SITUAÇÃO MISSIONÁRIA

O catolicismo romano é a religião oficial, mas há liberdade de religião e respeito considerável pelos evangélicos.

Não religiosos/outros: 2%.
Judeus: 0,7%. O número de judeus seculares é mais do que o dobro desse número. É o sexto maior grupo de judeus da Diáspora.
Muçulmanos: 1,5%. Metade dos árabes é muçulmana.
Animistas: 0,3%. Uma minoria dentro de algumas tribos ameríndias.
Cristãos: 95,5%. Nominais 4,6%. Filiados 90,9%. Crescimento 1,6%.
:: Evangélicos/Protestantes: 8,0%. Filiados 7,73%. Crescimento 6,1%.
:: Católicos Romanos: 85,3%. Filiados 81,16%. Crescimento 1,1%.
:: Ortodoxos: 0,6%. Filiados 0,45%. Crescimento 0,9%

Missionários evangélicos/ protestantes:
Para a Argentina: 913 (1 para cada 35.400 habitantes) em 76 missões.
Da Argentina: 144 (1 para cada 17.300 evangélicos/protestantes) em 23 missões.

MOTIVOS DE ORAÇÃO

1. Relatórios surpreendentes à respeito do reavivamento na Argentina são motivos de louvor! Tem havido uma enxurrada de conversões em resposta a toda forma de evangelismo. Alguns dizem que os evangélicos seriam 12% da população. Décadas de ditadura e maus governos militares, o trágico desastre da guerra contra a Inglaterra em 1982 pelas Falklands (Malvinas), e o colapso econômico nacional foram fatores que levaram esse povo altivo a responderem dessa forma ao evangelho.

2. O crescimento das igrejas evangélicas tem sido dramático, especialmente nas grandes cidades, mas menor no interior. O crescimento tem acontecido em quase sodas as denominações evangélicas mas principalmente entre os pentecostais. Esse crescimento tem esgotado os recursos das igrejas de tal forma que a conservação e o amadurecimento dessa colheita de almas tem sido inadequado; o abandono da fé e a perda para outras seitas têm sido generalizada. É reconhecido que apenas 10% dos que se decidem se filiam à igreja. Ore pela continuação e aprofundamento desse reavivamento nesta década de 90 para que todos distritos e denominações sejam tocados.

3. A guerra espiritual contra as forças das trevas tem sido uma parte importante no ministério cristão, e golpes certeiros têm sido desferidos contra a servidão, feitiçaria e pecado, com resultados dramáticos Ore pela proteção e continua saúde espiritual de todos os que estão na frente de batalha. Os perigos são o orgulho aberto no sucesso, um ministério desequilibrado, disciplina inadequada e a ênfase no fazer e não no ser. Ore para que mais cristãos se envolvam nos governos locais e nacional onde os baixos padrões éticos e a corrupção prevalecem, e ore para que isso resulte na reconstrução moral e espiritual da sociedade.

4. Ore pela unidade dos crentes. Louve a Deus pelas vigílias de oração que se realizam regularmente pelo país estimadas em 13.000. No entanto, as barreiras denominacionais, as divisões doutrinárias e o conflito pelo poder entre os líderes estão prejudicando a causa de Cristo. Ore pela Federação Pentecostal e a Allianza Cristiana de las Iglesias Evangélicas (ACIERA) nos seus esforços para unir os crentes.

5. A liderança para a igreja é um ponto crítico para um maior crescimento. Falta de recursos, prédios e professores impedem muitos de se prepararem para o ministério. A maioria das escolas bíblicas estão cheias. Alguns colégios teológicos enfatizam mais o humanismo, a teologia da libertação e a ação social do que a pregação da Palavra. Ore pelo chamado, treinamento e uso eficiente de cristãos maduros que andem humildemente diante do seu Deus.

6. As igrejas da minoria imigrante (especialmente entre os italianos, dinamarqueses, holandeses e galeses) no passado eram uma proporção significativa de protestantes. Eles olhavam pelas necessidades espirituais das igrejas de suas comunidades, mas não evangelizavam a maioria de língua espanhola, apesar de que os crentes italianos, russos e chilenos evangelizavam os seus próprios grupos. Eles estão em declínio, em parte devido aos filhos que falam espanhol e não sentem-se à vontade em suas igrejas. As igrejas étnicas de jovens coreanos e chineses estão crescendo.

7. Os ameríndios dos pampas do chaco no norte têm respondido ao evangelho, e uma grande proporção são cristãos ativos através da obra do SAMS (South América Missionary Society), menonitas e pentecostais. Ainda permanecem bolsões de animismo, e muitas seitas indígenas têm aparecido o que levam alguns a se extraviarem. A vinda do evangelho salvou esse povo e sua cultura e deu-lhes altivez e dignidade para sobreviver à prosperidade do mundo moderno.

Ore pela:

a) Maturidade e crescimento dessas igrejas e seu integração na vida nacional.

b) Ministério de gravações da GRn (Global Recordings network) disponível em 12 línguas.

c) Programas de tradução da Bíblia; o trabalho está continuando em sete línguas.

8. Missões. A maior necessidade é por missionários maduros, capazes de assessorarem a igreja no estudo bíblico , na implantação de igrejas e dar uma visão de missões.

Ore pelo estabelecimento de igrejas e trabalho de ajuda de missionários com a AoG – Assemblies of God - EUA & Brasil (67), CBFMS – Conserv. Baptist For Mission Society (38), Irmãos (30), CMA – Christian and Missionary Alliance (22), GMU – Gospel Missionary Union (12), e SBC – Southern Baptist Convention (11). Países que mais contribuem com missionários: EUA (517), Alemanha (104), Brasil (64), Inglaterra (55), Suécia (52).

9. Desafios para evangelismo:

a) Áreas rurais pequenas cidades, que têm sido menos atingidas pelo reavivamento.

b) Os judeus calculados em 500.000, a maioria em Buenos Aires, altamente secularizados mas mostram interesse pelo evangelho. Até agora, pouco tem sido feito, mas a JFJ – Jews for Jesus, Ministérios de Pessoas Escolhidas e outras 10 missões têm ministério com judeus.
 

c) A sofisticada classe alta da capital, que tem sido difícil para ser alcançada pelo evangelho.
 

d) O pobre urbano. As igrejas locais estão se esforçando para atender as necessidades sociais entre eles, mas o desafio é enorme.
 

e) Estudantes universitários cujo número chega a 902.000, sendo que mais da metade está em Buenos Aires. Existem poucos estudantes testemunhando ativamente; ore pelo pessoal e grupos da IFES – International Fellowship of Evangelical Students.

10. A visão missionária da igreja Argentina é pequena mas está crescendo com um interesse significativo pela Espanha e norte da África. A crise econômica e a hiperinflação têm dificultado a manutenção do sustento missionário. O comitê da COMIBAM – Comissão Missionária Ibero Americana - tem uma grande tarefa interdenominacional em estimular e facilitar a visão para missões. Ore para que pastores e igrejas tenham uma visão pelos povos não alcançados do mundo.


Na América Latina, a República Federativa da Argentina é o segundo maior país em área, após o Brasil; e o quarto em população, depois do Brasil, México e Colômbia. O país está situado na extremidade meridional da América do Sul, cobrindo uma grande faixa de terras com 2,7 milhões de quilômetros quadrados, estendendo-se do Trópico de Capricórnio ao extremo sul do continente a 1.100 quilômetros de distância da Antártida. A Argentina reivindica uma porção daquele continente, como também as Ilhas Falkland (Malvinas) e outras ilhas do Sul do Oceano Atlântico. O país faz fronteira com o Chile no oeste e sul; a Bolívia e Paraguai no norte; e Brasil, Uruguai e o Oceano Atlântico no leste. O idioma oficial da Argentina é o espanhol. O país foi colonizado do século 16 ao 18 por colonos da Espanha e de outras partes de América do Sul. Emigrantes de muitos países europeus, inclusive da Itália e da Alemanha, se instalaram nas planícies centrais e sul durante o século 19. A agricultura, baseada em grão e gado, se tornou o fator dominante na economia argentina e para a maioria de suas exportações. A indústria e o comércio não manteve o ritmo suficiente para acompanhar o crescimento populacional do país. No final da década de 90 a instabilidade econômica agravou-se fazendo com que toda a economia entrasse em colapso. A capital federal é Buenos Aires.

Território e recursos

A paisagem argentina estende-se numa inclinação que se projeta desde a Cordilheira dos Andes ao Oeste, para a costa Atlântica no leste. A fronteira ocidental com o Chile segue os desenhos dos altos cumes dos Andes, com altitudes que ultrapassam os 6 mil metros ao norte para menos de 1.500 metros na "Tierra del Fuego" à costa sul do continente. Uma dessas montanhas, o Aconcágua, é o pico mais alto da América do Sul com a altitude de 6.959 metros.  Partindo do sistema andino em direção ao leste, o território é formado por uma planície que desce gradativamente até o nível do mar. No norte, as planícies argentinas ocupam a parte meridional da região do Chaco. Os Pampas englobam as regiões agrícolas mais produtivas do país. A Patagônia é formada por planaltos escalonados, vales fluviais baixos e serras.

Rios com extensão e volume d'água consideráveis fluem pela Argentina. Os principais rios são o Paraná, o Uruguai, o Paraguai e o Rio da Prata (confluência do Paraná com o Uruguai). As cataratas do Iguaçu encontram-se no rio homônimo. Também são importantes os rios Negro, Colorado, Mendoza, Diamante, Pilcomayo, Bermejo, Dulce e Salado. Entre o Salado e o Colorado, vários rios desembocam em salitrais e pântanos ou desaparecem sob a terra. São numerosos os lagos, destacando-se o Esquel e o Calafate.

O clima da Argentina é predominantemente temperado, com exceção de uma pequena faixa tropical, a noroeste, e da região subtropical do Chaco. Nas proximidades do Trópico de Capricórnio, as temperaturas são altas. O clima é frio nos Andes, na Patagônia e na Terra do Fogo.

A vegetação natural varia muito: na quente e úmida região do noroeste, a vegetação é tropical; nos Pampas e em boa parte da Patagônia não existem árvores, a não ser variedades resistentes à falta de umidade; nos Andes Patagônicos encontram-se densos bosques; as ramificações andinas da Patagônia e zonas da Terra do Fogo são povoadas por florestas de coníferas; as áridas regiões andinas do noroeste argentino são cobertas de cactos e outras plantas espinhosas.

População e governo

Cerca de 85% da população descende de europeus. Porém, os primeiros habitantes a viverem na região onde hoje corresponde o território da Argentina foram numerosos grupos indígenas. Os mais importantes pertenceram às tribos Guarani. Um grupo de nômades indígenas estabeleceu-se nos pampas. Ao obterem cavalos de invasores espanhóis, estes índios prosperaram tornando-se oponentes dos conquistadores europeus. Tribos se espalharam, habitando o território andino desde o norte em direção ao sul. Porém, a maioria dos nativos foi morrendo aos poucos devido a guerras e doenças ocasionadas pela invasão espanhola que começou em 1516. Hoje, os índios ou mestiços somam apenas 3% da população. Apesar de terem sido feitas várias estimativas para a população indígena antes da conquista espanhola, um número mais otimista calcula em 300 mil o número atual de índios argentinos. Atualmente, a Argentina é habitada por um grupo numeroso de descendentes europeus.

Um aspecto interessante de ser observado na história do país é que os escravos africanos nunca foram importantes durante o período colonial da Argentina, ao contrário do seu vizinho Brasil, por exemplo. Isso se deve ao fato de que nem a mineração, nem a agricultura tiveram um papel significante na economia colonial. Da mesma forma, como chegaram os colonos europeus, uma população branca logo ficou predominante.

A população em 1995 era de 34.264.000 habitantes, com uma densidade de 12 hab/km2. A cidade mais importante é Buenos Aires, com 2.965.403 habitantes (somando-se o aglomerado denominado ‘Grande Buenos Aires’ ou região metropolitana, a sua população ultrapassa os 11 milhões de habitantes). Outras cidades são: Córdoba com 1.148.305 habitantes, o porto fluvial de Rosario com 894.645 habitantes, La Plata com 644.155 habitantes, Mar del Plata com 523.178 habitantes, San Miguel de Tucumán com 626.143 habitantes, Salta com 373.857 habitantes e Mendoza com 121.739 habitantes.

O espanhol, como já foi dito, é o idioma oficial, mas em algumas localidades falam-se línguas indígenas. Mais de 92% da população é católica. Existem minorias judaicas, protestantes e de outras religiões cristãs e não-cristãs.

Segundo a Constituição de 1853, a Argentina é uma república federativa governada por um presidente. Depois do golpe de Estado de 1966, foram suspensas todas as garantias constitucionais; a Constituição de 1853 só foi restabelecida em 1983.

Economia

A Argentina foi tradicionalmente um dos países mais próspero da América Latina. Ao contrário dos seus vizinhos, o país desenvolveu uma indústria forte e uma agricultura avançada. Porém, a economia foi sofrendo o desgaste provocado por uma severa inflação que foi agravando-se cada vez mais desde o início da década de 80. Essa condição ficou ainda pior, após uma sucessão de governos instáveis e problemas políticos internos e externos.

Atualmente a economia do país baseia-se na produção agrícola e na pecuária. A Argentina é uma das principais nações produtoras de carne, cereais e azeite do mundo. Apesar dos retrocessos da década de 1980, a exportação de gado desempenha importante papel no comércio internacional. Também produz e exporta grande quantidade de lã.

Os pesqueiros argentinos, potencialmente muito produtivos, não são plenamente explorados. Embora o país disponha de grande diversidade de reservas de petróleo, carvão e metais variados, a mineração não tem recebido muita atenção. Somente nas últimas décadas houve um aumento na produção de petróleo e carvão. A produção de gás natural também é importante.

O parque industrial concentra-se em Buenos Aires. O setor mais importante e antigo é o de processamento e embalagem de produtos alimentícios, seguido pelo setor têxtil.

Fatos históricos

O nível de desenvolvimento da civilização indígena antes da chegada dos primeiros colonizadores europeus, no início do século 16, não era comparável ao que havia chegado os Astecas, Maias ou os Incas. Os índios que habitavam a região onde hoje constitui o território argentino eram caçadores nômades, enquanto outros cultivavam pequenas lavouras com técnicas rudimentares. Em 1516, o espanhol Juan Diaz de Solís chegou ao grande estuário do Rio da Prata. A colonização da região foi iniciada em 1535 pelo espanhol Pedro de Mendoza; seus esforços para estabelecer uma colônia permanente foram dificultados pela hostilidade dos nativos.

Santiago del Estero, fundado em 1553, foi o primeiro assentamento permanente em território argentino. Em 1580 Juan de Garay funda Buenos Aires que, em 1776, torna-se capital do vice-reino do Prata formado pelos territórios atuais da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Desde o início do século XIX, os membros da colônia participaram de forma ativa do movimento de independência que começara a se irradiar pela América do Sul e que alcançou seu apogeu após o destronamento do rei espanhol Fernando VII em 1808. Instaurou-se então um governo provisório que depôs o vice-rei e lançou uma campanha para ampliar a revolução. Em 1813, a parte libertada do vice-reinado dividiu-se em 14 províncias. José de San Martín e Carlos de Alvear assumiram o comando do exército rebelde.

Entre 1810 e 1815, sucederam-se vários governos com as mesmas funções do vice-rei. A declaração oficial de independência aconteceu em 1816 no Congresso de Tucumán. Nasceram ali, no dia 9 de julho, as Províncias Unidas do Rio da Prata, sob Juan Martin de Pueyrredón. Durante os próximos anos seguiu um período de conflitos intensos que culminou numa guerra com o Brasil, resultando na independência da província Cisplatina, que se tornou um Estado soberano com o nome de Uruguai.

O regime unitário fracassou e voltou-se à antiga forma de governo, na qual cada província se autogovernava. A luta entre federais e unitários ocasionou diversas guerras civis. Em 1829, Juan Manuel de Rosas foi eleito governador de Buenos Aires e conseguiu a pacificação; deixou o seu pensamento na Carta da Fazenda de Figueroa e proclamou uma Constituição nacional. O país viveu sob seu regime ditatorial durante 17 anos.

Em 1852, o também federalista Urquiza, depois da batalha de Caseros contra Rosas, conseguiu reunir um Congresso Geral Constituinte que promulgou a Constituição de 1853. Formou-se, de um lado, a Confederação Argentina — que tinha a cidade do Paraná como capital e Urquiza como Presidente — e, do outro, a província de Buenos Aires, que não proclamou sua independência nem se uniu à Confederação. Essa situação se prolongou por dez anos. Pelo Acordo de San José de Flores, Buenos Aires comprometeu-se a fazer parte da Confederação. Em 1862, realizaram-se eleições e Bartolomeu Mitre foi eleito presidente.

Em 1866 o Paraguai inicia uma campanha procurando expandir seu território em direção ao Oceano Atlântico - obviamente, ocupando a área dos países vizinhos. Numa sangrenta guerra aliada ao Brasil e Uruguai, entre 1866 e 1870, os exércitos dos três países invadiram o Paraguai e massacraram três quartos da população local.

Entre 1862 e 1880, sucederam-se os governos de Mitre, Sarmento e Avellaneda, que lançaram os fundamentos para a construção da nacionalidade. Incorporou-se o norte da Patagônia, proclamou-se Buenos Aires capital federal e fundou-se a cidade de La Plata.

Em 1880, Julio Argentino Roca foi eleito presidente; a Argentina fez grandes progressos, transformando-se em uma das principais nações exportadoras de matérias-primas. Em 1912, promulgou-se uma lei pela qual o voto passou a ser secreto e obrigatório para a população masculina. Em 1916, sob a vigência da nova lei, Hipólito Yrigoyen elegeu-se presidente e governou até 1930.

A crise econômica mundial que estourou em 1929 teve graves repercussões na Argentina. Em 1930, os conservadores deram um golpe militar fascista. Iniciou-se o período denominado de ‘Década Infame’, caraterizado pela fraude eleitoral e pela corrupção. Nas eleições de 1936, os candidatos do governo triunfaram. Não obstante, o presidente Roberto Maria Ortiz procurou fortalecer a democracia. Com o início da II Guerra Mundial, Ortiz proclamou a neutralidade da Argentina.

Em 1940, Ortiz delegou temporariamente o poder ao vice-presidente Ramón Castillo, que abandonou a linha política de seu predecessor. A Argentina e o Chile foram os dois únicos países americanos que se negaram a romper relações com as potências do Eixo.

Em seguida à demissão de Ortiz em 1942, um grupo militar depôs o seu sucessor Castillo, dissolveu os partidos políticos e fechou os jornais de oposição. Sob a pressão do isolamento econômico imposto pelos Estados Unidos, em 1944 a Argentina rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e o Japão.

Uma Junta Militar dos chamados ‘coronéis’, entre os quais se encontrava Juan Domingo Perón, obrigou o presidente a se demitir. O país se manteve neutro enquanto durou a incerteza sobre o desfecho da guerra. Em março de 1945, quando a vitória dos Aliados na Europa estava assegurada, ele declarou guerra à Alemanha e ao Japão. A Argentina foi membro fundador das Nações Unidas (ONU).

A retomada das atividades políticas caraterizou-se pelo surgimento dos peronistas, grupo que contava com o apoio sobretudo dos setores mais desfavorecidos da classe trabalhadora rural e urbana. As eleições deram a vitória a Perón, casado com a antiga atriz Eva Duarte. Adorada pelas massas, ela influiu no estabelecimento do sufrágio universal (que consagrou a integração da mulher na vida política) e foi a responsável pela popularidade do regime. Perón elaborou um plano qüinqüenal para a expansão da indústria e melhorou as relações com os Estados Unidos.

A partir de 1949, as críticas contra o regime começaram a aumentar. Vários opositores foram encarcerados e o Congresso adotou novas medidas de represália, como a eliminação da imprensa de oposição. Antes das eleições de 1951, os partidos de oposição sofreram severas restrições. Perón foi reeleito por ampla maioria.

Em 1953, o governo lançou um segundo plano qüinqüenal e formalizou importantes acordos econômicos e comerciais com diversos países, o que resultou em uma balança comercial favorável, interrompendo a série de saldos negativos desde 1950. Mas a pressão inflacionária não cedeu. Nesse período, a Igreja passou a ser o baluarte da oposição e numerosos templos foram incendiados.

Em 1955, ocorreu a chamada ‘Revolução Liberdadora’. Perón demitiu-se e exilou-se. O líder dos insurretos assumiu a presidência provisória, mas dois meses depois o novo governo foi deposto por um golpe militar. Em 1956, esmagou-se uma rebelião peronista e centenas de pessoas foram encarceradas. Em 1958, realizaram-se eleições presidenciais, e Arturo Frondizi chegou à presidência com o apoio de peronistas e comunistas. Sobreveio uma certa estabilidade econômica graças à ajuda e a empréstimos externos.

Nas eleições de 1962, os peronistas — cuja participação política voltara a ser permitida — conseguiram 35% dos votos. Frondizi foi deposto pelos militares depois da famosa entrevista secreta com Che Guevara. No seio das Forças Armadas, acendeu-se a luta entre os antiperonistas e anticomunistas mais ferrenhos (os colorados) e a facção constitucionalista (os azuis). Em 1966, um golpe militar estabeleceu uma Junta que foi responsável pela nomeação de três presidentes sucessivos. Anunciou-se um programa econômico para controlar a inflação, mas em 1972 o país foi envolvido em uma onda de violência que provocou uma nova crise econômica.

Os peronistas triunfaram nas eleições de 1973 e Héctor José Cámpora assumiu a presidência. A escalada terrorista exacerbou-se e as divisões entre peronistas contribuíram para generalizar a violência.

Perón foi reeleito presidente com mais do 61% dos votos. Morreu em 1974 e foi sucedido pela segunda mulher, Maria Estela Martinez de Perón  (Isabelita Perón), que era vice-presidente e foi a primeira mulher a chegar ao governo de um país latino-americano. A situação política e econômica deteriorou-se rapidamente. Depois de repetidas crises governamentais, em 1976 uma Junta Militar dirigida pelo tenente-general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso, impôs a lei marcial e governou por decreto.

Foram numerosos os assassinatos e desaparecimentos por razões políticas. A economia continuou caótica. Em 1981, sucederam-se dois presidentes. O governo do tenente-general Leopoldo Galtieri conseguiu o apoio quase unânime da sociedade civil em 1982 ao ocupar as ilhas Malvinas. Entretanto, a Grã-Bretanha as recuperou depois da curta Guerra das Malvinas e Galtieri foi substituído.

Em 1983, com uma dívida externa sem precedentes e uma inflação superior a 900%, a Argentina realizou eleições presidenciais. O vencedor foi o candidato da União Cívica Radical (UCR), Raúl Alfonsín. A nação voltou à democracia, reorganizaram-se as Forças Armadas, antigos dirigentes militares e políticos foram levados a julgamento por violação dos direitos humanos, renegociou-se a dívida externa, executou-se uma reforma fiscal e estabeleceu-se uma nova moeda. A inflação continuou alta. Em 1989, o candidato peronista Carlos Saúl Menem foi eleito presidente. Pela primeira vez desde 1928, um presidente civil não foi derrubado pelas Forças Armadas. Menem impôs um duro programa de austeridade. No início da década de 1990, o seu governo dominou a inflação, equilibrou o orçamento, vendeu empresas estatais a investidores privados, renegociou a dívida e impulsionou a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Porém, a pobraza continuou e o número de desempregados não teve grande queda.

O último presidente eleito, Fernando De La Rua, não conseguiu fazer o "milagre" econômico que os argentinos tanto precisavam. A economia do país estava desgastada e o povo já estava descontente. Ondas de saques, protestos e tumultos nas ruas pipocaram de norte a sul do país, enquanto uma onde de quebradeira tomava conta do comércio e indústria local. Para tentar evitar um conflito mais sério, o governo decretou estado de sítio, em dezembro de 2001. Mesmo assim, não conseguiu conter o povo revoltado, que partiu para as ruas numa onda generalizada de protestos, quebra-quebra, saques e confronto com a polícia. O conflito resultou em dezenas de mortes, feridos e presos, além da renúncia do Presidente Fernando De La Rua.     


Para maiores informações:
Patrick Johnstone, INTERCESSÃO MUNDIAL

Enciclopédia Multimídia Microsoft ENCARTA

Almanaque ABRIL, editora Abril

Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.