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Abraão, o patriarca do islamismo
A maioria dos povos faz uma fusão das raízes religiosas e
culturais, o que dá mais fundamento às tradições e,
conseqüentemente, mais demora e dificuldade nas mudanças.
O islamismo é assim.
Está enraizado na cultura do povo, por isso tem sido um dos
maiores desafios para a igreja evangelizar o mundo dos nossos
dias. Os muçulmanos consideram a sua religião como parte
integrante da cultura e, em sua maioria, proíbem qualquer idéia de
mudança.
Olhamos perplexos para
os noticiários, jornais, revistas e todos os meios de comunicação,
nos falando a respeito dos povos islâmicos muitas vezes hostis e
violentos. Mas qual a razão de tanta violência? Por que os países
árabes e os povos que professam o islamismo são tão numerosos?
Hoje já chegam pelo menos quatrocentos e oito povos
etnolingüísticos (Weekes) entre os mais de um bilhão dos
seguidores de Maomé. Cremos estatisticamente que para cada cinco
pessoas hoje no mundo, uma já é islâmica. Entre estas e tantas
perguntas a serem respondidas e entendidas, gostaríamos de
esclarecermos biblicamente algumas destas questões nesta série de
estudos bíblicos, históricos, culturais e religiosos que iremos
abordar nas próximas edições. Queremos com estes estudos,
aniquilar do coração dos leitores a aversão e o medo que muitos
alimentam por estes povos. Pois entendemos pela palavra, que as
promessas feitas por Deus a todos estes povos são irrevogáveis.
"Quanto a Ismael, [...]: eis aqui o tenho abençoado" (Gn. 17.20).
ABRAÃO NA BÍBLIA
"Ora, o senhor disse a
Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu
pai, para uma terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande
nação, e abençoarei o teu nome, e tu serás uma benção. E
abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te
amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn.
12.1-3).
Deus escolheu Abraão
para fazer parte de seu plano de redenção. Mas o que fez de Abraão
um homem não muito comum, era o fato de Deus ter encontrado em
Abraão, a fé. Esta faria ele dizer "sim" para suas ordenanças.
Abraão deixaria tudo para traz e creria de que através dele, Deus
realmente iria abençoar milhares de vidas. Abraão também se
comprometeria com Deus em ensinar fielmente seus filhos em uma
geração corrompida, sobre o único Deus verdadeiro.
Mas, Abraão em meio à
falta de compreensão de como as promessas aconteceriam e da
provação de Sara, sua mulher, ser estéril (Gn. 11.30), relembra a
Deus dizendo: "Senhor JEOVÁ, que me hás de dar? Pois ando sem
filhos, e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer" (Gn.
15.2). Assim sendo, ele adotaria um dos seus servos para se tornar
o seu herdeiro. Mas, Deus rejeitou a idéia e prometeu a Abraão que
este seria pai de um filho e teria uma descendência inumerável (Gn.
15.4-5). Embora as promessas foram feitas a Abraão, a história da
redenção da humanidade começa e termina com Jesus Cristo. Esta
história, contudo, nos é apresentada com as bênçãos prometidas a
Abraão e sua família. A Bíblia nos dá testemunho de que "creu
Abrão no Senhor, e isso lhe foi imputado por justiça" (Gn. 15.6).
Abraão, "o pai da fé", é a partir daí, mencionado também como
"amigo de Deus". Também no islamismo é chamado como "Calil Ulá" (o
amigo de Deus).
ABRAÃO - O GRANDE PATRIARCA
Abraão, o "pai da fé",
é hoje de suma importância para as três grandes religiões
monoteístas do mundo. O Cristianismo, Judaísmo e Islamismo.
ABRAÃO E O CRISTIANISMO
Nós os cristãos cremos
realmente como Jesus na Bíblia é chamado, de "filho de Davi", o
"filho de Abraão" (Mt. 1.1). O próprio Jesus disse: "Abraão [...]
regozijou-se porque veria o meu dia; ele viu e alegrou-se" (Jo
8.56).
ABRAÃO E O JUDAÍSMO
Os judeus reivindicam
serem "descendência de Abraão" (Jo 8.33), mas Jesus respondeu aos
judeus da sua época: "Bem sei que sois descendência de Abraão;
contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em
vós" (Jo. 8.37). Jesus reconheceu que os judeus eram racialmente
descendentes de Abraão, mas não eram realmente seus filhos: "Se
fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras que Abraão. [...] Vós
tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso
pai" (Jo. 8.39-44).
ABRAÃO E O ISLAMISMO
Assim como Don McCurry,
nós aceitamos a idéia de que Maomé tentou estabelecer sua
identidade com Abraão por meio de Ismael. Mas devemos lembrar que
alguns estudiosos, como Chapman, questionam que Maomé pudesse
traçar sua genealogia até Ismael. Outros, como Hamada em seu livro
Understanding the Arab world, esquematizam com mais detalhes o
pano de fundo semita dos árabes, aceitando a possibilidade de
Maomé descender de Abraão por meio de Ismael. Ele indica também
que a mistura dos ismaelitas com outros grupos étnicos pelo
casamento torna praticamente impossível traçar uma linhagem pura.
Ainda com respeito ao termo "árabe", convém não confundirmos; nem
todo árabe é muçulmano, mas todo muçulmano respeita o árabe, pois
Maomé, segundo entendemos, era árabe, e o Corão (livro sagrado do
islamismo) foi escrito na língua árabe. O Corão cita Maomé
dizendo: "Não era Abraão judeu ou Cristão. Era um homem de fé pura
e um submisso (muçulmano). E não um idólatra. Os mais chegados a
Abraão foram aqueles que o seguiram, e este profeta (Maomé), e os
que crêem (muçulmanos)" (3.67-68).
A grande verdade é que
os dois irmãos, Israel e Ismael, estão desviados do verdadeiro
propósito. A descendência racial não qualifica ninguém para a
identificação espiritual com a família de Abraão. A chave
espiritual para ser reconhecido como filho de Abraão, está em
reconhecer seu maior descendente. "Ora, as promessas foram feitas
a Abraão e a seu descendente. A escritura não diz: e a seus
descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: e a seu
descendente, que é Cristo" (Gl. 3.16).
BIBLIOGRAFIA
· ABDALLA, Rachid K;
islamismo: O Maior Desafio em todo o Mundo, Editora A.D. Santos.
Curitiba, 2ª edição, 1998.
· ALMEIDA, João Ferreira;
Edição Contemporânea. Editora Vida, 7ª impressão, 1994.
· CHALLITA, Mansur
(Tradutor da versão portuguesa). Alcorão Sagrado. Impresso por
Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A. Rio de Janeiro -
RJ.
· CHAPMAN, Colin, Second
Thoughts About the Ishmael Theme, em Seedbed, 1989.
· HAMADA, Louis Bahjat,
Understanding the Arab world.Nashville: Thomas Nelson Publishers,
1990.
· McCURRY, Don, Esperança
para os Muçulmanos. Editora Descoberta, 1ª edição, 1999.
· STAMPS, Donald C;
Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, 1999.
· WEEKES, Richard V; Muslim Peoples: A
World Ethnographic Survey. Westport (Connecticut): Greenwood Press.
2 Volumes, 1984.
Por Marcelo Teixeira Pereira |