosas reivindicações japoneses com a ajuda dos
Estados Unidos e conseguir seu apoio. No entanto, o presidente
norte-americano Woodrow Wilson retirou o apoio de seu país nas
reivindicações de Shandong.
Os chineses, desiludidos
diante do cínico interesse dos poderes imperialistas ocidentais,
foram-se acercando do pensamento marxista-leninista e da União
Soviética. O Partido Comunista Chinês foi fundado em 1921, contando,
entre seus primeiros membros, com Mao Tsé-tung. Em 1923, Sun Yat-sen
reorganizou o Partido Nacionalista, o Kuomintang, e aceitou o ingresso
dos comunistas. O Kuomintang estava sob a direção do general Chiang
Kai-shek, que tentava reunificar a China sob o mandato do Kuomintang e
liberar o país do imperialismo e da força dos chefes militares
provinciais. Em 1928, Chang realizou um expurgo entre os membros
comunistas do partido.
O novo governo nacional,
estabelecido pelo Kuomintang em 1928, deparou-se com três problemas de
grande magnitude: Chang na realidade tinha sob seu controle apenas cinco
províncias, pois o resto do país era governado por chefes militares
locais; em 1930, aconteceu a rebelião interna dos comunistas, que em
1927 se dividiram em duas facções: uma tentou fomentar os levantes
urbanos e a outra, dirigida por Mao Tse-tung, mobilizou os camponeses da
China central; o terceiro problema foi a agressão japonesa na
Manchúria e no norte da China. Em 1932, os japoneses transformaram as
três províncias da Manchúria no novo Estado de Manchukuo e fizeram de
Puyi, o último governante da dinastia manchu, o imperador de Manchukuo,
que incorporou parte da Mongólia no começo de 1933.
No final de 1934, os
comunistas se deslocaram em direção ao norte, na denominada Grande
Marcha. Enquanto se intensificava a agressão japonesa, Chang moderou
sua postura anticomunista e, em 1937, formou-se uma frente unida do
Kuomintang e dos comunistas contra os japoneses.
Em 1937, o Japão e a China
começaram uma guerra em grande escala. Por volta de 1938, o Japão
controlava a maior parte do nordeste da China, o interior do vale do
Yangtzé, até Hangzhou, e a zona ao redor de Cantão, na costa sudeste.
Durante a II Guerra
Mundial, o governo do Kuomintang sofreu importante enfraquecimento
militar e financeiro, enquanto os comunistas haviam ocupado grande parte
do norte da China e se haviam infiltrado em muitas regiões rurais. Aí
organizaram os camponeses, para que ingressassem nas fileiras do Partido
Comunista e do Exército Vermelho, com o que saíram fortalecidos da II Guerra
Mundial.
Em 1945, eclodiu a luta
entre os comunistas e as tropas do Kuomintang pelo controle da
Manchúria. Em 1947, o Exército de Liberação Popular (comunista)
derrotou os nacionalistas na Manchúria e, em 1949, a resistência
desmoronou. O governo procurou refúgio na ilha de Taiwan.
Em setembro de 1949, os
comunistas reuniram a Conferência Consultiva Popular Política Chinesa,
que adotou diretrizes e princípios políticos e uma lei orgânica para
governar o país. Mao Tse-tung, nomeado presidente desse organismo, era
de fato o chefe do Estado. A República Popular da China foi proclamada
em 1º de outubro de 1949.
Em 1953, o controle
comunista havia se estabelecido com firmeza. Em 1954, o Congresso
Nacional Popular aprovou o rascunho da Constituição que foi enviada ao
Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Esta Constituição
confirmou a hegemonia do Partido Comunista Chinês e introduziu
mudanças destinadas a centralizar o controle do governo.
A política básica do
regime comunista foi transformar a China em uma sociedade socialista.
Para tanto, utilizaram-se os princípios do marxismo-leninismo e
assegurou-se a erradicação das idéias anticomunistas. A primeira
ação de governo foi reconstruir a economia, reforçando a
coletivização agrícola. A indústria privada passou gradualmente ao
controle da propriedade mista estatal. A ajuda econômica e o
assessoramento técnico soviético contribuíram em grande parte para o
êxito imediato do programa.
Em política exterior, a
China e a União Soviética assinaram, em 1950, um tratado de amizade e
aliança vários acordos complementares, mediante os quais a União
Soviética fez grandes concessões, como a retirada da Manchúria. A
China também estreitou relações com seus vizinhos comunistas.
Com sua chegada ao poder, o
regime comunista também tentou recuperar os territórios que
considerava dentro das fronteiras históricas. Em 1950, as tropas
chinesas invadiram o Tibete e o regime jamais renunciou à utilização
da força para conquistar Taiwan.
Em 1958, foram impostos
controles mais rígidos sobre a economia, para incrementar a produção
agrícola, restringir o consumo e acelerar a industrialização;
tratava-se de realizar o "grande salto adiante". No entanto, o
programa fracassou. A situação piorou em 1960, com a retirada da ajuda
econômica e da assessoria técnica soviética. Durante esta década,
apenas a Albânia manteve-se como aliado incondicional.
Enquanto os comunistas
lutavam por construir a sociedade, apareceram diferenças entre Mao, que
favorecia uma ideologia comunista pura, e os intelectuais, profissionais
e burocratas, que queriam uma aproximação mais racional e moderada. Em
1957, impuseram-se estritos controles sobre a liberdade de expressão,
que puseram fim à denominada "primavera de Pequim".
A cisão entre Mao e os
moderados ampliou-se. Em 1959, ele abandonou a presidência da
República e foi sucedido pela moderado Liu Shao-chi. O rompimento
transformou-se em conflito em 1966, quando Mao e seus seguidores
lançaram a Revolução Cultural proletária, para erradicar o que
perdurara das idéias e costumes burgueses e para recuperar o zelo
revolucionário do primitivo comunismo chinês.
A Revolução Cultural teve
efeito adverso sobre as relações exteriores. A propaganda a favor dos
guardas vermelhos e a agitação dos chineses residentes no estrangeiro
dificultaram as relações com muitos Estados, especialmente com a URSS.
Mao emergiu vitorioso da Revolução Cultural e o pensamento radical
refletiu-se em uma nova Constituição, adotada pelo IV Congresso
Nacional Popular em 1975. O moderado Deng Xiao Ping foi nomeado primeiro
vice-primeiro ministro e vice-presidente do partido.
Durante este período, as
relações exteriores melhoraram substancialmente, em especial com os
Estados Unidos, que em 1971 retirou seu veto à incorporação da
República Popular Chinesa às Nações Unidas, após o que foi ela
admitida em substituição à República da China (Taiwan). Em 1972,
estabeleceram-se relações diplomáticas com o Japão e, em 1979, com
os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se estreitavam os laços com a
Europa Ocidental.
Mao morreu em 1976, deixando
um vazio de poder. Os radicais obtiveram sua primeira vitória ao
impedir que Deng Xiao Ping fosse eleito primeiro ministro. Como
solução de compromisso, Hua Goufeng foi nomeado sucessor de Mao, como
presidente do Partido Comunista Chinês. Sob seu governo, impuseram-se
políticas moderadas.
Em 1977, Deng foi
reinstaurado como substituto do primeiro ministro. O XXI Congresso do
Partido Comunista Chinês, celebrado em 1977, foi dominado pelo
presidente Huan, o vide-presidente Deng e Ye Jianying.
Deng Xiao Ping foi a figura
dominante ao longo da década de 1980 e nos primeiros anos da de 1990.
Favoreceu uma política que permitia o desenvolvimento comercial e
industrial, atraindo investimentos estrangeiros.
Em 1982, adotou-se uma nova
Constituição e uma nova reorganização do Partido Comunista Chinês.
A primeira restabeleceu o cargo, em grande parte representativo, de
presidente da República (anteriormente presidente de Estado), que em
1968 havia sido abolido por Mao.
Em janeiro de 1987, Zhao
Ziang foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. As mudanças
de chefia chegaram após uma onda de manifestações estudantis que
reclamavam maior democratização e liberdade de expressão. No período
de repressão política que se seguiu, Zhao Ziang foi despojado de seus
cargos no partido e Jiang Zemin transformou-se em secretário-geral. A
VIII reunião do Congresso Nacional Popular, em 1993, elegeu Jiang
presidente da China e reelegeu Li Peng chefe de Governo.
Para maiores informações:
Patrick Johnstone, INTERCESSÃO MUNDIAL
Enciclopédia Multimídia Microsoft ENCARTA
Almanaque ABRIL, editora Abril
Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. |