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Povos
não-alcançados
Esequias Soares
Extraído da Revista
"Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus
Quando Deus chamou a Paulo para ir à Europa, mostrou-lhe, numa
visão, um varão macedônio que lhe rogou, dizendo: “Passa à Macedônia e
ajuda-nos!”(At 16.9). Esse homem, que o apóstolo viu em sua visão, apresentava no seu pedido todos os
sofrimentos, angústias e decepções em que os povos na Europa viviam naquele tempo, por não conhecerem o caminho da
salvação. O mesmo clamor ainda hoje se ouve! O clamor dos que não foram alcançados pelo amor de Cristo deve representar para
nós motivo real para realizarmos urgentemente a obra missionária.
Qual deve ser sua resposta diante deste imenso desafio? De que forma você pode contribuir para a expansão do Reino de Deus?
Qual é a sua parcela neste empreendimento divino?
A Grande Comissão deve ser prioridade na vida de cada discípulo
de Cristo. Seu alvo é alcançar o mundo inteiro com a mensagem do evangelho,
dando as orientações necessárias para que cada pecador tenha, de forma clara, condições de optar positivamente
pela sua própria salvação. O campo a ser abrangido pelo testemunho dos crentes vai desde a cidade onde vivem até aos
confins da terra em ação simultânea. Isto é, a ordem de Jesus é
que evangelizemos ao mesmo tempo onde estamos, nos arredores, nas províncias distantes e em todas as nações do
mundo.
INTRODUÇÃO
Quando Jesus ordenou que se levasse o evangelho a todas as nações, referia-se também aos grupos étnicos. A palavra grega
para “nações” ou “mundo”, usada nesse contexto missiológico,
(Mt 24.14; 28.19, Lc 24.47) é ethnos, de onde vem a palavra “etnia”. A ordem não diz respeito
meramente a países, mas aos diferentes grupos étnicos, que se acham nos países politicamente
organizados, e estes estão em torno de 1.739.
I. JANELA 10/40
1. O que é a Janela 10 por 40? É a região onde habita 66% da população mundial, e ocupa 33% da área total do planeta,
compreendendo 62 países. Os dois maiores países do mundo, em número de habitantes, encontram-se nessa área: China e Índia.
Os dois juntos representam cerca de 33% da população da terra. Esta região estende-se desde o oeste da África até ao leste da
Ásia, e é comparada a uma janela retangular, estando entre 10 e 40 graus ao norte da linha do equador. Todas as terras bíblicas
encontram-se nessa janela. O apóstolo Paulo ultrapassou esses limites nas suas viagens missionárias (Rm 15.19).
2. Características. É a área do mundo onde vive o maior número
de povos não alcançados, predominando os seguidores do Islamismo, do
Hinduísmo e do Budismo. O Islamismo está atingindo 1 bilhão de adeptos, o Hinduísmo, mais de 700 milhões. A Janela
10/40 é conhecida como o Cinturão de Resistência; nela se encontram as fortalezas de Satanás, pois 37 dos 50 países menos
alcançados do mundo localizam-se nessa região. Nessa área, estão 82% dos mais pobres do planeta. Bilhões de pessoas são
vítimas das enfermidades, misérias e calamidades.
II. POVOS SEM PÁTRIAS
1. Os curdos. São os descendentes de Elão, filho de Sem, filho de
Noé (Gn 10.22). Os elamitas estavam presentes no Dia de Pentecostes (At
2.9). Atualmente a maioria está concentrada no Iraque e na Turquia. Lutam para reconstruir sua pátria; o que
eles estão vivendo é o cumprimento da Palavra de Deus (Jr 49.34-39).
A palavra profética contempla, no v. 34, um final glorioso para esse povo. Sua evangelização tem
sido um desafio para as igrejas, pois eles são muçulmanos.
2. Os povos bérberes rifenhos. São provenientes da região de
Cirene, norte da África, terra de Simão, cireneu, mencionado nos
evangelhos sinóticos (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23.26); e de Lúcio (At 13.1). Estavam também presentes no Dia de Pentecostes (At
2.10). A maioria deles habita no norte da África, nas montanhas do Rife, região que vai do Marrocos até à Tunísia. De maioria
muçulmana, sua maior concentração na Europa está em Amsterdã, Holanda. Falam o Tamazigh; o evangelho de João já foi
traduzido nessa língua. Sua evangelização é um desafio para as
igrejas devido a sua religião islâmica.
3. Os indígenas brasileiros. Quando Pedro Álvares Cabral chegou
ao Brasil, em 1500, havia entre 5 a 6 milhões deles, divididos em
cerca de 900 grupos étnicos. Foram dizimados impiedosamente pelos colonizadores. Hoje, 500 anos depois, eles estão reduzidos
a 250 mil e a 221 grupos, sendo 41 desses grupos com mais de 1.000 membros e 56 com menos de 100 indígenas falando cerca
de 185 línguas diferentes (dados de 1991). Sua evangelização constitui-se num desafio para todos nós, por causa das pressões
dos sociólogos incrédulos, da imprensa e da grande variedade de línguas que dificulta prover literatura em sua língua.
III. OS ADEPTOS DE SEITAS
1. O desafio das seitas. Onde quer que o missionário seja enviado, para qualquer parte do planeta, lá estarão as seitas. Os
adeptos de seitas estão incluídos na lista dos grupos não alcançados, e sua evangelização é um desafio para a Igreja. Hoje
há no mundo 10 religiões, além do Cristianismo, são elas: Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, Confucionismo,
Taoísmo, Xintoísmo, Jainismo, Sickismo e Zoroastrismo; e cerca de 10 mil seitas, sendo 6 mil delas na África e 1.200 nos Estados
Unidos. Entre as seitas prolifera o Espiritismo, manifesto ou disfarçado, nas suas muitas ramificações. Vale ressaltar aqui o
nosso lema: “Você está disposto a fazer pela verdade o que as seitas fazem pela mentira?” (Jd v.3). O que você está fazendo
para a salvação desses povos e grupos não alcançados? (Pv 24.11).
2. Como alcançá-las? Seus adeptos estão à nossa volta, mas
requer-se dos crentes conhecimentos sólidos das doutrinas vitais do Cristianismo.
Além disso, é necessário conhecer as crenças das seitas, seus argumentos e saber como refutá-los à luz da
Bíblia (2 Tm 2.15; 1 Pe 3.15). Mesmo assim, o trabalho só terá êxito se for realizado na direção e capacitação do Espírito Santo
(Jo 16.8-11). Ainda são poucos os que se desprendem para tal tarefa. Geralmente são as pessoas que vieram dessas seitas que
se preocupam com a evangelização de seus antigos irmãos.
IV. OS MUÇULMANOS
1. Sua origem. Os muçulmanos são os adeptos do Islamismo. O termo “islamismo” vem da palavra árabe islão, que significa
“submissão”; uma referência a sua obediência à sua divindade
Alá. É uma religião fundada por Maomé (570-634 d.C.) na Arábia
Saudita. Hoje são cerca de 1 bilhão de seguidores; a maioria na Janela 10 por 40. Para cada seis seres humanos no planeta um é
muçulmano, dois são cristãos (incluindo os cristãos nominais), um
já ouviu falar de Jesus pelo menos uma vez, e dois nunca ouviram falar de Jesus.
2. O grande desafio à Igreja. A evangelização dos muçulmanos é
um dos maiores desafios da Igreja, isso porque nenhuma religião do mundo odeia
tanto a cruz de Cristo como o Islamismo; e além disso, ensinam seus adeptos a opor-se ao Cristianismo. O islão
não é apenas uma religião, mas também um sistema político, social, econômico, educativo e judicial. A sociedade muçulmana
exige estrita fidelidade por parte dos seus cidadãos. A opinião do
indivíduo conta pouco; o que a comunidade pensa é muito mais importante. O comportamento de um indivíduo é controlado de tal
maneira pela sociedade que quase não resta espaço para uma ação independente. É por isso que o muçulmano não está
habituado a tomar decisões pessoais, como aceitar o evangelho, crendo em Cristo como o seu Salvador.
3. Suas crenças. Negam a Trindade, a divindade de Jesus;
afirmam que Jesus não é o Filho de Deus; negam sua morte na cruz; ressaltam que não
é necessário alguém morrer pelos pecados de outrem e rejeitam a doutrina do pecado original.
Apesar de serem monoteístas, professando sua crença em Alá como único Deus e em Maomé seu profeta, negam e atacam os
fundamentos do Cristianismo. O conceito deles sobre cada doutrina do Cristianismo é distorcido e antibíblico. Eram poucos os
cristãos na Arábia, nos dias de Maomé. Além disso, o Cristianismo
daquela região, de maioria nestoriana, não era bíblico. Isso explica
o fato de Maomé haver pensado que a Trindade se constituísse de Pai, Filho e Maria (Alcorão,
Sura 4.171; 5.72.73), em vez de Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28.19; 2 Co 13.13).
4. O Alcorão. Nós temos a Bíblia e eles o Alcorão. Os muçulmanos
nunca puderam provar ser o seu livro de origem divina. Suas declarações são
meramente dogmáticas, baseadas na autoridade que seus adeptos lhe atribuem. O certo é que a Bíblia e o Alcorão
se opõe um ao outro. O Alcorão nega a morte de Jesus; diz que Ele não foi crucificado (Sura 4.157); ao passo que toda a Bíblia
fala de sua morte, tanto em termo de profecia (Gn 3.15; Is 53), como de figuras, ver o sacrifício de Isaque (Gn 22); ilustrações
(Hb 9.9-11), e sua historicidade nos Evangelhos e o seu significado nas epístolas (1 Co 15.3). O fato é confirmado também
pela história (Josefo e Tácito).
CONCLUSÃO
A história da Igreja é marcada pelos desafios. Oramos 70 anos para que Deus fizesse ruir a Cortina de Ferro (os países
comunistas) e Deus ouviu a nossa oração. Depois de tudo isso
perguntamos: “O que estamos fazendo nesses países?” Infelizmente, muito pouco. Restam ainda a China, a
Coréia do Norte e Cuba. Apesar de o evangelho estar sendo pregado nesses
países, não deixa de ser mais um desafio para a Igreja. A Janela
10/40 ainda é um dos maiores desafios missionários da atualidade.
Por isso todos os crentes devem orar, contribuir, apoiar e inteirar-se das
necessidades dos trabalhos missionários direcionados para essa região do planeta.
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