|
O
Evangelho
Esequias Soares
Extraído da Revista
"Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus
INTRODUÇÃO
Por que evangelizar e fazer missões? O que significa evangelismo e missões para a Igreja
neste novo milênio? Quais os recursos e estratégias para a execução dessa tão sublime tarefa?
I. A PALAVRA “EVANGELHO”
1.Etimologia. A palavra “evangelho” vem de duas palavras grega
seu, que quer dizer “bom”, e de angelia, que significa “mensagem,
notícia, novas”. Assim, a palavra euuangelion quer dizer “boas
novas, notícias alvissareiras”. Essa palavra aparece tanto no
Antigo Testamento como na literatura extra-bíblica. No hebraico é bessorah (2 Sm 18.20,25,27; 2 Rs 7.9), que a Septuaginta
traduziu por euuangelion. Originalmente significava “pagamento pela
transmissão de uma boa notícia”. Com o tempo, passou a ganhar novo significado no mundo romano de fala grega, em
virtude do culto ao imperador, pois a palavra euuangelion era usada para anunciar o nascimento deste ou a sua coroação.
2. Novo Testamento. Esse vocábulo, que é encontrado 76 vezes
em todo o Novo Testamento, só aparece no singular; o verbo
euuangelizo, “evangelizar”, 54; e euuangelistes, “evangelista”,
três. O Senhor Jesus Cristo é o conteúdo do evangelho: sua vinda, seu ministério terreno, seu
sofrimento, morte e ressurreição (Rm 1.1-7). É a mensagem de Cristo que salva o
pecador (Jo 3.16; Rm 1.16). É o meio empregado por Deus para a salvação de todo aquele que crer (1 Co 15.2). Só através do
evangelho é que o homem conhece a salvação na pessoa de Jesus. O evangelho
de Cristo é a única resposta para este mundo que perece em conseqüência do pecado.
3. Os três estágios da palavra evangelho.
a) No mundo grego, tinha o sentido de recompensa por trazer boas novas.
b) No Antigo Testamento (Septuaginta), o vocábulo indica as próprias boas-novas. Aparece em termos proféticos com o mesmo
sentido que encontramos no Novo Testamento: “Quão suaves são sobre os montes os pés do que anuncia as
boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que
diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52.7). Veja o seu cumprimento
em Romanos 10.15.
c) No Novo Testamento são as boas novas que falam do Reino de
Deus, da salvação e do perdão dos pecados na pessoa de Nosso Senhor Jesus
Cristo. É o evangelho da graça de Deus (At 20.24).
II. OS QUATRO EVANGELHOS
1. É a mensagem de salvação. O evangelho é a mensagem transformadora do Calvário; não é meramente um livro. Se não é
um livro, por que chamamos as quatro primeiras seções do Novo Testamento de “evangelhos”? Essa nomenclatura é externa, e
surgiu a partir do séc. II, mas parece haver apoio interno para isso: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc
1.1). O evangelista Marcos, depois dessa declaração, passa a narrar o ministério público de Jesus, que consiste no conteúdo do
segundo livro na ordem do Novo Testamento; assim o termo “evangelho” ganhou novo estilo literário.
2. A natureza dos evangelhos. Mateus, Marcos, Lucas e João são
a base do Novo Testamento; é impossível compreender a este sem os quatro
evangelhos.
a) Os evangelhos sinóticos. Os três primeiros evangelhos são
chamados de sinóticos. Este nome vem de duas palavras gregas syn, que significa
“com”, e opsis, “ótica, vista”. A palavra “sinótico” quer dizer “visão conjunta”. Isto se aplica a Mateus,
Marcos e Lucas porque eles são uma sinopse da vida de Cristo. Eles contêm muitas semelhanças entre si no conteúdo e na
apresentação.
b) O Evangelho de João. Enquanto os sinóticos registram o
ministério incessante e intenso do Senhor Jesus, as parábolas, os
milagres e todos os demais feitos do Mestre, João preocupou-se mais em descrever os discursos profundos e abstratos de Jesus,
revelando a sua deidade absoluta. O propósito é mostrar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que a fé em seu nome dá a
todo o que nEle crê a vida eterna: “Estes, porém, foram escritos
para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).
III. A PROMESSA DE DEUS
1. O resumo do evangelho. O capítulo 1 da epístola aos Romanos
é uma síntese do evangelho; é a mais bela de todas as introduções das epístolas
paulinas. Em tão poucas palavras, diz tudo o que o homem precisa saber sobre Jesus. Alguém sugeriu
que todos os crentes a decorassem para recitá-la diariamente como uma confissão de fé. Essas poucas palavras falam da
origem divina e humana de Jesus, e descrevem o plano de Deus
para a redenção da humanidade.
2. O plano de Deus. O evangelho não é algo surgido de improviso, pois Deus o havia prometido desde “antes dos tempos dos
séculos” (Tt 1.2). A Bíblia diz que Deus o prometeu “pelos seus
profetas nas Santas Escrituras” (Rm 1.2). O Messias foi sendo revelado de maneira sutil e progressiva.
Cada profeta apresentou um perfil do Salvador, até que a revelação se consumou na sua
vinda.
Há inúmeras profecias messiânicas e alusões diretas e indiretas
ao Messias, e destas, cerca de 20 passagens apontam Jesus como o filho e
sucessor do rei Davi. Mateus inicia o seu evangelho associando o Messias aos dois maiores pilares do
Antigo Testamento: Abraão e Davi (Mt 1.1). O apóstolo Paulo ressalta, aqui, a realeza do Filho do homem
(v.4).
IV. O EVANGELHO QUE SALVA
1. O caráter universal do evangelho. A Bíblia diz que todos os homens são pecadores e precisam reconciliar-se com Deus (Rm
3.23; 5.12). Não existe salvação sem Jesus (At 4.12). Ele mesmo
disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). No livro de
Atos, encontramos o Espírito Santo impulsionando os cristãos no trabalho da pregação do evangelho. O alcance do evangelho, em
tão pouco tempo, foi extraordinário. É o cumprimento da ordem de Jesus: “Até os confins da terra” (At 1.8).
2. A evangelização. O evangelho é a mensagem de que o mundo
tanto carece. Já faz dois mil anos que os cristãos vêm pregando
esta mensagem, e ela continua sendo, a cada dia, sempre nova e eficaz. A evangelização, o discipulado e a intercessão são as três
principais colunas do crescimento da Igreja. Cada igreja deve elaborar um
projeto, com metas bem definidas, para alcançar os pecadores. O apóstolo Paulo diz que o evangelho salva, mas é
preciso permanecer nele (1 Co 15.1,2). Evangelizar é tarefa de todos os crentes.
3. Influência do evangelho na legislação das nações. O evangelho
de Cristo tem influenciado muitas nações. Haja vista a Inglaterra
e os Estados Unidos. Herdeiros de grandes grandes avivamentos espirituais, ambos os países garantem, através de legislações
inspiradas na Bíblia, o respeito aos direitos humanos, a preservação da qualidade de vida e a justa distribuição de renda.
Infelizmente, o mesmo não acontece nos países que se fecharam às Boas Novas de Cristo. Oremos, pois, a fim de que o Brasil seja
totalmente evangelizado, pois, feliz é a nação que se acha compromissada com o evangelho de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
O Senhor Jesus constituiu a Igreja como a única agência do Reino
de Deus na terra encarregada de anunciar as boas novas de salvação. É
necessário, pois, a mobilização de toda a Igreja para que essas metas sejam alcançadas. Cada crente dos dias
apostólicos era um dedicado, fervoroso e próspero ganhador de almas (At 8.4). Jesus foi enviado ao mundo para salvar os
pecadores (Mt 11.28-30), através da mensagem do evangelho (1 Tm 1.15). Deve ser a nossa a resolução do apóstolo Paulo:
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de
Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).
|