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Arábia Saudita prende dois cristãos africanos em Jidá

Um etíope e um eritreu colocados na lista de deportação

PORTAS ABERTAS - Dois homens africanos, presos na cidade portuária saudita de Jidá acusados de "atividades cristãs", foram informados no dia 12 que estão na lista para serem deportados para a Etiópia e Eritréia, seus países de origem.

Girmaye Ambaye, 44, da Eritréia, foi detido no escritório do seu empregador no dia 25 de março. O etíope Endeshawe Adana Yizengaw, 32, foi detido na rua, perto de sua casa no dia 27 de abril.

Desde então os dois cristãos estão presos no centro de deportação de Bremen em Terhil, no setor antigo de Jidá. Ambos eram atuantes no ministério da congregação cristã etíope-eritréia de Jidá até que suas autorizações de residência foram revogadas pela polícia saudita, que depois os prenderam.

"Eu penso que em dois dias eu chego à Etiópia", disse Yizengaw a Portas Abertas na 3a.feira (13/5) da Cela 4 de Bremen. Falando por telefone, o cristão etíope disse que foi informado que será mandado de volta para a capital etíope, Adis Abeba, hoje (15/5) ou, no mais tardar, no sábado, dia 18.

Mas seu colega cristão, Ambaye, talvez demore vários dias para ser deportado para Asmara, capital da Eritréia, disse ele, porque o seu passaporte e demais documentos ainda estão sendo providenciados pela Governadoria de Meca.

"O motivo pelo qual eles estão nos mandando de volta é por sermos cristãos", disse Yizengaw. "Temos servido a Jesus Cristo aqui na Arábia Saudita".

No dia 6 de maio, um oficial do consulado etíope em Jidá disse ao grupo cristão de advocacia Preocupação com o Oriente Médio que Yizengaw tinha sido detido "devido suas atividades cristãs".

Ambaye foi abordado na manhã de 25 de março por dois homens eritreus, que lhe disseram que o seu patrão queria conversar com ele. Ele os acompanhou ao escritório do patrão, e lá foi preso assim que chegou e foi levado para a prisão de Bremen.

De acordo com o Preocupação com o Oriente Médio, um mês antes de sua detenção, a polícia local forçara Ambaye a tirar as impressões digitais e assinar um documento em árabe. Apesar de Ambaye ter vivido na Arábia Saudita por cerca de 12 anos, ele não sabe ler a língua árabe.

Quando Yizengaw conseguiu visitar Ambaye na prisão, este o advertiu que as autoridades sauditas estavam perguntando por ele. Logo depois, um vendedor de carros recusou-se a transferir um carro para o nome de Yizengaw, dizendo que ele tinha "um problema" com a autorização de residência. O etíope checou com a secretária do seu patrão, que confirmou que a polícia havia cancelado a permissão de residência de Yizengaw e que estava procurando por ele.

A polícia, ao que se sabe, falou com o patrão de Yizengaw que o cristão etíope era "suspeito de envolvimento" em prostituição, venda de álcool e drogas, ajudar o governo dos Estados Unidos divulgar o cristianismo e tentar converter muçulmanos. Entretanto, desconhece-se que algumas dessas alegadas acusações tenham sido oficialmente apresentadas contra Yizengaw.

De acordo com o próprio Yizengaw, ele estava voltando para casa das comemorações da Páscoa Ortodoxa por volta das 3h00 da tarde de 27 de abril, quando cerca de 14 policiais sauditas o cercaram na rua perto de sua casa. Ele disse que foi esmurrado e chutado durante a detenção, e que eles vasculharam sua casa e pegaram alguns de seus livros e fitas cassetes antes de o levarem.

"Foi uma noite muito dura a que passei", escreveu Yizengaw a respeito de sua detenção, numa carta recebida na 3a.feira (13/5) por um membro de sua congregação. Depois que a polícia acabou de interrogá-lo no dia seguinte, ele foi mandado para o centro de deportação. Ele ficou preso num bloco de celas com Ambaye durante as duas últimas semanas. Ontem ele foi transferido para a Cela 4, à espera da deportação.

As autoridades sauditas mantinham a congregação etíope-eritréia de Jidá sob clara vigilância desde que 11 de seus membros foram incluídos entre os 14 cristãos estrangeiros presos no outono de 2001 e mantidos presos durante mais de cinco meses. Pelo menos uma dúzia de membros foram interrogados nos últimos meses a respeito do seu envolvimento nas atividades da igreja e advertidos para que deixassem de freqüentá-la.


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