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A igreja de Jerusalém

Esequias Soares

Extraído da Revista "Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus

INTRODUÇÃO 

Os textos de Atos 2.42-47; 4.32-53 juntos se completam e mostram o começo da igreja de Jerusalém. Era uma igreja que se caracterizava pela comunhão, sinais sobrenaturais, solidariedade de seus membros, testemunho da ressurreição de Cristo, e pelo poder atuante do Espírito Santo na vida dos discípulos. Tais características são indispensáveis na vida da Igreja em todas as eras e em todos os lugares. 

I. A RESSURREIÇÃO DE JESUS 

1. Uma das colunas do Cristianismo (4.33). Os fundadores das grandes religiões não-cristãs, Buda, Confúcio, Zoroastro, Maomé e outros morreram e estão sepultados até hoje, entretanto Jesus está vivo! “Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia” (Mt 28.6). Uma das grandezas do Cristianismo é que o seu fundador venceu a morte e continua vivo. Não somente está vivo, mas tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18), e esse poder está presente na Igreja: “E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (4.33). A ressurreição de Cristo é a viga mestra do Cristianismo.

2. Jesus ressuscitou para a nossa justificação. A ressurreição de Jesus foi corporal (Jo 2.20-22; At 2.25-32). O apóstolo Paulo afirma que isso aconteceu para que pudéssemos ser justificados diante de Deus (Rm. 4.25). “Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 15.17). Com isso afirma o apóstolo que o Cristianismo não teria sentido se Jesus não tivesse ressuscitado; não passaria de uma religião comum como as demais, cujos fundadores morreram e não puderam ressuscitar; foram vencidos pela morte. Essa ressurreição é mais que meramente tornar a viver; é a glorificação de Jesus (Jo 7.39; Rm 1.4).

3. “Muitos sinais se faziam entre os apóstolos” (2.43). O milagre da ressurreição foi tão extraordinário, que para os gregos era loucura (At 17.32). A cura do coxo na porta do templo de Jerusalém era a prova infalível da ressurreição e do poder de Jesus (At 3.13-16). Isso porque a morte de Jesus foi testemunhada por muitos em Jerusalém. Toda a cidade tinha conhecimento desse acontecimento; a notícia havia se espalhado por toda a parte. Pedro fez questão de sublinhar que a cura extraordinária do coxo era obra do Cristo ressuscitado. 

II. UMA IGREJA SOLIDÁRIA 

1. A generosidade dos irmãos (2.45). A solidariedade era algo generalizado na igreja de Jerusalém e não meramente uma característica de Barnabé. Isso era conseqüência da nova vida em Cristo. Muitos deles vendiam suas propriedades levando o dinheiro aos apóstolos. É bom sempre lembrar que essas doações eram voluntárias e a repercussão foi muito grande, pois naquela época havia muita pobreza na Cidade Santa. O trabalho social é também uma forma de evangelizar. Aliás, é essa a linguagem que o mundo entende (1 Jo 3.17).

2. Avaliando essa atitude. Há expositores que criticam a atitude desses irmãos. Consideram-na como precipitação pueril e equivocada, motivada pela expectativa da vinda iminente de Cristo, dando assim origem a uma pobreza que, depois, foi necessário o apóstolo Paulo angariar fundos nas igrejas gentias para remediar tal situação. O relato de Atos não nos dá a entender nenhuma interpretação dessa natureza. A pobreza deles não foi proveniente disso, mas das circunstâncias daqueles tempos. Essas doações foram necessárias para a sobrevivência da igreja de Jerusalém, pois estava começando e a pobreza do povo era extrema. Com esses recursos a igreja era suprida e assim era possível assistir ao pobre que se convertia a Jesus (At 6.1).

III. UMA IGREJA CARACTERIZADA PELA COMUNHÃO  

1. Comunhão. Ter tudo em comum e partilhar da mesma crença é comunhão. A palavra grega koinonia, “comunhão”, significa compartilhar ou participar mutuamente de algum evento comum ou acordo. No Antigo Testamento a idéia de comunhão diz respeito ao relacionamento do homem com o seu próximo (Sl 133.1) e nunca do homem com Deus. Mesmo o fato de Abraão ser chamado “amigo de Deus” (Tg 2.23) e Moisés ter falado com Deus face a face (Dt 34.10), não significa que hajam eles provado a mesma comunhão com Deus, como os crentes da nova aliança (Jo 15.14). A comunhão no Cristianismo envolve tanto o relacionamento entre os irmãos como também com o Pai, com o Filho (1 Jo 1.3) e com o Espírito Santo (2 Co 13.13). 

2. A comunhão na igreja de Jerusalém (2.44; 4.32). A igreja de Jerusalém, logo nos seus primeiros dias, deu ao mundo uma lição de koinonia. O que o texto sagrado diz é que não se trata apenas de compartilhar algo, mas também de unidade. “Coração” diz respeito ao centro da vida. “Alma” é a sede das emoções, fala dos mesmos afetos e sentimentos (Fp 2.2,3). Todos os crentes tinham o mesmo propósito, a mesma esperança, servindo o mesmo Senhor. 

IV. O SOBRENATURAL NA IGREJA 

1. Igreja sem o sobrenatural está morta. A Igreja do primeiro século era pentecostal. Ainda hoje a doutrina pentecostal dá muita ênfase às experiências pessoais do cristão com o Senhor Jesus. Uma das características da dispensação da graça é o fato de Deus se comunicar com cada crente individualmente, com pessoas de todos os sexos e de todas as idades por meio de sonhos, visões, profecias e até pelas pequenas coisas naturais do dia-a-dia (At 2.17,18). Esses privilégios eram restritos aos profetas ou a alguém escolhido por Deus para uma obra específica nos tempos do Antigo Testamento (Nm 12.6), mas agora é privilégio de todos os crentes.

2. Jesus deu poder à sua Igreja. Os sinais que Jesus prometeu (Mc 16.16-20) acompanharam a Igreja, e o livro de Atos é um registro histórico dessas promessas de Jesus. O ministério de Jesus foi acompanhado do sobrenatural. Ele deu poder aos seus discípulos para a realização de milagres, poder sobre o poder das trevas: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará  dano algum” (Lc 10.19); e poder sobre as enfermidades: “Curai os enfermos, limpai leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça daí” (Mt 10.8); é por isso que “muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos” (2.43). 

3. Os sinais sobrenaturais hoje. Os milagres atraem as pessoas e muitas vezes levam-nas à fé cristã. Os sinais que se seguiram (Mc 16.20) estão presentes nos dias atuais. O Senhor Jesus dotou a sua Igreja dos dons espirituais para que tenha poder de levar o evangelho a todo o mundo. Nós somos a continuação daqueles irmãos; os sinais devem continuar na vida da igreja da atualidade.

CONCLUSÃO 

Testemunhar com ousadia a ressurreição de Jesus, promover a comunhão e a solidariedade entre os irmãos, buscar o sobrenatural do Espírito Santo para que o povo conheça o poder de Deus são características da verdadeira Igreja cristã. Cristianismo sem o sobrenatural do Espírito Santo é mera filosofia. Os recursos espirituais servem para mostrarmos ao pecador que Jesus é o único Salvador do mundo. Eis aí o retrato de uma igreja  que revolucionou o planeta, sendo pioneira na evangelização do mundo, cujo exemplo devemos seguir.

 

 

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