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Mais quatro cristãos inocentes são libertados da prisão
Dezessete pessoas presas injustamente no Peru sob acusações falsas de terrorismo recuperaram a liberdade

PORTAS ABERTAS - Dentre as dezessete pessoas libertadas da prisão havia três cristãos evangélicos: Darwin Julian Aquino Ortiz, Wilberto Apaza Vargas e Niger Gonzales Guerra. Um indulto presidencial concedido por Alejandro Toledo os levou à liberdade. No dia 3 de outubro, um quarto evangélico inocente, David Martin Espinoza Monge, foi solto sob liberdade condicional da prisão Castro Castro, de Lima.

As circunstâncias que cercam esses casos revelam injustiças enormes que alguns peruanos têm sofrido como herança da guerra do Sendero Luminoso e destaca os pacientes esforços feitos pelos cristãos para libertar os inocentes.

Darwin Aquino

Darwin Aquino foi detido enquanto estava a caminho do trabalho, no dia 23 de abril de 1993. As acusações levantadas contra ele estavam no fato de Darwin dar aulas na Academia Pré-universitária, uma instituição da qual a polícia suspeitava de ter laços com o Sendero Luminoso. Darwin insistiu ao ser interrogado que ele não pertencia ao grupo rebelde. Ao contrário, um de seus irmãos era membro da Polícia Nacional e tinha participado de operações contra o terrorismo em zonas de emergência, uma designação que quase lhe custou a vida. Juízes sem rosto (magistrados que usavam capuzes no tribunal para esconder suas identidades) negligenciaram na avaliação das evidências e sentenciaram Aquino a 20 anos de prisão.

Na época de sua detenção, Dawin tinha um filho de dois meses, que ele viu crescer através das grades. Durante sua vida na cadeia, ele foi um obreiro ativo no ministério cristão na prisão e tornou-se um ardoroso pregador da fé evangélica, buscando ganhar almas para Cristo.

Agora aos 34 anos de idade, Aquino tentará reconstruir a vida que ele compartilha com a esposa, Mirtha, a principal agente da campanha para reconquistar sua liberdade.

Wilbert Apaza

Wilbert Apaza foi detido em 22 de março de 1995 em sua casa no município de Villa Maria del Triunfo, sul de Lima. Devido seu conhecimento com um indivíduo que vivia perto de sua casa, Apaza foi acusado de ser colaborador do Sendero Luminoso. Agentes do Diretório Nacional Contra o Terrorismo (DINCOTE) agiram com excessiva força na batida que deram na casa de Apaza, prendendo o irmão mais novo de Wilbert, Edwin, sua irmã, Fidelia, o marido dela e levaram o filho de dois anos do casal em custódia.

Wilbert foi julgado por juízes sem rosto e sentenciado a 20 anos de prisão, os quais ele completaria em 2015. Durante sua prisão, Wilbert trabalhou na equipe de Seminários Literários em Castro Castro e comprometeu-se em escrever suas mais profundas emoções. Elas lembram o dia, no início deste ano, quando ficou sabendo da morte iminente do pai, mas não teve permissão para deixar a prisão e despedir-se dele.

A Anistia Internacional assumiu o seu caso como prisioneiro de consciência. Agora aos 34 anos, Wilbert enfrentará os desafios de sua nova fase de vida, incluindo o término dos estudos de advogado na Universidade de São Marcos.

Niger Gonzales

Os oficiais de polícia prenderam Niger Gonzales no dia 19 de janeiro de 1994, em sua casa em Tabalosas, no Estado de San Martin. Eles agiram com base em uma única acusação de que Niger era um simpatizante do Sendero Luminoso. Em todas as oportunidades, Gonzales negou qualquer ligação com os subversivos e deixou claro que era membro da Milícia Civil que defendeu sua comunidade rural contra os terroristas.

Gonzales sofreu graves maus tratos enquanto estava sob a custódia policial. Juízes sem rosto o condenaram a 20 anos de prisão, um sentença que ele terminaria em 2014.

Durante todo o tempo em que esteve na penitenciária de Pisci, Gonzales demonstrou conduta impecável e foi cuidadoso em manter distância de organizações subversivas presentes na prisão. Esse ato de justiça permitirá a Gonzales, agora com 40 anos, voltar para casa.

David Martin Espinoza

David Martin Espinoza era um estudante de medicina na Universidade São Marcos, em 12 de abril de 1992, quando os soldados o agarraram e o levaram a uma base militar. Lá ele foi torturado durante vários dias. Quando a família de Espinoza foi procurá-lo, os oficiais os levaram a acreditar que ele tinha desaparecido. Isso foi exatamente uma semana depois que o presidente Alberto Fujimori deu o seu famoso "golpe". Naquele período, o judiciário, o congresso e outras principais instituições do país foram fechadas.

David foi acusado de pertencer ao Sendero Luminoso. O promotor que apresentou as evidências contra ele está hoje foragido da justiça por seu papel corrupto no círculo íntimo de Vladimiro Montesinos (ex-ministro do interior). Um tribunal de juízes sem rosto condenou Espinoza a 20 anos de prisão sem levar em conta que David tinha identificado ao tribunal, pelo nome, pessoas que o torturaram enquanto estava sob custódia. Ele documentou o abuso com um certificado dos médicos que o examinaram.

Sua condição de terrorista condenado impedia Espinoza de apelar legalmente. Contudo, ele conseguiu liberdade condicional depois de cumprir metade da sentença, graças aos direitos assegurados pela constituição de 1979. Ele planeja continuar sua apelação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para limpar sua ficha. Espinoza planeja também retomar os estudos de medicina para que possa algum dia sustentar sua mãe idosa.

Agradecimento ao Senhor e alegria pela justiça

"Nós agradecemos ao Senhor da vida e da justiça por ter permitido a libertação dos prisioneiros que anunciamos hoje", disse Wuille Ruiz no domingo. Ruiz é advogado da Associação Paz e Esperança, uma sociedade cristã de assistência legal que atua no Peru desde 1985. "É necessário que as autoridades entendam que privar cidadãos do devido processo legal compromete a administração da justiça e bloqueia a estrada para a reconciliação nacional. Vamos continuar orando e trabalhando em favor desses cidadãos, particularmente os cristãos evangélicos, que se encontram injustamente condenados por crimes que não cometeram".

Desde 1993, Portas Abertas tem participado junto com a Associação Paz e Esperança dos esforços para libertar os cristãos falsamente acusados no Peru, particularmente através da oração e campanhas. Ricardo Luna, diretor de Portas Abertas para a América Latina, saudou a notícia da libertação dos prisioneiros. "Como diz 1 Coríntios 12.26: "Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Optar pelo corpo de Cristo em época de provação torna a nossa alegria ainda maior neste momento de celebração".

 

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www.portasabertas.org.br

 

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