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Epidemia de
Aids na África atinge proporções alarmantes
Estima-se que 1/4 da
população do continente esteja infectada. Oito novos casos são registrados a
cada minuto
Desde a sua identificação, em 1981, a Síndrome de
Deficiência Imunológica Adquirida, mas conhecida como Aids, já matou 22 milhões
de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se
mantidos os atuais índices de mortalidade, a doença matará mais de 50 milhões de
pessoas até 2010. Estima-se que ocorram 8 mil novos casos de contaminação por
dia em todo o mundo.
Atualmente, 36 milhões de pessoas estão com Aids,
dos quais 25 milhões somente na África. Se a situação mundial é alarmante, nesse
continente ela está se tornando um flagelo. A taxa de infecção é de oito novos
casos por minuto. A doença é o principal fator de contribuição para a
mortalidade nos países africanos.
Calcula-se que até um quarto da população africana
seja portadora do vírus HIV. Segundo o pastor Lauro Mandira, missionário da JMM
na África do Sul, os números apresentados pelas autoridades nem sempre
correspondem a realidade. “Em geral, os médicos não anunciam a real causa da
morte, como é o caso de Moçambique”, explica.
Sul bate recordes de
contaminação
Calcula-se que no final de 2001 havia 25,3 milhões
de africanos convivendo com HIV. Nessa altura, a Aids já havia ceifado mais de
17 milhões de vidas desde que surgiu, á 20 anos. Mais do triplo do total de
mortes no resto do mundo. As taxas de contaminação entre adultos atingem números
alarmantes e o Sul do continente africano é, de longe, a região mais afetada do
planeta.
Na África do Sul a doença atinge 16% da população.
Na Namíbia e na Zâmbia, o percentual chega a 20%. No Lesoto, 24% da população
estão infectados com o vírus causador da Aids. Na Suazilândia, um quarto dos
habitantes têm o vírus HIV. No Zimbábue, o número chega a 32%. Mas o recordista
da tragédia é Botsuana: calcula-se que 36% dos betchuanas estão desenvolvendo a
doença.
Nos outros locais da África Oriental – Djibuti,
Etiópia ou Quênia, por exemplo -, as taxas de contaminação não estão como nos
países citados, mas mantêm-se nos dois dígitos. Em diversos países da África
Meridional, pelo menos um em cada cinco adultos tem Aids.
Uganda é o único país africano que inverteu o
curso da epidemia. O seu esforço extraordinário de mobilização nacional reduziu
a taxa de prevalência do HIV entre os adulos de cerca de 14%, no início da
década de 1990, para 8%, em 2000. Na África Ocidental, o Senegal conseguiu
reduzir a transmissão da doença e na populosa Nigéria o percentual de
contaminação atinge os 5% da população.
Países como a Botsuana e a África do Sul
redobraram os seus esforços para conter a epidemia, mas terão de passar-se
muitos anos até que dêem resultado. Em 2000, a taxa de mulheres grávidas
contaminadas com o vírus HIV, na África do Sul, atingiu 24,5%, elevando para 4,7
milhões o total estimado de sul-africanos aidéticos.
Na África, o número de mulheres portadoras do
vírus HIV supera em 2 milhões ao de homens que convivem com a doença. No final
de 2000, estimava-se que 1,1 milhão de crianças com menos de 15 anos viviam com
o HIV, infectadas sobretudo por transmissão da mãe.
Epidemia faz expectativa de vida
diminuir
De um modo geral, os países que têm assistido ao
avanço da Aids estão fazendo projeções nada animadoras quanto a média do tempo
de vida de sua população. A situação é mais crítica na África Subsaariana, ao
sul do continente. Em virtude da doença, a expectativa de vida nessa região
continuara caindo, passando dos 59 anos, registrados no início da década de
1990, para apenas 42 anos entre 2010 e 2015.
O caso mais dramático é o de Botsuana, onde a
expectativa de vida deverá retroceder para 36 anos até 2005. Em apenas um ano a
África do Sul viu diminuir a expectativa de vida de sua população em quase dez
anos – de 51,5 anos para os homens e de 58 anos para as mulheres para 46,5 e
48,3 anos, respectivamente.
O Zimbábue – onde um adulto, em cada quatro, está
infectado pelo vírus HIV – também projeta diminuição no tempo de vida dos seus
habitantes, passando de 44,5 anos para 43 anos. Moçambique não apresentou
nenhuma estatística recente, mas acredita-se que o índice de contaminação pelo
vírus HIV seja grande, pois as estatísticas de mortalidade, tanto de crianças
quanto de adultos, apresentou números altíssimos. Nesse país, a expectativa de
vida despencou de 44,5 para apenas 38 anos.
Continuando a crescer rapidamente, a epidemia de
Aids compromete ainda o desenvolvimento social e econômico de quase todo o
continente. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi
Annan, na Conferência Internacional Sobre Aids, realizada em julho de 2001, em
Nova Iorque, defendeu os direitos dos portadores do vírus desse doença e lançou
um apelo para que os governos parem de estigmatizá-los. “Toda pessoa infectada é
um ser humano, com direitos humanos e necessidades humanas”, afirmou.
Mitos
aceleram o avanço da doença
A pobreza é o principal adversário na luta contra
a diminuição dos casos de Aids na África. Segundo a ONU, seriam necessários 2,3
bilhões de dólares ao ano para controlar a doença no continente, mas as nações
africanas investem somente 300 milhões.
Contribuem também para o avanço da Aids algumas
práticas comuns à cultura africana. Um deles é a tradição de em várias nações e
tribos as mulheres terem vários maridos, o que ajuda a disseminar a doença entre
elas. Esta é a principal razão porque as mulheres já superam os homens em
números de casos registrados.
Os rituais de mutilação genital feminina,
praticado em 27 dos 53 países africanos, e que são realizados em condições
anti-higiênicas, também contribuem para os altos índices de contaminação.
A infidelidade conjugal, principalmente por parte
do marido, tem feito com que a Aids prolifere muito entre as mulheres. A
promiscuidade também é apontada como uma das causas do avanço da doença no
continente. Na África do Sul, as grandes minas de ouro, carvão e diamante
abrigam milhares de homens em seus alojamentos. Ao lado de cada mina, há uma
casa de prostituição.
Outro fator que contribui para o aumento dos casos
de Aids tem sido a crença de que se um homem, infectado com o vírus HIV, tiver
relações com uma virgem, ele será curado do seu mal. Por isso milhares de
crianças são estupradas diariamente. O índice é de um estupro a cada 30
segundos.
Recentemente o Zimbábue aprovou uma lei
estabelecendo penas de até 20 anos de prisão para qualquer pessoa que transmitir
de forma deliberada e intencional a doença, seja dentro ou fora de um casamento.
A importância desta lei é relevante, pois os curandeiros são conhecidos por
recomendarem aos infectados pelo vírus HIV que estuprem jovens virgens para “se
curar”.
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