Ricardo Miranda
Os povos de lngua rabe que vive no leste, simplesmente o chamam de "O Magreb" ("O Oeste"). Mas para os cristos, o Norte da frica mais conhecida como a "Terra da Igreja Desaparecida".
A Igreja no Norte da frica, nasceu no mesmo dia em que nasceu a igreja global nos pases que hoje conhecemos como a Lbia pelas pessoas que pela primeira vez trouxeram as notcias daquele memorvel Pentecostes (AT.2:10). Elas foram logo seguidas por outras que se demoraram em Jerusalm para poder ficar mais tempo em companhia dos apstolos e de outros cristos que se encontravam ali. "Diariamente perseveravam unnimes no templo, partiam o po de casa em casa, e tomavam as suas refeies com alegria e singeleza de corao" (AT. 2:46).
Algum tempo depois, chegaram costa da Lbia notcias de que Pedro, tinha visitado um centurio romano, e os gentios da casa tinham recebido a salvao de Deus e o dom do Esprito Santo, do mesmo modo que acontecera com os judeus. Os gentios do Norte da frica romanos e berberes ouviram com grande interesse como os apstolos e os ancios em Jerusalm recebiam homens e mulheres como eles mesmos na igreja de Cristo.
O cristianismo , portanto, parte fundamental na rica herana norte-africana. O caminho de Cristo era conhecido e amado bem antes de alcanar o norte da Europa e Amrica. O evangelho criou razes no Norte da frica. No primeiro sculo era uma f vulnervel de uma minoria perseguida. Durante trezentos anos os brberes ouviram e responderam a palavra de Deus no por causa do poder dos romanos, mas apesar dele. Os governadores e magistrados romanos fizeram o que puderam para suprimir a f, destrurem seus lideres e foraram os seus seguidores a voltar aos templos pagos. Uma torrente de leis rigorosas, editadas desde os mais altos escales de uma srie de imperadores tiranos, tinha como finalidade erradicar o cristianismo da face da terra.
Mesmo assim, as igrejas do Norte da frica floresceram nesses anos de perseguio. Tertuliano, lder da igreja no sculo IV, escreveu: "Apesar da mais forte oposio, terror e perseguio, os cristos mantiveram sua f inabalvel, acreditando que Cristo ressuscitou, que todos os homens ressuscitaro a seu devido tempo e que o corpo viver para sempre". Tamanha foi f deles, e to efetivo o seu alcance que, depois de trs sculos, a maior parte do territrio hoje conhecido como Tunsia e grande parte da Arglia se tornaram crists.
Os novos crentes realizaram esse maravilhoso feito, mediante o testemunho pessoal sem rdio, cursos por correspondncia, fitas de vdeo ou qualquer outra literatura. O Norte da frica, produziu muito dos mais clebres mrtires, e alguns dos maiores telogos, incluindo trs dos mais notveis escritores cristos de todos os tempos: Tertuliano, Cipriano e Agostinho. Suas palavras permaneceram e so ouvidas por ns at hoje.
Nos sculos IV e V, entretanto, este espetacular crescimento do cristianismo foi seguido de um notvel colapso. As igrejas que estavam bem estabilizadas para levar o evangelho atravs da frica falharam, tropearam, e desapareceram sem deixar vestgios. Elas fracassaram completamente em capitalizar a liberdade a elas oferecidas pelo Edito de Milo em 313 A.D. Quando invasores vndalos e rabes chegaram nos sculos V e VII, as igrejas foram completamente incapazes de oferecer algum tipo de resistncia, ou mesmo de sobreviver introduo de novos sistemas religiosos.
Porque a Igreja sucumbiu:
Clericalismo: A Igreja discipulou um grupo que sozinho tinha o direito de ensinar, e tomar todas as decises deixando os novos na f passivos. Falharam no controle organizacional no criando uma nova liderana.
Mundanismo: As igrejas passaram a tolerar a imoralidade; e os mpios riam deles.
Diviso: As igrejas eram confundidas e desmoralizadas por controvrsias internas; grupos rivais usando palavras amargas e mesmo violncia; as igrejas mergulharam rapidamente das alturas de conquistas at as profundas derrotas.
Politizao: As igrejas se envolveram com assuntos polticos e sociais que no tinham a ver com o evangelho de Cristo. Aliana dos donatrios que apareceu durante a perseguio de Diocleciano, entre 303 e 311 com grupos rebeldes, trouxe sucesso visvel um movimento de massas com amplo suporte popular. Contudo isto levou ao derramamento de sangue e represlias militares.
Falta de conhecimento bblico: As igrejas falharam em fazer da Bblia um instrumento disponvel e inteligvel s pessoas. Apenas usando uma linguagem culta assim s atingiam aqueles que estavam em centros urbanos cujos, os pais podiam mandar seus filhos para escola e assim aprendiam o latim.
Falta de Viso: As igrejas perderam a viso de Deus como seu alvo e de seu esprito de auto-sacrifcio. Com liberdade, favores reais e recursos para alcanar toda frica com o evangelho, as igrejas dos sculos IV e V falharam at mesmo em alcanar o Saara.
Passaramse sculos sem que se notasse uma presena visvel de cristos. Hoje em dia, existe um movimento renovado do Esprito Santo atravs do Norte da frica. Cristos de todo o mundo esto orando para que a assim chamada "Igreja Desaparecida" se torne visvel e vitoriosa em um futuro bem prximo.
O Deserto, uma caracterstica singular do Norte da frica
O Saara, maior deserto do mundo, com 8,6 milhes de quilmetros quadrados rea equivalente ao tamanho do Brasil, espalha-se pelos territrios de mais de doze pases do Sudoeste da frica, (rea conhecida como Sahel: Mali, Niger, Chade, Sudo, Senegal, Guine-Conacry, Guine-Bissau, Burkina Faso, Serra Leoa, Zmbia, Nigria, Rep. Centro Africana e Etipia). Diferentemente do que se imagina, apenas uma quarta parte dessa imensido coberta de areias, que formam intensos campos de dunas. O restante so montanhas e plancies, composta por uma variedade de rochas, cascalho, e naturalmente, areia.
Seu aspecto atual foi formado h cinco milhes de anos, mas antes desse perodo muitos lugares da regio receberam gua suficiente para se cobrirem de vegetao, onde viveram grandes mamferos. O Saara (em rabe, Sahara significa "deserto") uma das reas mais desabitadas do mundo. Porm, no h praticamente nenhum lugar onde exista um pouco de gua que no tenha sido ocupado pela gente do deserto.
Riquezas dos habitantes
Explica-se que a riqueza de um homem pode ser medida pela quantidade de cisterna que ele mantm. Furar um poo de 20 metros custa uns 30.000 dirhans (mais de 3.000 dlares) uma fortuna para quem vive no deserto mesmo assim no h garantia alguma de se encontrar gua. Em muitos dos vilarejos do deserto marroquino h reservatrio de gua construdo pelo governo, onde as pessoas podem retirar gratuitamente uma pequena poro diria. "Mesmo sendo difcil de encontrar, a gua obra de Al. No se pode cobrar por ela", diz um marroquino. Outra forma de averiguar se uma pessoa possui bens contabilizar seus camelos. O animal tem alto preo nos mercados do Saara: cerca de 1.200 dlares em Marrocos. Curiosamente, no osis de Temegroute, comum um ou dois camelos serem abatidos aos domingos para ter sua carne vendida nos aougues. Abater no seria exatamente a palavra, j que apenas o imam, um lder religioso, pode matar os animais. O ato, mais parecido com uma cerimnia ancestral de sacrifcio, s pode ser consumado ao amanhecer, logo aps a primeira orao do dia, com o imam, obrigatoriamente, voltado com sua face voltada para Meca, na Arbia Saudita.
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Principais pases do Norte da frica
Reino do Marrocos
um dos pases mais coloridos e exticos da frica do Norte. Sua posio privilegiada,pois fica a quarenta minutos de barco de Gibraltar (Espanha), coloca Marrocos, como uma ponte entre a frica do Norte e a Europa.
Marrocos a morada de alguns dos maiores povos e grupos no alcanados do mundo, e porque no dizer da frica do Norte. Para uma populao de trinta milhes, menos de mil cristos nacionais se renem em poucas dezenas de grupos de comunho, que so obrigados a se encontrar discretamente nas casas. Quatro grandes grupos de povos berberes, subdividindo-se em Jebala, Riff, Ishilhyan, cada um com mais de um milho de pessoas, esto sem uma nica assemblia de cristos com reunies na sua prpria lngua. Isto tem de ser mudado. Jesus deu a sua vida por estas pessoas e digno de sua adorao.
Povos: Berberes, subdividindo-se em Jebala, Riff, Ishilhyan sendo estes os principais.
Alfabetizao: Oficialmente de 30 a 44% na lngua oficial; lnguas faladas: rabe, francs e o ingls, que tambm muito usado, em um total de onze lnguas com as escrituras apenas 2 e 3 NT e 1 em processo de traduo.
Religio: Muulmanos 98,85; Cristos: 0,10% - Judeus 0,05%
Evanglicos: No h dados disponveis
Perseguio: ocupa a 23 posio.
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Repblica Democrtica e Popular da Arglia
Tendo 80% do territrio no deserto do Saara e uma faixa costeira no mar Mediterrneo. Onde h algumas terras frteis usadas para agricultura e na fronteira com Marrocos tendo as montanhas Altas que o bero dos berberes. 90 % da populao moram nestas montanhas e na sua maioria so nmades ou seminmades.
O Pas passa por uma recente luta de poder entre o exrcito e a Frente Islmica para Libertao da Arglia. A frente islmica insiste que o Isl a soluo, com a implantao da Sharia. Com isto mais de 100.000 pessoas j morreram, principalmente aqueles que professavam serem cristos.
Povos: 77% berberes adaptados cultura rabe. E outros berberes em torno de 22%; tambm muitos tuaregues marroquinos e outros.
Alfabetizao: 61.6%. Lngua: rabe, berbere, francs e o crescente uso do ingls; 25% falam uma lngua berbere. Total de lnguas: 17 e com as escrituras 2. 2 NT. 5 por terminar a traduo.
Religio: 96,68 Muulmanos; sem religio 3,02; cristos 0,29% - Bashai 0,01%
Evanglicos: 0,4%
Perseguio: 37 posio
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Repblica da Tunsia
o menor pas em territrio do Norte da frica.
Nos primeiros sculos da Igreja crist era grande o nmero de fiis, produzindo lderes como Tertuliano e Cipriano. Invases estrangeiras, falhas em no aprofundar as razes na cultura local, produzir a Bblia na lngua local e finalmente, a invaso do Islamismo causou o falecimento da igreja crist. A Tunsia tem muito a ver com os primrdios da era crist. Colonizada por fencios no sculo XII a.C., no sculo IV a.C. foi fundada a cidade de Cartago perto da moderna Tunis.
Povos: rabes 96,5 a 98,5% fazendo uma mistura de rabe e berberes e de descendentes rabes. Tornando se difcil determinar o grupo tnico.
Alfabetizao: 67 %. Lngua: rabe, porm o francs muito usado.
Religio: Muulmanos 99,66; cristos 0,22 %; judeus 0,02%
Evanglicos: No existe um percentual disponvel.
Perseguio: 28 posio
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Repblica rabe da Lbia
Popular e Socialista
A maior parte do seu territrio fica no deserto de Saara e poucas terras no mediterrneo so cultivveis.
Tem no petrleo sua principal fonte de renda a partir de 1959. Porm, a riqueza do petrleo tem financiado movimentos revolucionrios e promovido o islamismo em muitas naes.
Governado desde 1969, pelo polmico ditador militar Muammar Kadafi, a Lbia j sofreu um ataque militar declarado pela ONU na dcada de oitenta at o isolamento com o resto do mundo, visto que a Lbia tornou-se um aliado de Saddam Hussein. No final de 2004, a Lbia autorizou a ONU a visitar seu arsenal blico, numa estratgia de entrar no mercado de exportao de petrleo e com isto estruturar novamente o pas.
Povos: 35 % estrangeiros; 75% rabes; Berberes 9,4% Porm todos os dados so estimados.
Alfabetizao: 76% . Lngua : rabe. Tendo 11 outras lnguas.
Escrituras: S existe a Bblia completa em 2 lnguas; 2 com NT e 1 por terminar.
Religio: 96,50 Muulmanos; cristos 3,00%; Evanglicos 0,5%
Perseguio: 22 posio
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Repblica rabe do Egito
Tm apenas 3% de terras cultivveis, principalmente as margens do rio Nilo. Mesmo assim, tem perdido parte destas terras por razes do crescimento demasiado das cidades.
A mais antiga civilizao de que se tem notcia, porm, no tendo mais a sua lngua primitiva, que para alguns estudiosos do assunto era a "lngua copta".
No Egito aconteceram grandes fatos relatados na Bblia. O Egito faz parte da Bblia tal como Israel, porm o termo Egito para o cristianismo significa "escravido". Ainda hoje, milhares de egpcios tem sido escravos de satans no "celebro do Isl" - (celebro porque no Egito que so formados os intelectuais do islamismo e terroristas de elite). Aps a conquista muulmana, o domnio do fara ainda continua, porm em uma nova verso: Isl.
Dentro deste contexto, o Egito continua sendo o mesmo, entretanto, clamando por um avivamento, para que o celebro do Isl possa estar se destronando.
Povos: rabes 92%; Nbios: 2,4%; Berberes 2%; Outros .
Alfabetizao: 61%, mas a alfabetizao funcional est em torno de 35 e 40%. Lngua oficial: rabe, tendo outras 11 lnguas.
Escrituras: 3, 1 NT. e 2 por terminar.
Religio: Muulmanos 86, 52 %; Cristos 12%; Evanglicos 4,1%
A Igreja Presbiteriana do Cairo que o maior templo evanglico no mundo rabe.
hoje a Igreja Copta, o maior grupo denominacional do Egito, ainda nas mesmas caractersticas de seu fundador o apstolo So Marcos dos primeiros anos da igreja.
No h lei da Sharia no Egito mas grande o nmero de incidncia de conflitos entre evanglicos e muulmanos radicais.
Perseguio: 19 posio.
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Acreditamos que em todo o Maghreb Deus tem trabalhado. Vrios grupos cristos tm surgido em todos os pases do Magreb principalmente no Egito. Deus no quer que nenhum homem se perca e por isto, no inicio deste sculo, vrias agncias missionrias e juntas denominacionais tem se interessado em enviar obreiros para esta regio. L j existe uma igreja pequena que precisa de ajuda. "Envie-nos obreiros para nos ajudar, pessoas preparadas e junte-se a ns. No envie missionrios que ficam aqui e depois de alguns meses vo embora e nos deixam problemas." Este um apelo dramtico de um pastor egpcio relatado em um Vdeo da Misso Portas Abertas.
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O que fazer para cooperar e ver a igreja na frica do Norte renascer
Voc Pode Orar
Ore pelos lderes nacionais: Pea a Deus que lhes d sabedoria e foras para no desfalecerem. Procure com alguma organizao missionria informaes e se corresponda com um destes lderes. Conhecendo assim, melhor sua necessidade.
Ore pelos cristos em geral: Por coragem e para que tenham foras para passar por qualquer tipo de intimidao ou descriminao.
Ore pelos lideres polticos destes paises:
Arglia: Abdelaziz Boutefika
Lbia: Muhammar Kadaffi
Marrocos: Rei Mohamed VI
Tunsia: Zine Abdine Bem Ali
Ore pelos muulmanos: Para que eles possam conhecer o verdadeiro Al (Deus).
Ore por ministrios de comunicao: Para que toda transmisso via rdio ou TV alcance uma alma sedenta da palavra de Deus.
Voc pode contribuir
Contribua com alguma agncia missionria que for de sua inteira confiana, para uma contribuio especfica a algum missionrio enviado ou nacional.
Contribua com as necessidades da igreja nacional em alguns destes pases.
Voc pode ir
Plantando igrejas (grupos) em parceria com as lideranas locais.
Formando obreiros nacionais atravs de parcerias com institutos bblicos.
Atuando como profissional liberal, advogados, enfermeiros, mdicos.
Fazendo parceria de negcios.
Enfim, podemos fazer algo para ver o renascimento da igreja na frica do Norte.
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Fontes:
Livro Interseo Mundial
Caderno O Maghreb M. Horizontes
rabes Povos e Cultura - Portas Abertas (VHS)
Revista os caminhos da terra ano 9 n 3
Entre em contato com uma destas misses e conhea mais a frica do Norte.
Portas Abertas: www.portasabertas.org.br
Misso Horizontes: www.mhorizontes.org.br
Christian Aid: www.chistianaid.org