A
bebida alcoólica, o vinho e a Bíblia
Leia as perguntas e
responda:
Qual foi a bebida que Jesus usou ao instituir a Ceia do Senhor?
No capítulo 2 do Evangelho segundo João, vemos que Jesus
transformou água em vinho nas bodas de Canã. Que tipo de vinho
era esse?
O suco de uva não-fermentado pode ser chamado de vinho?
Antes de
compreendermos o que Bíblia Sagrada nos ensina sobre o vinho,
convém conhecer um pouco sobre o processo de fermentação, que
no nosso caso, usaremos como exemplo o suco da uva.
Pois bem, vinho é o nome que se dá ao suco extraído do sumo de
uvas frescas. Esse processo de extração faz-se em grandes
vasilhas de madeira semelhante a uma enorme bacia, chamada cuba -
na Bíblia, também aparece denominado "lagar", - onde
é realizada a espremedura da uva, ou pisa. Atualmente, esse
trabalho humano e artesanal é substituído por máquinas que
realizam a mesma tarefa. O resultado obtido é um caldo espumoso,
de forte coloração vermelha escuro, ligeiramente adocicado, de
agradável odor e paladar. Este caldo nada mais é do que o puro
suco de uva fresco, livre de qualquer processo de fermentação -
ou seja, vinho não-fermentado. A fermentação se dá quando
enzimas produzidas por bactérias ou fungos, em contato com o
produto, entram em ação. No caso do sumo da uva, essas bactérias,
alimentando-se do açúcar natural proveniente da fruta, produzem
enzimas que convertem esse açúcar em gás carbônico e álcool.
O gás se desprende, permanecendo apenas o álcool. Podemos dizer
então que isto é suco de uva fermentado. A fermentação desse
vinho (chamada de fermentação acética), por sua vez, produz o
vinagre.
A massa do pão é outro exemplo típico de fermentação. O amido
da farinha de trigo é transformado em açúcar, que por sua vez
converte-se em álcool e gás carbônico pela ação desses
microorganismos. O gás forma bolhas no interior da massa,
fazendo-a crescer. Quando é assada, os microorganismos morrem e o
álcool evapora, de modo que a massa não apresenta o gosto de álcool
e nem o típico paladar azedo de produto que sofreu fermentação.
No caso das bebidas alcoólicas, existem aquelas que são
adicionadas álcool e as que são o resultado da fermentação
direta. Nesse último caso, o açúcar da uva, da cana, do malte
ou de outra matéria-prima usada é transformada em álcool e gás
carbônico; o gás se desprende, ficando o álcool na bebida.
No Antigo
Testamento, há duas palavras hebraicas traduzidas por
"vinho". A primeira palavra, a mais comum, é yayin,
usada 141 vezes no Antigo Testamento para indicar vários tipos de
vinho, seja fermentado ou não-fermentado. Observe por exemplo, o
texto de Neemias 5:18, que fala "vinho de todas as espécies"
(yayin).
Isto significa que a palavra hebraica yayin aplica-se (também)
a todos os tipos de suco de uva fermentado (Gênesis 9:20,21;
19:32,33; 1 Samuel 25:36,37 ; Provérbios 23:30,31). As consequências
trágicas de tomar vinho fermentado aparecem em vários trechos do
Antigo Testamento, notadamente em Provérbios 23:29-35. Por outro
lado, yayin também se usa com referência ao suco doce, não-fermentado,
da uva. Pode referir-se ao suco fresco da uva espremida, conforme
aparece em Isaías 16:10; Jeremias 40:10-12; 48:33. Estes versículos
dão o respaldo bíblico de que o sumo de uva não-fermentado pode
perfeitamente ser chamado de "vinho", sem que isso
indique qualquer disparidade. Em Jeremias 40:10-12, o
profeta chama de vinho (yayin), ao suco ainda dentro da uva
(ver também Lamentações 2:12).
A outra palavra
hebraica traduzida por "vinho" é tirosh, que
significa "vinho novo" ou "vinho da vindima". Tirosh
ocorre 38 vezes no Antigo Testamento; essa palavra nunca se refere
à bebida fermentada, mas sempre ao produto não-fermentado da
videira, tal como o suco ainda no cacho de uvas (Isaías 65:8), ou
o suco doce de uvas recém-colhidas (Deuteronômio 11:14; Provérbios
3:10; Joel 2:24).
Há ainda a palavra
hebraica shekar, geralmente traduzida por "bebida
forte". Aparece 23 vezes no Antigo Testamento. Esta palavra
refere-se, mais comumente, a outras bebidas fermentadas, talvez
feita de suco de fruta de palmeira, de romã, maçã, ou de tâmara.
Seja qual for a
natureza da bebida, é importante verificarmos que em vários
lugares o Antigo Testamento condena o uso de bedidas fermentadas,
seja da uva ou de outra fruta qualquer (Levítico 10:9-11; Provérbios
20:1; 23:29-35; 31:4-7).
O VINHO NO NOVO
TESTAMENTO
A linguagem do Novo
Testamento emprega a palavra grega "oinos" para
referir-se ao vinho. Esta palavra pode referir-se a dois tipos bem
diferentes do suco de uva: o suco não-fermentado e o suco
fermentado. Equivale à mesma maneira da palavra hebraica yayin,
do Antigo Testamento.
O uso do vinho na
Ceia do Senhor
Qual bebida Jesus
usou ao instituir a Ceia do Senhor? (Mateus 26:26-29; Marcos
14:22-25; Lucas 22:17-20; 1 Coríntios 11:23-26)
As referências
abaixo levam a conclusão bíblica de que Jesus e seus discípulos
beberam, durante a instituição da Ceia, o suco de uva não-fermentado.
-
Nem Lucas, nem
qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra grega "oinos"
(vinho) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três
primeiros Evangelhos empregam a expressão "fruto da
vide" (Mateus 26:2924; Marcos 14:25; Lucas
22:18). O vinho não-fermentado é o único "fruto da
vide" natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e
nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar
e altera aquilo que a videira produz. Vinho fermentado não é
fruto da vide; não é produzido pela videira.
-
Jesus instituiu
a Ceia do Senhor quando ele e seus discípulos celebravam a Páscoa.
A lei da Páscoa em Êxodo 12:14-20 proibia, durante a semana
daquele evento, a presença de fermento (hebraico seor)
ou qualquer agente fermentador. No mundo antigo, o fermento
era obtido da espuma da superfície do vinho quando em
fermentação. Além disso, qualquer coisa fermentada era
proibido (Êxodo 12:19; 13:7). Deus dera estas leis porque a
fermentação simboliza a corrupção e o pecado (Mateus
16:6-12; 1 Coríntios 5:7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu
a lei em todas as suas exigências (Mateus 5:17). Logo, teria
cumprido a lei de Deus para a Páscoa e não teria usado vinho
fermentado.
-
No Antigo
Testamento, bebidas fermentadas nunca deviam ser usadas na
casa de Deus, e um sacerdote não podia chegar-se a Deus em
adoração se tomasse qualquer líquido embriagante (Levítico
10:9). Jesus Cristo foi Sumo Sacerdote de Deus do novo
concerto, e chegou-se a Deus em favor do seu povo (Hebreus
3:1; 5:1-10).
-
O sangue puro
de Cristo (Salmos 16:10; Atos 2:27; 13:37) jamais poderia ser
representado por algo corrompido e fermentado. O fruto da
vide, simbolizando o sangue incorruptível de Cristo é melhor
representado por suco de uva não-fermentado (1 Pedro
1:18,19). Indiscutível!
-
Paulo
determinou que os coríntios tirassem dentre eles o fermento
espiritual; o agente fermentador da maldade e a malícia,
porque Cristo é a nossa Páscoa (1 Coríntios 5:6-8).
-
Seria contraditório
usar na Ceia do Senhor um símbolo da maldade; algo contendo
levedura ou fermento, se considerarmos os objetivos dessa
ordenança bíblica, bem como as exigências para dela
participar.
Não tem vinho
Alguns acreditam
que o vinho fornecido nas bodas de Canã (João 2) bem como o
vinho feito por Jesus, era fermentado e, portanto, embriagante se
consumidos em grande quantidade. Se aceita esta opinião, as
implicações disto, dadas a seguir, também devem ser
reconhecidas e aceitas:
-
Primeiro, os
convidados do casamento provavelmente estariam bêbados, haja
vista que consumiram todo o vinho disponível.
-
Segundo, Maria,
mãe de Jesus, estaria lamentando a falta de bebida
embriagante e estaria pedindo a Jesus que fornecesse aos
convidados, já embriagados, mais vinho fermentado.
-
Terceiro, Jesus
teria produzido, a fim de atender a vontade de sua mãe (v.3),
de 600 a 900 litros de vinho embriagante (vv.6-9), mais do que
suficiente para manter os convidados totalmente bêbados.
-
Quarto, Jesus
estaria produzindo esse vinho embriagante como seu primeiríssimo
"milagre", a fim de manifestar a sua glória (v.11)
e de levar as pessoas a crerem n'Ele como o filho justo e
santo de Deus.
Fica claro que, à
luz da natureza de Deus, da justiça de Cristo e do bom caráter
de Maria, as implicações da suposição de que o vinho de Canã
estava fermentado são blasfêmias. Contraria a revelação bíblica
contra a perfeita obediência de Cristo a seu Pai celestial, supor
que Ele desobedeceu ao mandamento do Pai: "Não olheis
para o vinho, quando se mostra vermelho... e se escoa
suavemente", isto é, fermentado (Provérbios 23:31).
Leia também Provérbios 20:1; Hc 2:15; Levítico 10:8-11; Provérbios
31:4-7; Isaías 28:7; Romanos 14:21).
O conselho de
Paulo a Timóteo
As palavras do apóstolo
Paulo, aconselhando Timóteo a usar de um pouco de vinho é, sem dúvida,
o texto áureo dos evangélicos chegados a um gole. O referido
texto encontra-se em 1 Timóteo 5:23 e nos diz da seguinte forma:
"Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por
causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades."
É interessante
observar que o apóstolo Paulo traz severas exortações em várias
de suas epístolas aos usuários de bebidas embriagantes. Entre os
mais claros podemos destacar 1 Coríntios 5:11: "Mas agora
vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão,
for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou
beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais";
e ainda o texto de Gálatas 5:21, que diz: "Invejas, homicídios,
bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a
estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que
os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus."
Alguns interpretam
as palavras de Paulo no sentido de que os cristãos não deveriam
é embebedar-se, e que assim ele tolerava o uso de bebidas alcoólicas
desde que fosse moderação. Essa interpretação ridícula cai em
descrédito quando verificamos o contexto bíblico, até mesmo se
compararmos com outros textos das cartas de Paulo. Observe: no
Antigo Testamento, a abstinência total de vinho fermentado era
uma regra para todos que buscavam o mais alto nível de consagração
a Deus (Levítico 10:8-11; Números 6:1-5; Juízes 13:4-7; 1
Samuel 1:14,15; Jeremias 35:2-6). No Novo Testamento, todos os
crentes são conclamados viver à altura do mais alto padrão de
Deus (João 2:3; Efésios 5:18; 1 Tessalonicenses 5:6; Tito 2:2).
Além do mais, Paulo faz questão de citar a embriaguez, como
sendo uma conduta grave o suficiente para excluir a pessoa do
reino dos céus (1 Coríntios 6:10). Nesta passagem, Paulo
relaciona dez classes de pessoas que não herdarão o reino dos céus:
devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões,
avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. O versículo em
apreço não dá margens a meio termo. Seria estranho afirmar que o
apóstolo em sua carta abriu mão de dar uma golada de bebida
embriagante desde que fosse moderadamente, já que as conseqüências
eternas no caso de se "ultrapassar um certo limite", são
tão graves. Tal afirmação implicaria em dizer também que
roubar moderadamente não teria problema e que o grave seria
roubar excessivamente.
Citar conselho de
Paulo a Timóteo para justificar o uso de vinho embriagante, em
apoio a bebedores de vinho, é distorcer totalmente o significado
do texto de 1 Timóteo 5:23. Observe primeiramente que o conselho
foi dado com propósitos exclusivamente medicinais. Segundo, o uso
do vinho seria apenas "um pouco". Esse "pouco"
indica claramente uma dose medicinal, quando necessário.
Terceiro, o texto deixa transparecer que Timóteo deveria beber
essa dose mínima de vinho, ainda misturado à água ('não bebas
mais água só'). Tal fato entra em conformidade com os antigos
escritos gregos sobre medicina, que costumava citar o vinho não-embriagante
como remédio para estômago. Estes escritos também propunham a
drenagem do vinho caso este fosse fermentado. Esta drenagem se
procedia através do aquecimento do vinho, que provocava a evaporação
do álcool, restando somente o vinho doce. Havia o hábito também
de se usar uma pequena mistura diluída na água. Portanto, nem
com camisa de força o conselho medicinal de 1 Timóteo 5:23
sugere qualquer apoio ao uso de vinho fermentado como bebida
habitual ou mesmo bebida de reuniões sociais.
Testemunho da
medicina moderna
-
Os maiores médicos
e especialistas atuais em defeitos congênitos citam evidências
comprovadas de que o consumo de álcool danifica o sistema
reprodutivo das mulheres jovens, podendo provocar abortos e
nascimentos de bebês com deficiências mentais e físicas
incuráveis. Autoridades mundialmente conhecidas em
embriologia precoce afirmam que as mulheres que bebem até
mesmo quantidades moderadas de álcool, próximo do tempo da
concepção (48 horas), podem lesar os cromossomos de um óvulo
em fase de liberação, e daí causar sérios distúrbios no
desenvolvimento mental e físico do bebê.
-
Seria absurdo
afirmar que Jesus haja servido bebidas alcoólicas ou contribuído
de alguma forma para o seu uso. Afirmar que Ele não sabia dos
terríveis efeitos em potencial que as bebidas inebriantes têm
sobre as pessoas e crianças nascituros é questionar sua
divindade, sabedoria e discernimento do bem e do mal.
Alcoolismo não é
doença. Ele transforma é a pessoa num doente. Alcoolismo é
fruto do pecado. Doença não se compra em garrafas e nem se
oferece em festas. Do mesmo modo, doença nenhuma impede qualquer
pessoa de entrar no céu, mas o álcool sim. Impede porque destrói
o corpo; transforma homens em animais irracionais; jovens sadios
em parasitas imprestáveis; mulheres em trapos inúteis. Sozinho,
ele já matou e inutilizou mais pessoas do que todas as guerras
juntas. Destrói famílias; desfaz casamentos. E tudo começa com
um pequeno gole socialmente. Esquecem-se que é de gole em gole
que esvazia-se a garrafa, exatamente nas rodinhas sociais. O álcool
provoca destruição irreversível nas células cerebrais. Quando
se fere um dedo, por exemplo, depois de certo tempo ele
cicatriza-se - as células se regeneram. No cérebro isso não
ocorre. Cada célula, uma vez danificada, não será jamais
substituída - o estrago fica para sempre.
Tudo o que Deus
criou é bom. E como é natural do diabo corromper as coisas boas,
ele denegriu as frutas e os cereais que deveriam ser usados na
alimentação, mas que são usados às toneladas para se
transformarem em bebidas que escravizam e destroem.
O mesmo acontece
com as uvas que possuem uma bênção biblicamente proferida (Isaías
65:8), pois contém glicose pura, que passa diretamente para o
sangue e vai a todas as células do corpo, contribuindo para o
crescimento, desenvolvimento e restabelecimento das energias. Não
poderia haver melhor símbolo para representar o puro sangue de
Cristo, tendo deixado o céu para dá-lo em resgate pela
humanidade.
PARA TER MAIS FUNDAMENTOS:
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD
Nem Só de Pão, Dorothy Weymann, Ministério Bernhard Johnson
Ciência Abril, Editora Abril |