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Jonas,
o missionário do Antigo Testamento
Esequias Soares
Extraído da Revista
"Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus
INTRODUÇÃO
O
Cristianismo é a primeira religião proselitista e missionária
da história, pois o evangelho não é uma mensagem alternativa,
é única e exclusiva.
Jesus
afirmou que é uma questão de vida ou morte (Jo 17.3). No Antigo
Testamento, missões era um projeto ainda não colocado em prática.
O profeta Jonas, como missionário, era uma figura de Cristo. O
Novo Testamento tornou explícito o que dantes estava implícito
no Antigo.
I.
O CONTEXTO HISTÓRICO DE JONAS
1.
O Reino de Israel. Após a morte de Salomão, o reino hebreu
dividiu-se em dois: Israel, ou Reino do Norte, formado pelas 10
tribos encabeçadas por Efraim, tendo por capital inicialmente
Gibeá, e, depois, no tempo de Onri, Samaria; Judá, formado por
esta tribo e a de Benjamin, ou reino do Sul, cuja capital era
Jerusalém, onde a dinastia de Davi continuou reinando por mais de
400 anos.
2.
O profeta e sua terra. Jonas era filho de Amitai. Viveu no Reino
do Norte e habitava em Gate Hefer (2 Rs 15.25) que, segundo Jerônimo,
era uma aldeia dos arredores de Nazaré da Galiléia. O profeta
viveu na época de Jeroboão II, quando o Reino de Israel
achava-se sob pressão dos assírios. A Assíria é a região onde
hoje localiza-se o norte do Iraque, e sua capital, na antigüidade,
era Nínive.
3.
Origem dos ninivitas. Cidade fundada por Ninrode, filho de Cam,
neto de Noé (Gn 10.11,12), a Assíria é conhecida como o país
de Ninrode (Mq 5.6). Os assírios são descendentes de Assur, ou
Ashur, em hebraico, filho de Sem (Gn 10.22). A expressão “saiu
ele à Assíria” (Gn 10.11) é de difícil interpretação; no
original hebraico não se sabe se Ashur, ou Assíria, são uma e
mesma coisa. Se o primeiro caso puder ser confirmado, significa
que Ninrode juntou-se a Ashur, e ambos fundaram Nínive, além de
outras cidades da região. Isso explicaria o fato de um país
semita ser chamado de terra de Ninrode, um camita.
4.
Características dos ninivitas. Eram um povo beligerante. Os
gregos caracterizavam-se pela filosofia, os fenícios pela arte náutica,
os hebreus pelo monoteísmo ético, mas os assírios pela
crueldade. São
indescritíveis as torturas que eles aplicavam aos seus
prisioneiros. A arte bélica era a característica dos assírios.
Isso explica a deserção de Jonas; o profeta desejava fossem os
assírios destruídos em conseqüência de sua maldade (Jn 4.1,2).
II.
A MENSAGEM DE JONAS
1.
A incumbência de Jonas. Depois que o grande peixe vomitou o
profeta, Deus novamente o envia a Nínive, dizendo: “prega
contra ela a pregação que eu te disse” (v.2). Qual foi a pregação
que Deus entregou a Jonas? “Ainda quarenta dias, e Nínive será
subvertida” (v.4). Não era uma mensagem de misericórdia, mas
uma sentença de condenação. Era o anúncio do juízo de Deus
sobre a cidade.
2.
O Senhor Jesus. O Senhor Jesus apresentou suas credenciais de
Messias: sinais e maravilhas nunca vistos desde a fundação do
mundo, ensinos extraordinários que vêm impressionando a
humanidade nesses 2.000 anos de Cristianismo, trazendo-nos uma
mensagem de perdão e de amor. Não há razão para recusarmos o
evangelho ou duvidar do Senhor Jesus. Ele tem o testemunho da lei
e dos profetas (Rm 3.21). A Bíblia declara: “A este dão
testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem
receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43).
3.
O profeta Jonas. O profeta Jonas, ao contrário, não mostrou
sinais nem maravilhas e a sua mensagem não era de perdão; sequer
convidou os ninivitas ao arrependimento. Todavia, o povo
arrependeu-se a ponto de o rei proclamar um jejum para toda a
cidade e até para os animais. E, assim, o povo alcançou misericórdia.
Por isso Jesus disse que os ninivitas estariam presentes no juízo
para condenar aquela geração incrédula que recusou o Filho de
Deus: “Os ninivitas ressurgirão no Juízo com esta geração e
a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E
eis que está aqui quem é mais
do que Jonas” (Mt 12.41).
III.
MISSÕES NAS RELIGIÕES ANTIGAS
1.
Os pagãos. As religiões do antigo Oriente Médio eram tribais. Não
há registro de que um adepto de Astarote, divindade dos sidônios;
ou de Milcom, dos amonitas (1 Rs 11.5), ou ainda de qualquer outra
divindade, haja levado sua mensagem para os adeptos de outros
deuses, pois tais religiões eram algo mais de caráter cultural
do que espiritual. Os pagãos entendiam que a cada povo bastava o
seu deus.
2.
O Judaísmo. Apesar de o Judaísmo não adorar a um Deus tribal, não
é uma religião missionária, nem proselitista. Mas o Antigo
Testamento, que os judeus acatam como a Palavra de Deus, assevera
que toda a terra é do SENHOR (Êx 19.5; Sl 24.1). Por
conseguinte, Deus tem o direito de reinar sobre todas as nações
e de proclamar seus juízos e a sua salvação. Com exceção de
Jonas, os profetas do Senhor sempre eram enviados ao seu próprio
povo, e, em seus escritos, encontramos mensagens de advertências,
ameaças e também de bênçãos para as nações vizinhas.
3.
Os prosélitos no Novo Testamento. Eram gentios convertidos à fé
judaica (At 2.10; 6.5; 13.43). Parece que havia empenho das
autoridades judaicas do primeiro século no proselitismo (Mt
23.15). O prosélito submetia-se a três coisas: fazer a circuncisão,
oferecer um sacrifício e submeter-se ao batismo. No batismo, o
local não podia conter menos que 300 litros de água e todo o
corpo devia ser tocado pela água. A pessoa tinha de rapar o
cabelo, cortar as unhas e por-se desnuda. Ainda na água, lia uma
parte da Lei, e fazia a confissão de fé, diante de três
testemunhas — uma espécie de padrinhos. Em seguida, recebia as
palavras de consolo e de bênção. Quando saía das águas
batismais, já era membro da família de Israel. Era o batismo
deles. Hoje os rabinos fazem sérias objeções aos gentios que
desejam se converter ao Judaísmo. Eles se empenham, acima de
tudo, em trazer de volta para o Judaísmo seus próprios irmãos:
os judeus não religiosos.
4.
Profecias cumpridas. Há no Antigo Testamento vislumbres missionários,
de profecias que se cumpriram no Novo Testamento. A mensagem de Gn
12.3: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” era
a promessa de Deus para salvar os gentios (Gl 3.8). Isso está
ainda mais claro no profeta Isaías: “As ilhas aguardarão a sua
doutrina” (42.4). Ou: “E, no seu nome, os gentios esperarão”,
conforme a Septuaginta, citada em Mt 12.21. Isso também é visto
em Os 1.10; 2.23, citado em Rm 9.25,26. O Cristianismo é a
primeira religião missionária do mundo.
IV.
O CARÁTER UNIVERSAL DO CRISTIANISMO
1.
Os gentios ontem e hoje. Os gentios, goiym em hebraico, são todas
as nações que estão fora do povo de Israel. Até a vinda de
Jesus, a humanidade estava dividida em dois povos: gentios e
judeus, e o plano de Deus era a reunificação deles, derribando a
parede de separação, o que Jesus realmente fez através de sua
morte na cruz (Ef 2.13-18). Hoje deixa de ser gentio quem se
converte ao Senhor Jesus (1 Co 12.2; Ef 2.11).
Somos filhos de Abraão, no sentido espiritual (Rm 4.12-12; 9.8,
30-32; Gl 3.7).
2.
Jonas, uma figura de Cristo. Ambos foram enviados aos gentios,
eram galileus e por três dias e três noites ficaram nas
profundezas; Jonas, no ventre do grande peixe; Jesus no seio da
terra (Mt 12.40). Tais semelhanças servem para mostrar que Jonas
é a figura de Cristo no Antigo Testamento. Ali estava o prenúncio
da salvação dos gentios. A redenção destes estava no plano de
Deus antes da fundação mundo (Ap 13.8); não foi uma improvisação
de última hora feita por Jesus. Os profetas falaram dessa salvação
(1 Pe 1.10-12).
CONCLUSÃO
O
Messias, objeto da expectativa dos profetas do Antigo Testamento,
é o Cristo do Novo Testamento. O trabalho missionário, iniciado
por Jonas, continuou com os apóstolos, cabendo-nos a tarefa de
expandi-lo até aos confins da terra. Hoje somos frutos de missões
e devemos fazer missões;
há ainda milhões que estão perecendo sem o conhecimento do
evangelho.
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