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Religio torna-se assunto nas eleies de julho no Camboja
Maior partido de oposio assume posio anti-crist
PORTAS ABERTAS -
Os cristos do Camboja temem que o assunto da
religio possa tornar-se um fator chave nas eleies nacionais marcadas para 27
de julho. Todas as trs eleies desde a volta da democracia em 1992 foram
desfiguradas pela compra de votos, intimidao e assassinato de importantes
figuras polticas.
No incio desde ano, Ken Huff, do projeto
evangelstico "Livro da Esperana", alegou que o principal grupo de oposio,
dirigido por Sam Rainsy, estava conduzindo uma campanha anti-crist. Huff
acreditava que o Partido Sam Rainsy (PSR) estava tentando ganhar votos falando
contra os cristos.
Bruce Hutchinson, coordenador dos Ministrios
Chamado Orao, explicou que um grupo sectrio alegou que os antigos templos
de Angkor Wat foram construdos por Jeov. Essa declarao foi usada pelo PSR
para instigar a oposio aos cristos e obter vantagem poltica. "Num pas que
reage extremamente a boatos, e est desenvolvendo uma cultura de nacionalismo
baseado em suas razes culturais e budistas, isso algo que preocupa", disse
Hutchinson.
A maior parte dos 12,4 milhes de habitantes do
Camboja budista. Entretanto, suas crenas so uma mistura de antigas
tradies khmer, budista e hindu, centradas no complexo de antigos templos de
Angkor Wat, que o lar espiritual de "Angka", uma misteriosa figura divina
que acredita-se ter poder supremo sobre o povo.
"Existe uma profecia budista do retorno da
capital para Siem Reap, onde est localizado Angkor Wat", disse o missionrio
local, Ros Sokhum. Muitos acreditam que a restaurao de Angkor Wat trar nova
paz e prosperidade ao Camboja, e explica porque a alegao da seita ter sido
vista como uma ameaa identidade nacional do Camboja.
Nmero de cristos cresce e preocupa lderes
budistas
O governo cambojano estima oficialmente que 100
mil cristos adoram em mais de 200 igrejas registradas. Entretanto, a
Associao Evanglica do Camboja (AEC) diz que o nmero est mais prximo de
130 mil cristos que se renem em aproximadamente 2.000 pequenas igrejas
espalhadas pelo pas.
Na poca da primeira eleio em 1992, restavam
somente 200 cristos no Camboja, reunindo-se num punhado de igrejas
clandestinas. O crescimento desde ento tem sido enorme e causa grande
preocupao aos lderes da maioria da populao budista.
A liberdade religiosa protegida pelo Artigo 43
da Constituio, mas os cristos enfrentam com freqncia perseguio e
oposio, particularmente nas reas rurais. A f deles tida como uma ameaa
pelos chefes de vilarejos e pelas autoridades budistas locais.
No incio de maro de 2003, o Ministrio de
Seitas e Religio emitiu uma nova "ordem disciplinar" para controlar as
atividades das "religies de fora". De acordo com um artigo do Cambodia Daily,
de 8 de maro, o objetivo dessa nova determinao era evitar "o conflito
religioso" entre o budismo e outras religies.
Nas palavras da norma, "So proibidas todas as
atividades pblicas de proselitismo. Os cristos no tm permisso para
exercer o proselitismo dos cidados, batendo s suas portas ou esperando-os,
dizendo o Senhor est voltando, o que uma interrupo da vida diria ou
pode ser uma intromisso privacidade da comunidade".
Chea Savoeun, Ministro de Seitas e Religio,
falou ao Cambodia Daily que pessoas haviam se queixado ao Ministrio a
respeito desse assunto. De acordo com Savoeun, grupos cristos foram acusados
de "olhar com desprezo" outras religies e perturbar as pessoas em suas casas.
A determinao advertia tambm os grupos
missionrios e os cristos locais a no falar de sua f com crianas ou tentar
convert-las.
Entretanto, o Partido Popular do Camboja (PPC),
presidido pelo Primeiro Ministro Hun Sem, mantm um relacionamento aberto com
os missionrios cristos e agncias de ajuda, porque a contribuio atravs do
trabalho social e a ajuda financeira para o desenvolvimento vital para a
recuperao da economia do Camboja.
Eleies
O Instituto Republicano Internacional (IRI),
baseado nos Estados Unidos, realizou uma srie de avaliaes prvias
eleitorais em abril em Phnom Penh e sete provncias. O relatrio mostrou muita
intimidao do eleitor provincial. De acordo com o IRI, "os eleitores
receberam ameaas de chefes dos vilarejos e das autoridades locais cuja
manuteno de seus empregos ou terra est ligada ao seu apoio a certos
partidos".
Um relatrio da Human Rights Watch (HRW)
publicado no dia 13 de junho apelou ao PPC para que investigue os recentes
incidentes, como o assassinato do membro do partido de oposio, Om Radsady. A
HRW pediu tambm ao governo para dar livre acesso a todos os partidos de
oposio aos meios de comunicao e suspender a proibio a reunies pblicas
e comcios polticos que antecedem as eleies.
"A no ser que sejam implementadas mudanas, os
cambojanos iro s urnas com o mnimo de informao sobre as escolhas
polticas e com receio de que sua segurana influencie o seu voto", disse
James Ross, assessor legal da HRW.
O pastor Barnabas Mam, membro da diretoria da
HRW, disse que os cristos estavam juntando suas denominaes para orar pelo
futuro do Camboja. Longe de causar diviso e conflito religioso, eles querem
levar restaurao e reconciliao a um pas ainda sitiado pelo medo.
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