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Índia
Estado de Tâmil Nadu decreta severa lei ‘anti-conversão’
Lei estadual proibe
conversões no estado indiano mais conhecido por suas campanhas cristãs
evangélicas
Uma lei estadual
proibindo as chamadas "conversões forçadas" foi decretada em Tâmil Nadu, o
Estado indiano mais conhecido por suas campanhas cristãs evangélicas. As igrejas
e as organizações missionárias ficaram impressionadas com a subitaneidade com a
qual a lei draconiana foi posta em vigor, as severas restrições que ela coloca
ao evangelismo e às duras penalidades que impõe aos "transgressores".
A Ordenança da
Proibição de Conversões Forçadas de Tâmil Nadu, publicada pelo governador P.S.
Ramamohan Rao, no dia 5 de outubro de 2002, pode sufocar a atividade missionária
e os serviços sociais na região.
"Até um simples
ajuntamento de pessoas para uma reunião religiosa atrairá a ira da lei", disse
H.G. Geevarghese Mar Coorilos, presidente do Conselho Nacional de Igrejas da
Índia.
De acordo com
Geevarghese, a lei pode "tornar difícil para as igrejas de Tâmil Nadu, ONGs
religiosas que trabalham pelo social e por justiça econômica, e até para ajuda
humanitária".
A lei
A lei estabelece
que "nenhuma pessoa converterá ou tentará converter seja diretamente ou de outra
forma qualquer pessoa de uma religião para outra, seja pelo uso da força ou por
convencimento ou por meios fraudulentos". Da mesma forma, ninguém pode "auxiliar
qualquer conversão". Ela especifica uma pena de prisão de três anos e uma multa
máxima de 50.000 rupias (1.035 dólares) para os transgressores. Entretanto, se
as pessoas convertidas forem mulheres, vindas de castas inferiores ou de povos
tribais, a prisão pode ser estendida a quatro anos e a multa para 100.000 rupias.
A lei exige também que todas as conversões religiosas sejam informadas aos
juizes locais pelo convertido, bem como pelo ministro ou pastor que participar
do batismo ou do rito de iniciação.
A notícia do
governo do Estado defendia a nova lei, dizendo que seria uma medida impeditiva
contra os interesses anti sociais e disfarçados de grupos que exploram pessoas
que pertencem a classes desfavorecidas.
Índia é o segundo
país que mais envia missionários no mundo
Mais da metade dos
estimados 44.000 missionários da Índia são do Estado de Tâmil Nadu. Além disso,
a Índia é tida agora como o segundo país que mais envia missionários no mundo
depois dos Estados Unidos. Os missionários de Tâmil Nadu trabalham tanto dentro
como fora das fronteiras do Estado. Muitas organizações missionárias indianas
também mantêm escritórios no Estado.
Os analistas
políticos dizem que a ação é ao mesmo tempo sem precedentes e confusa desde que
o governo do Estado não é chefiado por membros do Partido Bharatiya Janata (PBJ).
E mais, a Ministra Chefe, J. Jayalalitha tem tido vários confrontos com o
governo central, dirigido pelo PBJ. Muitos acham que a lei é um retrocesso na
construção democrática do país, particularmente porque as leis do Estado não
requerem debate parlamentar para aprovação.
Partidos políticos
indianos desaprovam a lei
Os partidos
políticos exigiram a retirada da lei. O Partido do Congresso classificou a lei
anti-conversão de "uma medida de desesperada ansiedade da Ministra Chefe J.
Jayalalitha de ser simpática ao Sangh Parivar" (um movimento militante hindu).
"Nós também estamos angustiados com a maneira secreta como ela foi produzida",
disse o porta-voz do congresso, S.Jaipal Reddy, no dia 7 de outubro.
O Partido Comunista
da Índia também se opõe à lei, advertindo que existe "toda possibilidade" que a
lei seja deturpada. "Quem pode decidir o que é sedução ou coerção?", perguntou o
Secretário Nacional do Partido Comunista da Índia, D. Raja.
O Fórum Popular dos
Cristãos da Índia apontou o mesmo elemento perigoso da lei. " ‘Sedução’ é um
termo muito vago, que desafia uma definição estrita e dá amplas oportunidades
para aplicação da lei pelas autoridades deturparem as cláusulas penais para
assediar e punir", disse uma declaração do Fórum.
Intenção dos
cristãos é diminuir a pobreza na Índia
O Conselho Global
dos Cristãos Indianos ficou "alarmado pela rápida promulgação da lei" chamando-a
de "a mais odiosa violação da liberdade religiosa com o objetivo de atingir os
cristãos engajados em aliviar a pobreza". A lei anti-conversão mina o Artigo 18
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, disse o Conselho.
Vincent M.
Concessao, vice-presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Índia disse
que a liderança de sua igreja ia "ter de estudar primeiro a lei e consultar a
opinião legal". Entretanto, isso não os deteria de espalhar os ensinos do
cristianismo. "Cristo é bom para mim, e tudo o que é bom para mim eu quero que
outros o saibam", disse Concessao.
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