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Polícia local evita libertação de protestantes etíopes

Dois líderes evangélicos estão presos há mais de oito meses

PORTAS ABERTAS - Dois líderes cristãos evangélicos presos no norte da Etiópia, há mais de oito meses, permanecem sob detenção policial sem acusação em Maychew, apesar das ordens do tribunal de instância inferior para a retirada do processo pendente contra eles.

Sob clara pressão, a juíza presidente deu prazo à polícia local até hoje, 11 de dezembro, para produzir evidência consistente contra os dois líderes da igreja, ou ela ordenará que eles sejam libertados.

Ambos presbíteros de igrejas Pentecostais locais, Kiros Meles e Abebayeh Desalegn foram detidos após a agitação de abril último que deixou as igrejas evangélicas de Maychew saqueadas e destruídas nas mãos de uma multidão de extremistas ortodoxos.

Líderes evangélicos são acusados de matar um membro da Igreja Ortodoxa

Meles, 46, e Desalegn, 35, foram acusados pela polícia local como "suspeitos" pela morte de um membro da Igreja Ortodoxa, um jovem identificado somente como Haile, morto a tiros no último dia da revolta. Apesar de a bala fatal ter sido claramente disparada pela arma do chefe de polícia local, para o ar, e de um policial fora de serviço ter sido também levado para custódia no incidente, os dois pentecostais foram detidos sem direito a fiança durante a prolongada investigação de assassinato.

Desde a detenção de Meles no dia 23 de abril, seguida da detenção de Desalegn em 10 de maio, os dois homens foram convocados ao tribunal pelo menos oito vezes, somente para ter a audiência subseqüente adiada. "Todos os adiamentos aconteceram porque a polícia estava tentando encobrir o culpado e pedia mais tempo para investigar", disse uma fonte local à Portas Abertas.

Falta de provas

Finalmente, em uma decisão do tribunal exarada em 29 de outubro, a juíza presidente de uma instância inferior em Maychew ordenou que fosse retirado o processo contra os dois protestantes. Em sua sentença, a juíza declarou que não havia provas suficientes contra eles para sustentar as acusações. Consequentemente, os dois foram transferidos da prisão para a delegacia de polícia de Maychew onde, de acordo com a lei etíope, eles não podiam ficar detidos por mais de 48 horas.

Mas a polícia local ainda se recusava a libertar Meles e Desalegn e, depois de uma semana, os transferiu novamente para a prisão. "Parece que a polícia está investigando novamente a possibilidade de uma nova acusação contra eles, para apresentar perante a Alta Corte", confirmou uma fonte à Portas Abertas. "Ninguém se atreve a enfrentá-los".

Na última audiência em 29 de novembro, a polícia disse à juíza que tinha evidência para provar a culpa dos homens e, novamente, pediu mais tempo para investigação. A juíza declarou que estava dando mais 14 dias à polícia "somente porque a Alta Corte está forçando-me a faze-lo". Ela comentou que desde que a polícia falhou na apresentação de qualquer prova depois de oito meses, ela não conseguia compreender como eles iam produzi-la em mais duas semanas.

No dia 5 de dezembro, a esposa de Meles, Abeba, viajou para Mekele para solicitar à Alta Corte uma solução para o caso. Ela relatou que quando um oficial de Mekele telefonou para a polícia de Maychew na sua presença para indagar a respeito do caso, foi-lhe dito que eles tinham "concluído a investigação".

Audiência está marcada para hoje

Na audiência seguinte marcada para hoje, 11 de dezembro, a corte deve ou libertar os dois homens, ou acusá-los de assassinato com base em sólida evidência. "Estamos muito positivos e cheios de esperança de que sejam libertados", disse uma fonte. O policial, que a comunidade acredita amplamente ter feito o disparo fatal, ainda está sendo mantido preso.

De acordo com fontes da igreja local, os dois líderes evangélicos encarcerados "ainda permanecem firmes", apesar da pressão feita sobre eles e suas famílias estar "causando sofrimento". Em fins de outubro, as esposas dos dois homens encarcerados confirmaram que continuam enfrentando assédios, com atacantes desconhecidos atirando pedras em suas casas à noite, quebrando vidros das janelas e portas.

Dois jovens convertem-se na prisão e recebem ajuda da família dos líderes presos

Recentemente, as famílias dos prisioneiros e outros membros de sua congregação cuidaram e protegeram dois jovens, ambos ladrões condenados, que conheceram Meles e Desalegn enquanto cumpriam quatro meses de cadeia por acusação de roubo. Depois de soltos em agosto, Atkilt Mesfin e Asmelash Mariam foram retirados de suas casas quando declararam que tinham se tornado crentes pentecostais enquanto estavam na cadeia.

Os homens disseram às esposas dos protestantes presos que eles haviam perseguido ativamente pentecostais antes de conhecerem seus maridos, que compartilharam a palavra de Deus com eles. "Minha resistência a Deus começou a derreter como o sal na água", disse Mesfin, e dentro de uma semana ele pôs sua fé em Cristo. "Eu fui renovado totalmente, e até a vida na prisão ficou melhor", disse ele.

Líderes não podem receber cartas na prisão

De acordo com informações, os protestantes detidos não foram fisicamente maltratados enquanto encarcerados e tiveram permissão para visitas curtas de suas famílias e amigos. Apesar de as esposas serem submetidas a minuciosa vistoria física cada vez que elas visitam a cadeia para evitar que eles recebam cartas, elas podem falar aos seus maridos a respeito de dezenas de mensagens que chegam de cristãos ao redor do mundo e que estão orando por eles.

Apesar da posição moderada de importantes líderes da Igreja Ortodoxa Etíope há muito tempo dominante, alguns clérigos locais se opõem violentamente às garantias constitucionais do governo da liberdade constitucional instituída em 1994.

Estima-se que metade da população da Etiópia alega ser ortodoxa. Mas, desde que o regime comunista desmoronou em 1991, a inexperiência da comunidade protestante da nação, da maioria das congregações pentecostais, cresceu rapidamente para uns 12 milhões, perto de 20% da população. Elementos extremistas ortodoxos denunciaram esses grupos como "seitas", com padres agitadores insistindo com seus membros para os atacar com palavras e fisicamente.

Pastor evangélico morre em ataque liderado por padres ortodoxos

Em um outro incidente na cidade de Merawi em julho último, padres ortodoxos lideraram um ataque, no qual um pastor evangélico da Igreja do Evangelho Integral foi deixado sangrar até a morte com ferimentos de machado na cabeça.

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www.portasabertas.org.br

 

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