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Missionria
americana morta a tiros no Lbano
Lderes islmicos de Sidon
opem-se presena da igreja evanglica
PORTAS ABERTAS -
Uma mulher americana que trabalhava em uma clnica
crist pr-natal no sul do Lbano foi morta a tiros em 21 de novembro numa clara
ao de extremistas muulmanos contra cristos evanglicos.
Um assassino desconhecido matou a tiros Bonnie
Penner Witherall, 31, com trs tiros de pistola na cabea logo depois que ela
abriu o Centro Unio para seus servios normais, na quinta-feira de manh para
mulheres grvidas e mes recentes. A clnica d assistncia mdica e ajuda a
mulheres libanesas e palestinas em Sidon e ao campo de refugiados Ein al-Helweh.
Assassinato de cidad americana o primeiro em 10 anos
Nenhum grupo armado reivindicou a responsabilidade
pelo assassinato com estilo de execuo e nenhum suspeito foi apresentado. Os
investigadores libaneses que cooperam com os oficiais da embaixada americana no
quiseram comentar os motivos possveis pelo assassinato, a primeira morte
direcionada de um cidado americano no Lbano h mais de 10 anos.
Clnica atende cerca de 50 mulheres
Administrada pela Igreja Aliana Crist e
Missionria (ACM), a clnica de sade foi bem recebida pela comunidade local
desde que foi aberta h trs anos, oferecendo cuidado pr-natal para cerca de 50
mulheres duas vezes por semana. O prdio de dois andares abriga a clnica e a
capela.
Apesar de Witherall no ser enfermeira formada,
ela trabalhava como voluntria na clnica como ajudante de enfermagem e gerente
de escritrio, tirando a presso sangnea das pacientes, o peso e fazendo os
registros mdicos necessrios.
"Ela amava o seu trabalho", disse uma colega sueca
agncia Reuters horas depois de sua morte. "Ela ajudava as mulheres grvidas e
fazia companhia a algumas delas em seus partos para apoi-las, e conversava com
elas e as ajudava".
Oposio e acusaes
Entretanto, elementos militantes muulmanos
sunitas da rea, manifestaram oposio aberta presena da igreja evanglica na
cidade porturia. De acordo com um site da ACM, o Centro Unio estava sendo
"difamado nos jornais" e "pregava-se contra ele nas mesquitas da cidade" no ano
passado.
Durante mais de um ano, o clrigo muulmano, o
xeque Maher Hammoud vinha acusando publicamente a congregao da ACM de tentar
subornar centenas de crianas muulmanas em suas aulas de Escola Dominical
oferecendo aulas de computador, ingls e uma variedade de brinquedos e
presentes. "Eles estavam tentando explorar a pobreza delas para faz-las mudar
de religio", reclamou o xeque.
Em "O Plpito do Chamado", uma influente
publicao muulmana mensal, a igreja evanglica foi denunciada como organizao
sionista, supostamente "destruidora do esprito de luta" da juventude palestina
ensinando-as a no combaterem os judeus.
Um lder catlico libans manifestou crtica
tambm ao trabalho missionrio de Witherall, alegando que ela tinha o costume de
reunir crianas muulmanas, "pregando o cristianismo a elas enquanto distribua
alimento e brinquedos e assistncia social, disse ele ao The New York Times.
"Acho que ela foi morta porque estava pregando o cristianismo aos muulmanos",
disse ele abruptamente. O mesmo clrigo comparou os missionrios evanglicos aos
terroristas, dizendo Associated Press que eles operavam em "clulas" secretas
sob o disfarce do cristianismo.
Primeiro-ministro condena assassinato
Tanto o primeiro-ministro, Rafik Hariri como Osama
Saad, membro do Parlamento de Sidon, imediatamente condenaram o assassinato.
"Somos contra o assassinato e todos os seus motivos", disse Saad, observando
que, apesar de sua oposio s polticas do governo americano, "Ns nos
solidarizamos com a famlia da vtima e suas colegas".
Perdo
Mas de acordo com o Rev. Sami Dagher, diretor da
clnica e presidente da igreja ACM do Lbano, "Bonnie morreu porque ela amava o
povo de Sidon. Ela amava as pessoas e as servia. Ela tinha um corao lindo".
"Que Deus os perdoe", disse o pastor libans a respeito dos agressores.
No dia seguinte morte, o marido de Witherall,
Gary, que ingls, falou imprensa que havia perdoado os assassinos,
exatamente como ela prpria teria feito. "Deus nos levou ao Lbano, e sabamos
que poderamos morrer", admitiu ele.
No culto memorial dois dias depois, ele declarou
que apesar de muitas pessoas pensarem que a morte de sua esposa era uma perda, a
mensagem de Jesus era "uma mensagem pela qual valia a pena entregar nossas
vidas".
"Quem quer que seja que tenha cometido este crime,
eu os perdo", disse ele no programa televisado internacionalmente. "No
fcil", disse ele, rompendo em soluos. "Ele levou tudo o que eu tenho. Mas eu
posso perdoar essas pessoas porque Deus me perdoou".
Diretor afirma que no fechar a clnica
Em uma entrevista ao The Daily Star, do Lbano,
Dagher declarou que no conseguia compreender porque, desde a morte de Witherall,
algumas pessoas haviam sugerido que o Centro Unio fosse fechado. "Ns prestamos
servios mdicos e educacionais a um grande nmero de pessoas, alm de uma gama
de servios espirituais", disse Dagher. "Que eles venham at ns e digam que
erro cometemos. Ns no foramos ningum a vir aqui. Se eles querem nos matar,
estamos prontos para morrer. Mas no vamos fechar nem a clnica, nem a igreja",
comentou. Dagher concluiu dizendo: "Quanto a mim, esta a minha cidade, e eu
estou pronto a lavar seus ps".
Os Witherall
Procedente de Vancouver, Washington, Witherall
chegou ao Lbano com seu marido ingls, Gary, em janeiro de 2001. O casal
conheceu-se e se casou h quatro anos, quando freqentavam o Colgio Bblico
Moody de Chicago.
Os Witheralls
viveram na parte sul de Sidon prximo ao instvel campo de refugiados Ein
al-Helweh, local do grupo extremista Dunniyeh e do Asbat al-Ansar, identificado
pelo governo americano como organizao terrorista. Talvez a cidade mais
rigidamente islmica do Lbano, Sidon proibiu a venda de bebidas alcolicas e
trocou seus fins de semana para fechar o comrcio nas sextas-feiras para as
preces muulmanas.
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www.portasabertas.org.br
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