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Quando
vem a perseguição
Esequias Soares
Extraído da Revista
"Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus
No livro de Atos encontramos o relato do princípio das missões e
como os primeiros cristãos sofreram insultos, violências, prisões e
martírio pela causa de Cristo. Esses irmãos regozijavam-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por amor ao
Senhor Jesus. Os apóstolos, ao serem ameaçados perante as autoridades, não oravam a Deus que os livrassem das
perseguições, mas sim, que lhes desse força para resistirem-nas
como bons soldados de Cristo. Paulo, quando em sua última viagem a Jerusalém, sabia que ali lhe esperavam “cadeias e
tribulações”, mas nem por isso desistiu de proclamar o evangelho:
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do
Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24).
O apóstolo Paulo passou quase a metade do tempo de seu
ministério em prisões. Por fim, sofreu o martírio por ordem do cruel
imperador Nero. Sem dúvida, ele é maior modelo de resignação e
amor à obra missionária. Sua vida é exemplo e estímulo para os
novos obreiros de missões.
INTRODUÇÃO
A perseguição é uma das armas que Satanás ainda hoje usa na tentativa de impedir a proclamação do evangelho de Cristo.
Jesus disse que somos perseguidos porque não somos do mundo (Jo 15.18,19).
I. AS PERSEGUIÇÕES DO PRIMEIRO SÉCULO
1. No primeiro século. Os romanos viam os primeiros cristãos como uma ramificação do Judaísmo; pensavam, pois, que ambos
grupos eram uma mesma coisa. Na época, Roma não queria muitos problemas com os judeus, por causa do seu
ultranacionalismo. Havia um ditado em Roma que dizia que quem governasse bem a Judéia estaria apto para governar Roma, pois
era a região um verdadeiro “barril de pólvora”. Por isso o Judaísmo
era uma religião legal, segundo a legislação romana. Daí, as perseguições na era apostólica eram locais e promovidas por
judeus e gentios. O Cristianismo só caiu na “ilegalidade” quando
descobriram que Cristianismo e Judaísmo não eram a mesma coisa.
2. O crescimento da Igreja sob as perseguições. Justino, o Mártir,
apologista da Igreja do séc. II, disse por volta de 150 d.C.: “Não
existe mais povos, raças ou nações que não façam orações em
nome de Jesus”. A população do Império Romano, nos dias de Nero, era de 120 milhões de
habitantes. Ainda nos dias apostólicos, o Novo Testamento diz textualmente que a expansão
do evangelho foi desde Jerusalém ao Ilírico, a atual Albânia (Rm
15.19), e de maneira indireta, diz que chegou até a Etiópia, na África (At 8.27,39).
II. AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS
1. Crise social. O Cristianismo era visto como ameaça para o paganismo. Ameaça social, pois ensina a igualdade de todos os
homens (Gl 3.28), e os romanos consideravam escravos como sub-humanos e os demais povos, bárbaros. Os judeus agradeciam
a Deus não haver nascido escravo, gentio e nem mulher. Os apóstolos propagavam os ensinos de Jesus, que devemos amar
Deus acima de todas as coisas e o nosso próximo (Mc 12.29-31). Os romanos não entendiam essa mensagem e consideravam-na
uma ameaça à estrutura social do império (At 16.20-22) e os judeus,
às tradições de seus antepassados (At 6.14; 21.27, 28).
2. Crise religiosa. O crescimento vertiginoso da Igreja era uma
constante preocupação para os romanos. Em virtude da singularidade de Cristo e
do exclusivismo do Cristianismo, os cristãos se recusavam participar do culto ao imperador e dos
demais cultos pagãos. Por causa disso eram reconhecidos pelas autoridades como ateus, anarquistas e inimigos do Estado (1 Jo
5.21).
3. Crise econômica. A crise religiosa gerou uma nova crise: a
econômica. Os novos crentes, libertos da idolatria, não mais se interessavam em
adquirir as estatuetas dos deuses, usadas nos nichos ou penates (At 19.24). Isso afetou não só os “santeiros”
que vendiam imagens dos deuses, como também os arquitetos e engenheiros que construíam grandes templos. O manifesto de
Demétrio, que impediu Paulo de pregar para uma multidão no teatro de Éfeso (19.30,31), já era prenúncio de uma série de
perseguições gerais, que foram onze até o Edito de Milão, assinado por
Constantino em 313 d.C.
III. PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS
1. Os comunistas. Karl Marx apregoava a alienação religiosa, doutrina que ensina o homem a se rebelar contra Deus. Ele
chamou a religião de “ópio do povo”. Afirmava que o homem criou
as instituições sociais e que agora se tornou escravo delas, devendo portanto rebelar-se contra elas.
Os comunistas elaboraram programas sistemáticos para
exterminar o Cristianismo e fechar as igrejas nos países sob o seu
controle.
2. Queda do Muro de Berlim. Com essa derrocada, a história
provou que religião não é “o ópio do povo”, mas sim “a alma do
povo”. O Cristianismo triunfou sobre as forças satânicas. O bloco
comunista, que parecia a fortaleza satânica mais inexpugnável da
terra, caiu! (Is 45.2; 54.17).
VI. PERSEGUIÇÕES NOS DIAS ATUAIS
1. Declaração Universal dos Direitos do Homem. Diz no artigo XVIII: “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento,
consciência e religião. Este direito inclui a liberdade de mudar de
religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou
crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância,
isolada ou coletivamente, em público ou em particular”. A legislação dos países civilizados e democráticos seguem essa
orientação. Apesar de todas essas garantias temos ainda enfrentado o problema de perseguição.
2. Um exemplo a seguir. Paulo enfrentou perseguições em suas
viagens missionárias. Mesmo assim ele fundou igrejas na Ásia Menor e Europa. Ora,
se ele enfrentou tal situação, por que não nós hoje na atualidade? Precisamos aprender com ele. A obra
missionária não é uma alternativa e nem um pedido de Jesus, mas
uma necessidade e sobretudo uma ordem imperativa (Mt 28.19,20; Mc 16.15-20) a ser cumprida a despeito das
circunstâncias.
CONCLUSÃO
A legislação romana protegia a atividade dos apóstolos, mas isso
não foi suficiente para impedir as perseguições locais, como acontece nos dias
atuais. O problema, portanto, não é de ordem social, política ou econômica, mas, sim, espiritual. Estamos numa
guerra contra o reino das trevas (2 Co 10.4,5). Carregar a cruz de Cristo (Mc 8.34; 10.21) não significa meramente suportar
nossas cargas, pois cruz simbolizava morte e não carga. Jesus estava falando à respeito das perseguições e outros sofrimentos
por causa dEle. Devemos pois fazer o trabalho de Deus enquanto é dia, pois a noite vem quando ninguém pode mais trabalhar
(Jo 9.4).
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