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Atos,
o livro das misses
Esequias Soares
Extrado da Revista
"Lies Bblicas"
Jovens e Adultos - Lies do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assemblias de Deus
O livro de Atos dos Apstolos nos apresenta o
enraizamento e a expanso do evangelho nos primrdios da cristandade: comea
com a ascenso de Jesus aos cus e a divulgao do evangelho
a partir de Jerusalm, chegando finalmente a Roma, onde o livro termina.
A despeito das perseguies, os novos discpulos testemunhavam
todos os dias, no cessavam de ensinar e anunciar a Jesus Cristo: nas ruas,
nas casas, nas vilas, cidades, ensinando e proclamando intensamente o evangelho. Todos, indistintamente,
estavam empenhados em organizar novas igrejas, obedecendo a um plano de avano missionrio. E hoje, o que estamos fazendo
em prol da evangelizao local e universal?
O livro dos Atos dos Apstolos foi, evidentemente, designado por
Deus como guia e paradigma do esforo missionrio para todas as geraes.
H exemplos de toda experincia e de todas as circunstncias
que envolvem os obreiros de Cristo. O livro no termina com uma histria completa. A narrativa interrompida de maneira abrupta,
deixando Paulo em Roma, a maior metrpole do mundo, pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a liberdade as coisas
pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum.
Apta concluso, pois a obra ficou inacabada e as atividades dos missionrios continuariam at consumao dos sculos.
INTRODUO
Dos 66 livros da Bblia, Atos o que mais se destaca na obra missionria, pois registra misses por todos os ngulos, mostrando
todas as possveis atividades de um missionrio. O poder do Esprito Santo, a obra da evangelizao e as viagens missionrias
do apstolo Paulo so o contedo de Atos. Essas viagens so o assunto que vamos estudar hoje.
I. O LIVRO DE ATOS
1. O propsito de Atos. O propsito de Lucas, em seu Evangelho, foi escrever tudo o que Jesus comeou no s a fazer, mas a
ensinar (v.1). No livro de Atos, o propsito foi registrar o que
Jesus continuou a fazer e a ensinar, agora, pelo Esprito Santo, atravs dos apstolos, dando
nfase a ressurreio de Jesus, que se apresentou vivo, com muitas e infalveis provas (v.3).
2. Viso geral de Atos. O livro de Atos comea com o
aparecimento de Jesus j ressuscitado, reunindo-se com os seus discpulos durante 40 dias.
Jesus, ao ascender ao cu reafirma a promessa do Esprito Santo, a fim de que os seus discpulos se
encham do poder de Deus para pregar e fazer misses. A trajetria da Igreja comea em Jerusalm (1.16.7); em seguida,
temos a extenso do Cristianismo na Palestina (6.89.31) e converso de Saulo de Tarso at a introduo do evangelho em
Antioquia da Sria (9.111.19). Depois vem a campanha de Paulo na Galcia
(13.1416.6); a proclamao do evangelho na Europa (At 16.818.18); e a chegada de Paulo a Roma, a capital do
Imprio Romano (19.2128.31).
3. O valor de Atos. Sem o livro de Atos impossvel entender as
epstolas paulinas. A origem da Igreja estaria envolta em mistrio,
e no teramos a garantia do cumprimento das promessas de Jesus sobre a vinda do Consolador e nem saberamos qual a
experincia dos apstolos com o Esprito Santo, como foi a obra
missionria, como a Igreja se expandiu pelo mundo. Essas narrativas so de inestimvel valor para todas as geraes de
cristos.
II. A PRIMEIRA VIAGEM
1. Partindo de Antioquia. Barnab foi o companheiro de Paulo na sua primeira viagem missionria, que durou cerca de dois anos
(entre 46 e 48 d.C.) O objetivo deles era fundar igrejas. Comearam na ilha de Chipre; logo entraram no continente,
passando por Perge e Panflia, indo imediatamente para Antioquia da Pisdia, na Galcia do Sul.
2. Antioquia da Pisdia. Nessa cidade Paulo e Barnab comearam
a pregar numa sinagoga (13.14). Uns creram e receberam a palavra, insistindo
que Paulo retornasse no sbado seguinte para continuar o assunto. O nmero dos assistentes foi grande no
sbado seguinte, e isso causou inveja nos judeus, resultando em perseguio. Paulo e Barnab foram expulsos da cidade
(13.42-46).
3. Listra, Icnio e Derbe. A cura de um coxo em Listra serviu
como ponto de apoio para a pregao do evangelho (14.8-10). Depois disso Paulo e
Barnab foram para Derbe (14.20), e retornaram para o ponto de partida, visitando as igrejas em Listra,
Icnio e Antioquia da Pisdia (14.22) e estabelecendo obreiros nativos, frutos do trabalho missionrio.
III. A SEGUNDA VIAGEM
1. Objetivo da segunda viagem. Na Segunda viagem, Silas foi companheiro de Paulo. O objetivo era duplo, revisitar as igrejas da
Galcia do Sul, que Paulo fundara juntamente com Barnab na primeira viagem (15.36; 16.1-6; Gl 1.2), e abrir novas frentes de
trabalho, ou seja, fundar mais igrejas locais (v.6). O apstolo no
pretendia ir para a Europa; sua inteno era ir para sia: foram
impedidos pelo Esprito Santo de anunciar a Palavra na sia (16.6). Depois Paulo intentou ir para a Bitnia, mas novamente foi
impedido (16.7), sendo em seguida impulsionado a rumar para Tras.
2. As igrejas europias. O apstolo Paulo visitou muitas cidades
europias do mundo grego, durante a sua segunda viagem. Aqui mencionamos
apenas as cidades em que ele fundou igrejas. Em Filipos, comeou a igreja na casa de Ldia (16.14,15,40); em
Tessalnica, comeou pregando numa sinagoga (17.1,2) e da mesma forma em Beria (17.10-12). Em Atenas o trabalho
comeou numa sinagoga, e depois continuou nas praas e no centro acadmico da cidade, o arepago (17.17-19). Em Corinto
teve incio na sinagoga, como sempre, depois teve de sair dela, e
foi para a casa de Tito Justo, recebendo apoio de Crispo, principal
da sinagoga, que creu no Senhor Jesus (18.4-8). Essa viagem durou cerca de trs anos
(entre 49 e 52 d.C.).
IV. TERCEIRA E QUARTA VIAGENS
1. A igreja de feso. Seu propsito era visitar as igrejas para confirmar e fortalecer os discpulos (At 18.22,23). Fez o mesmo
caminho da segunda viagem: Galcia do Sul, regio frgio-glata,
chegando a feso, onde havia estado no fim de sua segunda viagem, ainda que tenha permanecido
no mais que trs dias na cidade (18.19-21). Na terceira viagem encontrou um grupo de 12
novos convertidos, que conheciam apenas o batismo de Joo (19.1-7). Por essa cidade havia passado Apolo (18.24) que fora
instrudo por qila (18.26). Nessa oportunidade, o apstolo ficou
trs anos na cidade (20.31). A viagem durou cerca de quatro anos (entre 53 e 57 d.C.).
2. A cidade de feso. Capital da provncia romana da sia, era a
cidade mais importante da regio e cruzamento de rotas comerciais. Nela estava
o templo da deusa Diana (19.35), chamada pelos romanos de rtemis, uma das sete maravilhas do
mundo antigo. Atualmente a cidade est em runas, e encontra-se localizada na regio da Anatlia, Turquia.
3. A viagem para Roma. Paulo partiu de Cesaria Martima como
prisioneiro, pois havia apelado para Csar (At 25.11; 26.32). Foi
uma viagem muito conturbada, por causa do mau tempo, e o apstolo no perdeu a oportunidade: evangelizou os demais
presos e a tripulao do navio que, em Malta, naufragou. Apesar dos danos materiais, ningum pereceu. Nessa ilha, o apstolo
fundou uma igreja. Depois embarcou para Roma, onde chegaria em 62 d.C. A viagem est registrada em Atos 27 e 28.
4. Paulo em Roma. Enquanto aguardava a audincia com Nero, o
apstolo atendia os irmos em casa alugada (At 28.30). A histria
de Paulo no termina aqui. O que se sabe, alm da interrupo que Lucas faz de sua narrativa, so alguns detalhes que o
apstolo d em suas cartas ou ento por intermdio dos escritos
dos Pais da Igreja. Seu caso foi examinado e ele foi absolvido. Nessa ocasio, se diz que ele cumpriu seu desejo de
pregar na Espanha (Rm 15.28). Nas redondezas de Roma, fez um grande
trabalho.
V. MISSES MUNDIAIS
1. O campo missionrio o mundo. Jesus disse: o campo o mundo (Mt 13.38). Ele no disse que o campo Jerusalm, nem
a Judia, nem Roma, nem minha cidade e a tua. Infelizmente h ainda os que pensam que o campo a sua cidade e por isso
mostram-se no somente apticos s misses, mas tambm posicionam-se contra elas. Outros no so contra, mas no se
esforam, so acomodados. dever de cada crente incentivar misses, orar pelos missionrios e pelos que esto sendo enviados
e contribuir financeiramente para o sustento dos missionrios.
2. Tanto em Jerusalm como em toda a Judia (v.8). Jesus no
disse para primeiro pregar em Jerusalm, depois na Judia, depois
em Samaria e s ento ser testemunha at os confins da terra,
mas mandou pregar tanto em Jerusalm como em toda Judia, Samaria e at os confins da
terra. Isso fala de simultaneidade, do contrrio o evangelho estaria ainda em Israel, confinado entre
os judeus, pois Jesus mesmo disse: porque em verdade vos digo que no acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que
venha o Filho do Homem (Mt 10.23).
CONCLUSO
Como resultado das viagens de Paulo, surgiram igrejas na sia e Europa, e com elas apareceram as epstolas, que ocupam um
tero do Novo Testamento, e o Cristianismo se tornou universal. Em Atos, portanto, esto registradas as viagens missionrias mais
importantes da histria do Cristianismo. a receita de misses e
de todas as atividades de um missionrio. Por essas razes, de todos os livros da Bblia, Atos o livro de
misses. |